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Petrobras aumenta QAV em 7,2% e pressiona passagens aéreas

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Novo reajuste entrou em vigor em 1º de novembro e elevou o litro do combustível em R$ 0,45, a alta internacional do petróleo e conflitos no Oriente Médio pressionam custos das companhias aéreas

Petrobras aumenta querosene de aviação em 7,2% e amplia pressão sobre passagens aéreas

O querosene de aviação ficou 7,2% mais caro nas vendas da Petrobras às distribuidoras a partir de domingo, 1º de novembro. O reajuste representa um acréscimo médio de R$ 0,45 por litro e ocorre apenas um mês depois de outra elevação, de 11,76%, aplicada em outubro. A sequência de aumentos pressiona as despesas das companhias aéreas brasileiras e amplia a preocupação com os preços das passagens.

Com o novo reajuste, o litro do combustível passou de aproximadamente R$ 6,24 para R$ 6,69 nas vendas da estatal às distribuidoras. O querosene de aviação, conhecido pela sigla QAV, é utilizado principalmente em aeronaves comerciais e representa uma das maiores despesas das empresas que transportam passageiros e cargas.

A Petrobras atribui a alta ao encarecimento do combustível no mercado internacional, em meio à intensificação dos conflitos no Oriente Médio e à redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia.

O impacto chega a um setor que já enfrenta forte pressão de custos. A participação do combustível nas despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras, antes próxima de 30%, ultrapassou 45% desde o agravamento das tensões internacionais, conforme dados apresentados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Querosene de aviação acumula duas altas expressivas em outubro e novembro

Os dois reajustes consecutivos elevaram o custo do QAV em aproximadamente 19,8% entre setembro e novembro. A variação acumulada considera o efeito composto dos aumentos de outubro e novembro, e não apenas a soma dos percentuais anunciados.

Em outubro, a Petrobras havia elevado o preço médio em 11,76%, o equivalente a aproximadamente R$ 0,66 por litro. Na ocasião, o valor passou de R$ 5,585 para R$ 6,242.
Agora, o aumento de 7,2% acrescenta cerca de R$ 0,45 ao litro.

Evolução do preço do querosene de aviação

SETEMBRO DE 2026
R$ 5,585 por litro
Base de comparação para os reajustes seguintes.


OUTUBRO DE 2026
R$ 6,242 por litro
Aumento de 11,76% em relação a setembro.


NOVEMBRO DE 2026
Cerca de R$ 6,69 por litro
Aumento de 7,2% em relação a outubro.

Os valores representam preços médios de venda da Petrobras às distribuidoras, não necessariamente os preços pagos pelas companhias aéreas nos aeroportos.

Os preços representam valores médios de comercialização da Petrobras às distribuidoras, e não necessariamente aqueles pagos pelas empresas aéreas nos aeroportos.

A sequência de reajustes também reforça a dependência do setor aéreo brasileiro das condições internacionais de abastecimento. Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil participa de um mercado em que os preços dos combustíveis derivados são influenciados pelas cotações globais, pela oferta disponível e pelas condições de refino e transporte.

Conflitos internacionais encarecem combustível vendido no Brasil

A instabilidade no Oriente Médio é um dos principais fatores associados ao aumento do querosene de aviação. Os conflitos na região afetam a circulação de petróleo e derivados e ampliam as incertezas sobre o abastecimento mundial.

O Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica próxima ao Irã, ocupa uma posição central nesse cenário. Antes da escalada militar de 2026, cerca de 20% da produção internacional de petróleo e gás transitava pela região.

Dificuldades nessa rota podem comprometer o transporte de energia, reduzir a oferta disponível e pressionar as cotações internacionais.

A situação é agravada por restrições na capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, associadas ao conflito entre os dois países.

O problema não está apenas no preço do petróleo bruto, mas também na disponibilidade de refinarias capazes de transformá-lo em combustíveis. Quando a oferta de derivados fica mais limitada, produtos como o querosene de aviação podem sofrer pressões adicionais.

A Petrobras afirma que os reajustes praticados no Brasil desde o início da intensificação dos conflitos permanecem inferiores às variações observadas nos principais mercados internacionais.

Por que a Petrobras reajusta o QAV todos os meses

Diferentemente de mercados onde os preços do querosene de aviação podem mudar diariamente, a Petrobras realiza reajustes mensais em seus contratos com as distribuidoras.

As alterações entram em vigor no primeiro dia de cada mês e seguem uma fórmula de cálculo prevista contratualmente.

De acordo com a companhia, esse mecanismo considera as condições do mercado e procura reduzir a transmissão imediata de oscilações internacionais aos preços internos.

A estatal descreve a metodologia como uma forma de amortecer variações de curto prazo, permitindo reajustes mais moderados em comparação com os registrados em outros países.

Isso não significa que o combustível esteja protegido de aumentos expressivos. O efeito da fórmula é distribuir parte das oscilações ao longo do tempo, sem eliminar a influência das cotações internacionais.

A Petrobras responde por aproximadamente 85% da produção nacional de querosene de aviação, mas não possui exclusividade no mercado.

Outras empresas podem produzir ou importar o combustível, respeitando as exigências regulatórias brasileiras.

A comercialização também envolve distribuidoras, responsáveis por etapas como armazenamento, transporte, controle de qualidade e abastecimento nos aeroportos.

