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Descarte errado de remédios ameaça saúde e meio ambiente

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Uso seguro inclui descarte correto de medicamentos no DF

Os medicamentos são aliados fundamentais da saúde, mas exigem cuidado também após o uso. O descarte incorreto de remédios — seja no lixo comum ou no vaso sanitário — pode provocar contaminação do solo, da água e riscos à saúde pública, segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

De acordo com o farmacêutico Marcelo Martins, da UBS 3 da Vila Planalto, substâncias químicas presentes nos fármacos podem atingir o sistema de esgoto e interagir com outros resíduos. O resultado pode ser poluição ambiental e impactos indiretos na cadeia alimentar e no abastecimento de água.

Unidades de saúde e farmácias recebem medicamentos vencidos

Para evitar esses riscos, o DF conta com pontos de coleta em unidades básicas de saúde, além de farmácias e drogarias. Nesses locais, a população pode entregar medicamentos vencidos ou fora de uso, bem como suas embalagens.

Na UBS 3 da Vila Planalto, por exemplo, já há coletor específico instalado. Segundo a enfermeira Daniela Matias, responsável técnica da unidade, os resíduos são separados periodicamente: os medicamentos seguem para descarte químico adequado, enquanto as embalagens são encaminhadas para coleta seletiva.

Ela destaca ainda um cuidado essencial: seringas devem ser descartadas sem as agulhas, devido ao risco de acidentes com materiais perfurocortantes.

Medicamento vencido não é seguro — nem inofensivo

Outro ponto reforçado pelos profissionais de saúde é que medicamentos fora do prazo não devem ser utilizados. A validade indicada na embalagem corresponde ao período em que o laboratório garante a eficácia e a segurança do produto.

Após esse prazo, além da possível perda de efeito terapêutico, o uso pode representar riscos ao paciente — e o descarte inadequado amplia ainda mais os danos, agora em escala ambiental.

Descarte irregular pode virar crime ambiental

Dependendo da gravidade, o descarte incorreto pode ser enquadrado na Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A norma prevê sanções para práticas que causem poluição ou danos ao meio ambiente.

Segundo a diretora de Vigilância Sanitária da SES-DF, Márcia Olivé, o controle envolve regras rigorosas para separação, armazenamento, transporte e destinação final de resíduos de saúde. Em 2025, foram realizadas mais de 6,6 mil vistorias, com autuações em casos de descumprimento.

O problema começa em casa — e termina no sistema inteiro

O descarte de medicamentos costuma ser tratado como detalhe doméstico. Não é. Quando um comprimido vai parar no ralo ou no lixo comum, ele entra em um sistema maior, que envolve saneamento, tratamento de água, meio ambiente e saúde coletiva.

É o típico caso em que um gesto pequeno gera impacto grande. E, ao contrário do que muita gente imagina, jogar fora não significa eliminar o problema — muitas vezes, significa apenas transferi-lo para outro lugar, onde ele volta em forma de contaminação silenciosa.

Fontes e documentos:
– Descarte correto de medicamentos evita riscos à saúde e ao meio ambiente (Agência Brasília)
– Resíduos de serviços de saúde (Secretaria de Saúde do DF)
– Lei nº 9.605/1998 – Crimes Ambientais (Planalto)

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