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Governo estuda compensar perdas com isenção do IR

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Fabíola Fonseca

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O Ministério da Fazenda estuda enviar um projeto de lei complementar ao Congresso para compensar eventuais perdas de arrecadação com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. A sinalização foi feita nesta terça-feira (28) pelo ministro Fernando Haddad, após reunião com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da proposta no Senado.

O texto aprovado pela Câmara em outubro eleva a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz as alíquotas para rendimentos de até R$ 7.350. Aprovada por unanimidade na Câmara, a proposta — uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — agora aguarda votação no Senado.

Divergência nos números

A equipe econômica considera o projeto “neutro do ponto de vista fiscal”, mas novos estudos apontam possíveis perdas de arrecadação. A Instituição Fiscal Independente (IFI) estima um rombo de R$ 1 bilhão por ano, enquanto a Consultoria do Senado projeta uma renúncia de até R$ 4 bilhões anuais.

“Em caso de confirmação de um déficit um pouco maior do que a Fazenda estima, de R$ 1 bilhão ou R$ 2 bilhões, o Senado pode contribuir aprovando um projeto complementar para não colocar em risco a neutralidade fiscal”, disse Haddad após a reunião de pouco mais de uma hora.

O ministro garantiu que a equipe técnica vai “refazer os cálculos” e apresentar os resultados a Renan Calheiros até esta quarta-feira (29). “Tivemos todo o cuidado de garantir a neutralidade fiscal. Mesmo assim, vamos confrontar os números com a Receita para uma conferência definitiva”, afirmou.

Cinco cenários possíveis

Renan Calheiros declarou que avalia cinco caminhos para a tramitação da proposta no Senado: aprovação do texto como veio da Câmara, inclusão de emendas de redação, supressão de trechos, desmembramento da proposta ou apresentação de um projeto complementar.

“Vou fazer a opção por um desses cenários, preocupado sobretudo com a rápida sanção pelo presidente da República desta matéria, que é a mais importante que tramita no Congresso Nacional”, afirmou o senador em coletiva.

A prioridade é garantir que o texto siga direto para sanção presidencial, sem retornar à Câmara. Alterações de mérito obrigariam nova análise dos deputados — o que o governo quer evitar para acelerar a entrada em vigor das novas faixas já em 1º de janeiro de 2026.

Como será feita a compensação

A proposta prevê compensar a perda de receita com tributação sobre lucros e dividendos, além da criação de uma alíquota mínima de IR de até 10% sobre rendas superiores a R$ 600 mil anuais. Mesmo assim, técnicos do Senado e da IFI apontam que essas medidas podem não ser suficientes para cobrir o impacto fiscal.

Haddad reforçou que o compromisso da Fazenda é manter o equilíbrio das contas públicas. “Queremos que o Senado aprecie o projeto brevemente. Se houver necessidade de ajustes, faremos de forma responsável, para preservar a neutralidade fiscal”, declarou.

Corrida contra o relógio

Renan informou que ainda nesta semana discutirá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e líderes partidários se o parecer será apresentado nos próximos dias ou apenas na semana que vem, quando as sessões voltam a ser presenciais.

“Vou conversar com o presidente e os líderes para decidir se votamos nesta semana ou deixamos para a próxima. O importante é garantir a aprovação rápida e segura da matéria”, disse o senador.

O Palácio do Planalto considera a reforma do IR um dos principais projetos econômicos do governo. A equipe econômica estima que cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar o imposto ou terão redução no valor retido na fonte, caso a proposta seja sancionada até o fim do ano. Para que isso ocorra, no entanto, o texto precisa ser aprovado ainda em 2025.


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