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Acordo de Paris faz 10 anos longe da meta climática

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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O Acordo de Paris, principal tratado global para combater a crise climática, completa uma década nesta sexta-feira (12) com um saldo preocupante: o mundo continua distante de limitar o aquecimento a 1,5°C — teto considerado crítico para evitar impactos irreversíveis.

Adotado na COP21 em 2015, o pacto é reconhecido como marco histórico, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que as emissões globais precisam cair 43% até 2030 para que a meta permaneça viável. Os países enfrentam pressão crescente para reforçar suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e acelerar a transição para economias de baixo carbono.

Guterres: “A ação climática precisa ir além”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu os avanços do Acordo de Paris, mas cobrou urgência. “Os últimos dez anos foram os mais quentes já registrados. Estamos testemunhando tragédias humanas, destruição ecológica e crises econômicas em tempo real”, afirmou.

Segundo ele, o tratado evitou o pior cenário: antes de Paris, o mundo caminhava para um aquecimento superior a 4°C — considerado insustentável. Agora, a projeção está próxima de 2,5°C, ainda acima do ideal, mas menos catastrófica.

“Podemos controlar a escala e a duração desse aumento se tomarmos medidas sérias agora. Precisamos de um plano de aceleração que preencha a lacuna entre ambição, adaptação e financiamento”, disse Guterres, que aposta na COP30, em Belém, como momento decisivo.

Brasil vê avanço, mas admite desafio

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que o Acordo de Paris foi decisivo para “destravar” a ação climática. “Há dez anos, a ação estava emperrada, com muitos obstáculos. O acordo deu uma nova dinâmica ao combate à mudança do clima”, avaliou.

Lago lembrou que, à época das negociações, a ciência indicava um caminho para 4°C de aquecimento. “Agora estamos em 2,5°C. Mas ainda precisamos evitar ultrapassar 1,5°C. Há muito a ser feito”, reconheceu.

Ex-chefe da ONU Clima: “É tarde demais para evitar danos”

Christiana Figueres, que liderou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) durante a criação do Acordo de Paris, adotou tom pessimista. “Mesmo com o Acordo de Paris, já está muito claro que não podemos resolver a mudança climática — é tarde demais”, afirmou nas redes sociais.

Segundo ela, o foco agora deve ser acelerar a redução de emissões e a regeneração de ecossistemas para minimizar os piores impactos. “Para que nossos filhos, nossos netos e todas as gerações futuras possam vivenciar seus próprios momentos de alegria”, completou.

Como funciona o Acordo de Paris

Adotado por 195 países e em vigor desde 2016, o tratado estabeleceu o primeiro compromisso global vinculativo para conter a crise climática. O mecanismo funciona em ciclos de cinco anos, quando cada país apresenta ou atualiza seus planos climáticos, detalhando estratégias de adaptação e metas de longo prazo rumo à neutralidade de carbono.

A cooperação internacional é pilar central do acordo, especialmente para apoiar países em desenvolvimento — os mais vulneráveis aos impactos climáticos, embora sejam historicamente responsáveis por uma parcela menor das emissões. O tratado reconhece que nações desenvolvidas devem liderar o financiamento climático e promover transferência de tecnologia.

Desde 2024, o Quadro de Transparência Reforçado obriga todas as partes a reportar ações, avanços e apoios recebidos. Os dados alimentam o balanço global, que avalia o progresso coletivo rumo às metas de longo prazo.

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