Combustível já representa mais de 45% dos custos das companhias aéreas

O encarecimento do QAV atinge diretamente uma das despesas mais importantes da aviação comercial. As empresas precisam abastecer suas aeronaves independentemente da ocupação dos voos, e o volume consumido depende de fatores como distância percorrida, tipo de aeronave e condições operacionais.

Antes do agravamento dos conflitos internacionais, o combustível representava aproximadamente 30% dos custos operacionais das companhias brasileiras.

Com a elevação das cotações, essa participação ultrapassou 45%, conforme os dados apresentados pela Abear.

Na prática, isso significa que uma parcela cada vez maior das despesas das empresas está concentrada no abastecimento das aeronaves.

Quando o combustível fica mais caro, as companhias precisam absorver parte do aumento, buscar ganhos de eficiência ou ajustar suas estratégias comerciais.

Entre as possíveis respostas estão mudanças nos preços dos bilhetes, revisão de rotas, alterações na oferta de assentos e medidas de redução de despesas.

Essas decisões, porém, dependem de diversos fatores. O reajuste do querosene não determina, isoladamente, quanto cada passagem ficará mais cara.

Passagens aéreas podem sentir os efeitos do novo reajuste

O aumento do combustível amplia a pressão sobre as tarifas aéreas, mas não significa que as passagens subirão automaticamente 7,2%. O percentual anunciado pela Petrobras se refere ao preço médio de venda do QAV às distribuidoras, não ao preço final dos bilhetes.

Entre a refinaria e o passageiro existem diferentes etapas de comercialização, além de outros componentes que influenciam os custos das empresas aéreas.

A formação das tarifas também depende da procura por viagens, da concorrência entre companhias, da antecedência da compra, da ocupação dos voos e da disponibilidade de assentos.

O combustível mais caro representa uma pressão adicional sobre esse conjunto de fatores. As empresas podem repassar parte do aumento aos consumidores, especialmente em rotas ou períodos nos quais encontram maior capacidade de ajustar preços.

O efeito também pode alcançar o transporte aéreo de cargas, cuja operação depende do mesmo tipo de combustível.

Para passageiros que planejam viagens, a consequência mais perceptível tende a aparecer nas tarifas ofertadas pelas companhias, embora a intensidade e o momento de eventuais reajustes variem conforme a operação de cada empresa.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acompanha os preços das passagens comercializadas no país e publica levantamentos que permitem observar a evolução das tarifas e dos custos de combustível.

Em junho de 2026, por exemplo, o preço médio do QAV registrado pela agência foi de R$ 5,66 por litro, valor 57,6% superior ao observado no mesmo mês de 2025.

A comparação mostra que a pressão sobre o combustível já vinha sendo sentida antes dos reajustes mais recentes. Novembro acrescenta uma nova elevação a esse cenário.

Mercado brasileiro depende de produção, importação e distribuição

Embora a Petrobras tenha participação predominante na produção nacional, o mercado de querosene de aviação é aberto à concorrência. A regulação permite a atuação de outras produtoras, importadoras e distribuidoras, desde que cumpram as exigências estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A cadeia começa na produção ou importação e continua com armazenamento, transporte e comercialização do combustível.

As distribuidoras realizam o fornecimento às companhias aéreas e a outros consumidores autorizados, incluindo operações com aeronaves de diferentes portes.

A ANP acompanha informações sobre o mercado de combustíveis de aviação, incluindo volumes comercializados, agentes autorizados e preços de distribuição.

Essa estrutura explica por que o valor anunciado pela Petrobras não corresponde necessariamente ao custo final do abastecimento de um avião. Outros componentes comerciais e logísticos podem influenciar o preço pago em cada aeroporto.

A diferença é relevante para compreender tanto o funcionamento do setor quanto os efeitos dos reajustes sobre as empresas e, posteriormente, sobre os consumidores.

O que o novo aumento revela sobre os custos de voar no Brasil

A alta de novembro mostra como conflitos internacionais podem alcançar o orçamento de passageiros brasileiros mesmo quando ocorrem a milhares de quilômetros de distância.

O caminho começa com alterações na oferta e nos preços internacionais de petróleo e derivados. Essas mudanças influenciam o valor do querosene comercializado no Brasil e chegam às companhias aéreas por meio dos contratos de abastecimento.

Quando o combustível passa a representar mais de 45% das despesas operacionais, qualquer nova elevação aumenta a importância desse componente para o equilíbrio financeiro das empresas.

Há, entretanto, uma diferença entre pressão de custos e reajuste efetivo das tarifas. A primeira aparece diretamente nas despesas das companhias. A segunda depende também da concorrência, da demanda e das decisões comerciais de cada empresa.

O peso crescente do QAV evidencia a vulnerabilidade de um setor que depende de combustível negociado em um mercado internacional sujeito a conflitos e restrições de oferta.

O reajuste mensal utilizado pela Petrobras pode suavizar oscilações imediatas, mas não elimina os efeitos de aumentos persistentes no exterior.

Para o consumidor, compreender essa diferença ajuda a interpretar notícias sobre combustíveis e passagens sem assumir que toda variação anunciada na refinaria será reproduzida na mesma proporção no preço da viagem.

O aumento de 7,2% de novembro é, portanto, mais uma etapa de uma pressão que começou antes e ainda depende da evolução do mercado internacional. Seu efeito concreto sobre os bilhetes será percebido nas tarifas que as companhias efetivamente praticarem nos próximos períodos.

Relacionadas, fontes e documentos:

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