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Festival gratuito no Rio mostra que matemática é pop

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Reportagem:
Janaina Lemos

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FestMat 2026 ocupa a Marina da Glória até domingo com jogos, teatro, experiências, HQs e ciência para todas as idades

O Festival Nacional da Matemática começou nesta quinta-feira (27) no Rio de Janeiro com uma proposta direta: mostrar que a matemática não precisa ficar presa à lousa, à prova ou ao medo de errar.

A quarta edição do FestMat, promovida pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada, o IMPA, segue até domingo (30), na AXIA Marina da Glória. Os dois primeiros dias são reservados a escolas previamente agendadas. No sábado (29) e no domingo (30), o evento abre ao público em geral, com entrada gratuita e inscrição individual pelo site do festival.

O tema deste ano é “Matemática é Pop – Descubra os mundos da matemática”. A ideia é usar a linguagem das histórias em quadrinhos para conduzir crianças, jovens e adultos por experiências, jogos, exposições, palestras, teatro, cinema e atividades interativas.

Público geral entra no sábado e no domingo

A visitação aberta ao público ocorre nos dias 29 e 30 de agosto. A entrada é gratuita, mas exige inscrição pelo site do FestMat.

Segundo a organização, a inscrição do público geral é individual e confirmada automaticamente. O visitante recebe um QR Code, que deve ser apresentado na entrada do festival.

A programação é voltada a todas as idades. A proposta não é transformar o visitante em especialista, mas aproximar a matemática da vida cotidiana por meio de brincadeiras, desafios, imagens, sons e situações concretas.

Esse cuidado faz diferença. Muita gente passa pela escola achando que matemática é apenas uma sequência de fórmulas. O festival tenta mudar esse ponto de partida: antes de cobrar resposta, ele convida o público a experimentar.

Seis mundos para entender a matemática

O FestMat 2026 foi organizado como uma jornada por seis mundos temáticos. Cada espaço representa uma grande área da matemática e usa personagens, desafios e experiências para apresentar conceitos abstratos de forma mais visual.

Há mundos dedicados a áreas como geometria, aritmética, lógica, dinâmica, aleatoriedade e álgebra. A linguagem de HQ ajuda a criar uma narrativa para aquilo que, no ensino tradicional, muitas vezes aparece como conteúdo isolado.

A geometria surge nas formas. A aritmética aparece nos números, nas operações, no troco, no desconto e até nas tecnologias que protegem senhas e transações digitais. A dinâmica ajuda a compreender fenômenos que mudam com o tempo.

A força da proposta está justamente nessa tradução. A matemática deixa de parecer um idioma fechado e passa a ser apresentada como ferramenta para ler o mundo.

Jogos, experiências e Arena Gamer

A programação inclui experiências interativas espalhadas pelo espaço do festival. Entre elas, há atividades sobre cérebro, cognição, lógica, fenômenos físicos, turbulência, linguagem, tecnologia e jogos.

O Laboratório de Dinâmica de Fluidos do IMPA preparou instalações para mostrar como a matemática descreve fenômenos aparentemente caóticos. Uma das experiências permite ao visitante ver, sentir e compreender de forma intuitiva como turbulências aparecem em escalas diferentes.

A Arena Gamer também integra a programação. Em parceria com o AfroGames, o festival apresenta uma área de jogos e e-sports, incluindo um game criado especialmente para o FestMat, com desafios ligados aos seis mundos da matemática.

A presença dos jogos não é enfeite. Ela ajuda a mostrar que raciocínio lógico, estratégia, padrões, regras e tomada de decisão fazem parte da matemática antes mesmo de alguém perceber que está fazendo matemática.

Teatro tenta tirar o medo da disciplina

O palco do festival também tem programação artística. A peça “Constante e Finito”, da Trestada Produções, mistura teatro, palhaçaria e matemática.

O espetáculo é inspirado em textos da coluna “Matematicamente”, do professor Pedro Roitman, publicada na revista Ciência Hoje das Crianças. A proposta é enfrentar, com humor e imaginação, o medo que muitas pessoas carregam da disciplina.

Esse medo não nasce do nada. Ele costuma aparecer quando o erro vira vergonha, quando o conteúdo parece distante da vida real ou quando a matemática é apresentada apenas como obstáculo.

