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Governo tem superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro

Publicado em

Reportagem:
Fabíola Fonseca

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Alta das receitas com petróleo, imposto de renda e devolução de precatórios ajudou a virar o resultado mensal, de janeiro a setembro, saldo negativo ainda é de R$ 90,2 bilhões

Governo Central tem superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, mas ano ainda acumula déficit

As contas do Governo Central fecharam setembro com superávit primário de R$ 4,8 bilhões, revertendo o déficit de R$ 14,4 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central e representa a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública.

A melhora veio principalmente pelo lado da arrecadação. Descontada a inflação, a receita líquida cresceu 13,6% em relação a setembro do ano passado, enquanto as despesas avançaram 2,4%. Em valores reais, foram R$ 24,6 bilhões adicionais de receita líquida e R$ 4,7 bilhões a mais em despesas.

O saldo também ficou melhor do que a expectativa mediana para o mês, que apontava déficit de R$ 7,5 bilhões.

Petróleo, Imposto de Renda e precatórios reforçaram a receita

Parte relevante da melhora veio de receitas que cresceram de forma intensa em setembro. A arrecadação com exploração de recursos naturais avançou R$ 5,7 bilhões acima da inflação, alta de 71,9% sobre o mesmo mês de 2025.

O movimento refletiu receitas de royalties, produção de petróleo e comercialização de óleo e gás natural da União.

O Imposto de Renda também teve participação importante. A arrecadação do tributo cresceu R$ 7,3 bilhões em termos reais, impulsionada principalmente pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.

Outro R$ 2,9 bilhões entrou por meio do imposto de exportação incidente sobre óleo bruto.

O maior salto proporcional, porém, apareceu em outras receitas não administradas diretamente pela Receita Federal. Essa rubrica aumentou R$ 12,8 bilhões, principalmente pela devolução à União de pagamentos relacionados a precatórios de exercícios anteriores cancelados pelo Poder Judiciário.

Esse componente é importante para interpretar o resultado: uma parcela do avanço de setembro decorreu de entradas que não necessariamente se repetirão todos os meses.

Conflitos no Oriente Médio também pressionaram as despesas

Se o petróleo ajudou a arrecadação, seus efeitos sobre a economia internacional também apareceram do outro lado das contas públicas.

Os créditos extraordinários cresceram R$ 9,9 bilhões em relação a setembro de 2025, impulsionados por medidas destinadas a reduzir os impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio.

Os benefícios previdenciários tiveram aumento real de R$ 2,1 bilhões no mês.

Parte dessas altas foi compensada por uma redução expressiva de despesas sujeitas à decisão do governo. As despesas discricionárias caíram R$ 8,4 bilhões em termos reais, enquanto as despesas obrigatórias com controle de fluxo recuaram R$ 1,5 bilhão.

O resultado foi um crescimento total das despesas muito inferior ao avanço registrado nas receitas.

Previdência continua pesando no resultado

O resultado positivo de setembro não foi distribuído igualmente entre os componentes do Governo Central.

Tesouro Nacional e Banco Central, considerados em conjunto, registraram superávit de aproximadamente R$ 31 bilhões no mês. A Previdência Social apresentou déficit de R$ 26,2 bilhões.

Os gastos com benefícios previdenciários chegaram a R$ 84,6 bilhões em setembro, em valores corrigidos pela inflação para comparação com o ano anterior.

O avanço dessas despesas está ligado, entre outros fatores, ao aumento do número de beneficiários e à valorização real do salário mínimo.

Ano ainda acumula déficit de R$ 90,2 bilhões

O superávit mensal melhora o resultado de 2026, mas não muda o sinal das contas no acumulado.

Entre janeiro e setembro, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 90,2 bilhões. No mesmo período de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 100,3 bilhões.

A diferença mostra uma melhora de aproximadamente R$ 10 bilhões em valores correntes.

No acumulado dos nove primeiros meses, a receita líquida cresceu 6,5% acima da inflação, enquanto as despesas aumentaram 5,4%.

Tesouro Nacional e Banco Central acumulam superávit de R$ 213,1 bilhões, mas a Previdência registra déficit de R$ 303,2 bilhões no mesmo período.

Um mês positivo não resolve sozinho o quadro fiscal

O superávit de setembro representa uma melhora concreta, mas precisa ser lido junto com a composição das receitas e com o déficit acumulado no ano.

O crescimento da arrecadação tributária ajuda a fortalecer o resultado, assim como receitas maiores relacionadas ao petróleo. Ao mesmo tempo, a devolução de recursos de precatórios teve peso relevante no desempenho mensal e possui natureza menos recorrente.

Do lado das despesas, o governo enfrentou aumento de benefícios previdenciários e de créditos extraordinários, enquanto reduziu de maneira significativa os gastos discricionários em comparação com setembro de 2025.

A trajetória fiscal dependerá, portanto, da capacidade de sustentar receitas sem depender excessivamente de entradas extraordinárias e de administrar despesas permanentes que continuam crescendo.

Setembro melhorou a fotografia das contas públicas, mas os R$ 90,2 bilhões de déficit acumulado mostram que o equilíbrio fiscal de 2026 ainda não está definido por um único mês de superávit.

Relacionadas, fontes e documentos:

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