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Doença cardiovascular mata uma pessoa a cada 72 segundos

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Reportagem:
Jeferson Nunes

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Doenças cardiovasculares matam cerca de 50 pessoas por hora no Brasil

Uma pessoa morre por doença cardiovascular a cada 72 segundos no Brasil, de acordo com a estimativa utilizada pelo Cardiômetro. A média corresponde a aproximadamente 1.194 mortes por dia e quase 50 por hora, dimensão que coloca as doenças do coração e da circulação entre os principais desafios de saúde pública do país.

Os números agora integram o Hub de Dados Estatística Cardiovascular, nova plataforma que reúne séries históricas, indicadores epidemiológicos, projeções e ferramentas para comparar a situação cardiovascular entre diferentes grupos da população e unidades da Federação.

Brasil teve mais de 417 mil mortes cardiovasculares em 2024

O país registrou 417.550 óbitos por doenças cardiovasculares em 2024, o equivalente a 27,3% de todas as mortes daquele ano. Os dados têm origem no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e são processados para permitir análises sobre a evolução dessas doenças ao longo do tempo.

O SIM reúne informações sobre os óbitos ocorridos no Brasil e permite estudar causas de morte, características da população e diferenças geográficas. No Hub, a série histórica disponível abrange o período de 2000 a 2024.

O Cardiômetro funciona de maneira diferente de um contador de notificações em tempo real. A ferramenta distribui ao longo do ano uma estimativa anual de mortes cardiovasculares e, a partir dela, calcula médias por dia, hora e intervalo de tempo.

Isso significa que a indicação de uma morte a cada 72 segundos ajuda a traduzir a dimensão da mortalidade cardiovascular para uma escala mais compreensível, mas não representa o registro instantâneo de cada óbito ocorrido no país.

Projeção aponta 462 mil mortes em 2030

Se as tendências observadas nas últimas duas décadas continuarem, o número anual de mortes cardiovasculares pode chegar a 462.573 em 2030. Em relação aos 417.550 óbitos de 2024, a projeção representa crescimento de aproximadamente 10,8%.

A estimativa, porém, não descreve um resultado inevitável. Projeções desse tipo são construídas a partir da trajetória observada nos anos anteriores e podem mudar quando se alteram fatores de risco, perfil demográfico, acesso ao diagnóstico, tratamento e políticas públicas de prevenção.

A diferença entre projeção e previsão definitiva é essencial para compreender o dado. O número de 2030 representa um cenário provável caso determinadas tendências permaneçam, e não uma quantidade de mortes previamente determinada.

O próprio crescimento populacional e o envelhecimento da população também precisam ser considerados quando números absolutos de óbitos são analisados ao longo de períodos extensos.

Taxa de mortalidade caiu nas últimas duas décadas

O aumento projetado no número absoluto de mortes convive com uma redução importante da taxa de mortalidade cardiovascular ao longo das últimas duas décadas. Essa combinação ajuda a mostrar por que números absolutos e taxas populacionais não devem ser interpretados como se fossem a mesma medida.

Em 2000, a taxa padronizada por idade estava em cerca de 306 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2024, ficou próxima de 195 por 100 mil, uma redução de aproximadamente 36%.

Uma população pode registrar queda na taxa de mortalidade e, ao mesmo tempo, continuar apresentando um número elevado de mortes. Mudanças no tamanho da população e no número de pessoas em faixas etárias mais avançadas ajudam a explicar essa aparente contradição.

É justamente por isso que o acompanhamento da saúde cardiovascular precisa observar vários indicadores ao mesmo tempo, e não apenas um contador de óbitos.

Hipertensão, diabetes e tabagismo aumentam o risco

Parte importante do risco cardiovascular está ligada a fatores que podem ser prevenidos ou controlados. Hipertensão arterial, diabetes, obesidade, tabagismo, alimentação inadequada e inatividade física estão entre os fatores associados ao desenvolvimento ou agravamento de doenças cardiovasculares.

A pressão alta merece atenção especial porque pode evoluir durante anos sem sintomas claros. Quando não controlada, aumenta o risco de problemas graves, como infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.

Controlar a pressão arterial, acompanhar a glicemia e abandonar o cigarro são medidas que interferem diretamente no risco cardiovascular. Alimentação adequada, atividade física regular e controle do peso também fazem parte das estratégias de prevenção.

A prevenção não elimina todos os riscos. Idade, predisposição genética e outras condições individuais também influenciam a saúde cardiovascular. Ainda assim, reduzir fatores modificáveis pode alterar a trajetória dessas doenças na população.

Infarto e AVC exigem atendimento rápido

A prevenção é uma parte do enfrentamento das doenças cardiovasculares; reconhecer situações de emergência é outra. Infarto e acidente vascular cerebral podem exigir intervenção imediata, porque o tempo entre o surgimento dos sintomas e o atendimento influencia as possibilidades de tratamento e recuperação.

Dor ou pressão forte no peito, mal-estar súbito, suor frio e falta de ar podem aparecer em casos de infarto. Já alterações repentinas na fala, perda de força em um lado do corpo, assimetria facial ou mudanças súbitas na visão podem indicar um AVC.

Diante da suspeita de infarto ou AVC, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo telefone 192.

Plataforma permite comparar estados, idades e causas

O novo Hub amplia a possibilidade de analisar a mortalidade cardiovascular para além do número nacional. A plataforma reúne mapas, séries temporais, indicadores por sexo e faixa etária, comparações entre unidades da Federação e informações sobre diferentes causas cardiovasculares.

Além dos dados de mortalidade do SIM, o ambiente utiliza estimativas epidemiológicas do Global Burden of Disease 2023. Essas bases têm metodologias distintas e, por isso, não devem ser tratadas como séries equivalentes.

O sistema também permite exportar informações e visualizações, ampliando o uso dos dados por pesquisadores, profissionais de saúde, gestores públicos, jornalistas e cidadãos interessados no tema.

Transformar uma grande base epidemiológica em informação consultável ajuda a revelar diferenças que a média nacional pode esconder. Estados, faixas etárias e grupos populacionais podem apresentar trajetórias distintas, informação relevante tanto para a prevenção quanto para o planejamento dos serviços de saúde.

O número só ganha sentido quando ajuda a mudar a trajetória

Dizer que uma pessoa morre a cada 72 segundos torna a dimensão do problema imediatamente visível, mas o significado mais importante está no que existe por trás desse intervalo. São doenças influenciadas por fatores individuais, condições sociais, prevenção, diagnóstico, qualidade da assistência e velocidade de atendimento nas emergências.

A trajetória das últimas décadas mostra essa dupla realidade. Houve redução expressiva da taxa de mortalidade padronizada por idade, mas o volume absoluto de mortes continua elevado e pode crescer novamente nos próximos anos.

As projeções até 2030 são, portanto, menos uma sentença sobre o futuro do que uma medida do desafio presente. Quanto mais cedo fatores de risco forem controlados, doenças forem diagnosticadas e emergências receberem atendimento adequado, maior será a possibilidade de alterar o caminho apontado pelas tendências atuais.

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