Daniel Vorcaro será levado para presídio federal em Brasília
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quinta-feira, 5 de março, a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou risco à segurança pública e à própria integridade física do investigado caso ele permanecesse no sistema prisional estadual.
Preso na quarta-feira, 4 de março, em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro havia sido levado na manhã desta quinta para a Penitenciária II de Potim, no interior paulista. Com a nova decisão, a transferência para Brasília foi prevista para esta sexta-feira, 6 de março.
PF alegou risco de interferência nas investigações
No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal sustentou que a permanência de Vorcaro em um presídio estadual exigia “cautela redobrada”, porque ele teria potencial capacidade de mobilizar redes de influência capazes de interferir, direta ou indiretamente, na condução das investigações e no cumprimento de determinações judiciais. Esse fundamento aparece no despacho que acolheu a solicitação da PF.
A PF também argumentou que a ida ao sistema penitenciário federal serviria para resguardar a integridade física do investigado. A avaliação foi acolhida por Mendonça ao autorizar a remoção para Brasília.
Nova fase da Compliance Zero ampliou pressão sobre o caso
A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF na manhã de 4 de março e investiga, entre outros pontos, a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa. Vorcaro está entre os alvos presos nessa etapa da operação.
O caso ganhou ainda mais gravidade pública depois que Luiz Phillipi Mourão, apontado nas investigações como aliado de Vorcaro e chamado de “Sicário”, tentou tirar a própria vida na carceragem da PF em Minas Gerais. Ele foi internado em Belo Horizonte e, segundo atualização divulgada nesta sexta-feira, segue em estado grave.
Investigação aponta papel de ajudante e monitoramento de adversários
De acordo com a apuração já divulgada, Luiz Phillipi Mourão atuaria como ajudante de Vorcaro e seria responsável por atividades de monitoramento e pela obtenção de informações sigilosas sobre pessoas vistas como adversárias dos interesses do banqueiro. Essa linha investigativa aparece nas informações públicas da operação.
A transferência de Vorcaro para Brasília não encerra a disputa judicial em torno do caso. A própria Agência Brasil informou que a Segunda Turma do STF deverá analisar em 13 de março a manutenção ou não da prisão do banqueiro e de outros investigados.
Quando o caso deixa de ser só policial e vira teste institucional
A decisão de mandar Vorcaro para um presídio federal mostra que o caso ultrapassou o terreno comum de uma operação de rotina. Quando a PF sustenta que há risco de influência sobre a investigação e o STF aceita esse argumento, o recado institucional é claro: o temor não está apenas no que já foi descoberto, mas no que ainda poderia ser embaralhado. Em casos assim, a prisão deixa de ser apenas medida cautelar e passa a funcionar também como contenção de poder informal. E é justamente aí que o caso Banco Master ganha dimensão maior do que a de um escândalo empresarial.
Fontes e documentos:
– Mendonça autoriza transferência de Vorcaro para presídio federal
– Despacho de André Mendonça sobre transferência de Vorcaro

