Cantor marcou os anos 1990 com sucessos que levaram a música baiana ao país
O cantor Netinho morreu nesta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador. O artista estava internado no Hospital Aliança Star e enfrentava a volta de um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que atinge o sistema linfático.
Quadro evoluiu para falência renal e múltipla de órgãos
A morte ocorreu após o agravamento do quadro clínico. Nos últimos meses, Netinho tratava a recidiva da doença, diagnosticada em 2025, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
O velório e a cremação serão realizados de forma reservada. A cerimônia ficará restrita a familiares e amigos próximos, conforme desejo manifestado pelo próprio artista.
A despedida reservada preserva a dimensão íntima de uma trajetória pública. Netinho foi uma voz conhecida por milhões de brasileiros, mas o fim da vida será marcado por recolhimento familiar, longe da exposição que acompanhou parte de sua carreira.
De Santo Antônio de Jesus ao Carnaval da Bahia
Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966. A carreira musical ganhou projeção a partir da Banda Beijo, grupo com o qual chegou ao circuito do Carnaval e alcançou reconhecimento nacional.
A canção Beijo na Boca ajudou a projetar a banda para além da Bahia. Depois, já em carreira solo, Netinho consolidou o nome entre os grandes artistas do axé, com repertório associado à festa, ao romance popular e à energia dos trios elétricos.
Entre os sucessos mais lembrados estão Milla, Fim de Semana, Menina e Beijo na Boca. Essas músicas ajudaram a formar a memória afetiva de uma geração que acompanhou a expansão do axé music pelas rádios, programas de televisão, micaretas e carnavais fora da Bahia.
Artista ajudou a popularizar o axé no Brasil
Netinho fez parte de uma fase em que a música baiana ganhou presença nacional intensa. O axé dos anos 1990 deixou de ser apenas trilha do Carnaval de Salvador e passou a ocupar festas, rádios, novelas, programas de auditório e grandes eventos em várias regiões do país.
A força da carreira estava na combinação entre voz, presença de palco e repertório popular. Netinho cantava canções de apelo imediato, mas também criou uma relação de proximidade com o público, especialmente em apresentações ao vivo.
O impacto de Milla ultrapassou o tempo do lançamento. A música se tornou uma das marcas mais reconhecidas da carreira do cantor e continuou associada a ele mesmo décadas depois, como acontece com canções que deixam de ser apenas sucesso comercial e passam a integrar a lembrança coletiva.
Linfoma não Hodgkin exige atenção médica especializada
O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que começa nas células do sistema linfático. Esse sistema participa da defesa do organismo e inclui linfonodos, vasos linfáticos, baço, timo e outras estruturas ligadas à resposta imunológica.
Os sinais podem variar conforme o tipo da doença e a região afetada. Aumento de gânglios, febre, suor noturno, perda de peso sem causa aparente, cansaço e coceira pelo corpo estão entre manifestações que podem exigir investigação médica.
O diagnóstico e o tratamento dependem da avaliação especializada. O cuidado pode envolver exames, biópsia, definição do subtipo do linfoma e escolha de terapias conforme a extensão da doença, a idade, as condições clínicas e a resposta do paciente.
O que permanece depois da despedida
A morte de Netinho encerra uma trajetória individual, mas não apaga o lugar que sua voz ocupou na música popular brasileira. Artistas que atravessam gerações continuam presentes quando suas canções permanecem em festas, memórias familiares, arquivos de televisão, playlists e carnavais.
O legado do cantor também ajuda a lembrar a força cultural do axé. O gênero nasceu ligado à rua, ao trio elétrico, ao Carnaval e à criação musical baiana, mas se tornou uma linguagem nacional, capaz de reunir dança, festa e identidade popular.
A despedida de Netinho é, ao mesmo tempo, uma perda para fãs e um marco na memória do axé. Sua obra segue como registro de uma época em que a música baiana ocupou o centro da cena popular brasileira e transformou alegria em linguagem de massa.
Relacionadas, fontes e documentos:
- Tom Zé ganha exposição para celebrar os 90 anos (Fonte em Foco)
- Jabuti revela semifinalistas (Fonte em Foco)
- Jornalista morreu em casa, no Rio de Janeiro (Fonte em Foco)
- Festival de Brasília começa após quase virar cancelamento (Fonte em Foco)
- Festival de Cinema de Brasília democratiza o acesso à cultura (Fonte em Foco)
- Cantor de axé Netinho morre em Salvador aos 60 anos (Agência Brasil)
- Nota de Pesar – Netinho (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia)
- Linfoma não Hodgkin (Instituto Nacional de Câncer)