Ao levar a disciplina para o teatro, o festival tenta reconstruir essa relação. O público não é chamado para resolver uma prova. É chamado para rir, observar, pensar e descobrir.

Inteligência artificial entra na conversa

A relação entre matemática e inteligência artificial também aparece na programação. O FestMat inclui palestras e mesas-redondas sobre como a IA transforma imagens, textos, vídeos e sons em números, modelos e padrões.

Esse ponto aproxima o festival de uma discussão muito atual. A inteligência artificial não funciona por mágica. Ela depende de matemática, estatística, computação, dados e capacidade de processamento.

Para o cidadão comum, entender essa base é cada vez mais importante. Decisões sobre crédito, trabalho, educação, segurança, consumo e informação já passam por sistemas automatizados.

Quando o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, afirma que quem controla o conhecimento matemático adquire poder, ele toca em uma questão central do nosso tempo. A matemática não está apenas nos livros. Ela está por trás de ferramentas que organizam parte da vida contemporânea.

Meninas Olímpicas e Obmep ampliam o alcance educacional

O festival também apresenta iniciativas ligadas à formação de estudantes. Entre elas está o projeto Meninas Olímpicas do IMPA, voltado a promover a presença feminina em áreas como ciências, matemática e engenharia.

Outro espaço é dedicado à Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a Obmep, uma das principais iniciativas de estímulo ao estudo da matemática no país.

Essas presenças ajudam a conectar o festival com a sala de aula. A experiência lúdica pode despertar curiosidade, mas a continuidade depende de projetos, professores, escolas, olimpíadas, mentoria e oportunidades reais de formação.

A mensagem é simples: talento matemático não aparece apenas em quem já se sente confortável com números. Muitas vezes, ele surge quando alguém encontra o estímulo certo.

Documentário mostra que números também são poder

O público também poderá assistir ao documentário “Counted Out – Matemática é poder”, lançado em 2024. O filme discute como os números moldam a sociedade e influenciam temas que vão do orçamento familiar às políticas públicas.

Essa abordagem amplia o sentido do festival. A matemática não é apresentada apenas como diversão ou habilidade escolar. Ela também aparece como linguagem de decisão.

Orçamentos, estatísticas, algoritmos, pesquisas, projeções e indicadores ajudam a definir prioridades públicas e privadas. Quem compreende melhor esses instrumentos tende a participar com mais autonomia das decisões que afetam sua vida.

O que observar antes de ir

Quem pretende visitar o FestMat no sábado ou no domingo deve retirar o ingresso gratuito pelo site oficial do festival. A organização informa que, para o público geral, a inscrição é individual.

O evento ocorre na AXIA Marina da Glória, na Avenida Infante Dom Henrique, sem número, na Glória, Rio de Janeiro. A programação é gratuita e aberta a todas as idades nos dias de visitação geral.

Como há atividades diferentes ao longo do dia, vale consultar a programação antes de sair. Quem vai com crianças pode priorizar experiências interativas, Arena Gamer e teatro. Quem busca debate pode olhar as palestras e mesas-redondas. Quem prefere circular com calma pode explorar os mundos temáticos.

A matemática é muito mais interessante do que parece

O FestMat mostra que parte da dificuldade com matemática não está apenas no conteúdo. Está também na forma como o conteúdo chega às pessoas.

Quando a matemática aparece como punição, ela afasta. Quando aparece como jogo, linguagem, pergunta, experimento, arte e descoberta, ela cria outro tipo de encontro.

Isso não torna a disciplina menos rigorosa. Torna a entrada mais humana. Antes de dominar uma fórmula, o estudante precisa acreditar que aquele mundo também pode ser dele.

O festival acerta ao tratar a matemática como cultura. Porque números, formas, padrões e modelos não vivem separados da sociedade. Eles estão no celular, no trânsito, no Pix, na previsão do tempo, na inteligência artificial, na música, no cinema, nos jogos e nas decisões públicas.

No fim, a pergunta não é se a matemática é difícil. Muitas vezes, ela é. A pergunta é se ela precisa ser distante. O FestMat responde que não.

Relacionadas, fontes e documentos:

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