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Hospital de Base prepara uso de Ecmo para 2027

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Unidade do DF está entre dez hospitais públicos selecionados pelo Projeto Ressuscita e já recebeu equipamentos de compressão automática para atendimento de paradas cardíacas

Hospital de Base se prepara para usar Ecmo em emergências a partir de 2027

O Hospital de Base do Distrito Federal começou a preparar suas equipes para utilizar a oxigenação por membrana extracorpórea (Ecmo), tecnologia avançada de suporte a pacientes em estado crítico. A unidade está entre dez hospitais públicos brasileiros selecionados para participar do Projeto Ressuscita, iniciativa do Hospital Sírio-Libanês que reúne capacitação profissional e disponibilização de equipamentos.

O treinamento começou na quarta-feira (28) e envolve profissionais da Hemodinâmica e da Unidade de Terapia Intensiva coronariana. A previsão é que o Ecmo esteja disponível para atendimento no Hospital de Base no primeiro semestre de 2027.

Como funciona o Ecmo?

O Ecmo funciona como um suporte temporário para os pulmões e, em determinadas modalidades, também para a circulação sanguínea. O sangue é retirado do organismo por um circuito externo, passa por um equipamento que realiza as trocas gasosas e retorna oxigenado ao paciente.

A tecnologia pode ser utilizada em situações muito específicas, quando o quadro é grave e as estratégias convencionais não oferecem suporte suficiente ao organismo.

O objetivo não é curar diretamente a doença que provocou a emergência, mas manter funções vitais enquanto a equipe trata a causa do agravamento. Em alguns casos, esse período pode permitir a recuperação do próprio órgão; em outros, o equipamento funciona como uma ponte para outra estratégia terapêutica.

Entre as situações em que o suporte extracorpóreo pode ser considerado estão formas graves e potencialmente reversíveis de falência respiratória ou cardiocirculatória, sempre mediante avaliação especializada.

Hospital precisa preparar equipe antes de colocar tecnologia em funcionamento

A chegada de um equipamento de alta complexidade não significa que ele possa ser utilizado imediatamente. O funcionamento seguro do Ecmo depende de profissionais capacitados, protocolos assistenciais, monitoramento intensivo e integração entre diferentes áreas do hospital.

Por isso, a preparação das equipes faz parte da implantação.

O chefe da Hemodinâmica do Hospital de Base, Gabriel Kanhouche, explica que a tecnologia pode ampliar as alternativas disponíveis diante de pacientes extremamente graves. A proposta é ganhar tempo para que a equipe consiga tratar a condição responsável pela falência respiratória ou circulatória.

Esse cuidado é especialmente importante porque o Ecmo é reservado a pacientes selecionados. Não é um substituto rotineiro de respiradores, medicamentos ou outras formas de suporte intensivo.

Samu já poderá contar com compressão torácica automática

Outra parte do projeto já chegou ao Distrito Federal: dois equipamentos AutoPulse foram entregues ao Hospital de Base para utilização pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Os aparelhos realizam compressões torácicas automáticas e auxiliam as equipes durante procedimentos de reanimação cardiopulmonar em pessoas que sofreram parada cardíaca.

Uma das possibilidades é manter as compressões durante o deslocamento até o hospital, situação em que a movimentação da ambulância pode tornar o procedimento manual mais difícil.

A proposta do Projeto Ressuscita é aproximar o atendimento realizado no local da emergência da estrutura especializada disponível no hospital. Com isso, o cuidado iniciado pela equipe de resgate pode ter continuidade dentro da unidade de referência.

Projeto não significa incorporação nacional do Ecmo ao SUS

A futura oferta da tecnologia no Hospital de Base deve ser entendida como uma iniciativa específica do projeto, e não como disponibilidade geral do Ecmo em toda a rede do SUS.

Em 2021, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou a não incorporação nacional do Ecmo para pacientes com insuficiência respiratória grave e refratária. Entre os fatores considerados estavam as dificuldades de ampliação da estrutura necessária e de cobertura para todos os pacientes que poderiam necessitar do suporte.

Essa decisão nacional não impede que instituições públicas desenvolvam projetos específicos dentro de modelos próprios de financiamento, capacitação e assistência.

A diferença é importante porque uma tecnologia disponível em um hospital de referência não passa automaticamente a estar acessível em todas as unidades públicas do país.

O que muda para o atendimento de emergência no DF?

O principal avanço potencial está na criação de uma linha mais integrada para casos extremamente graves, desde o atendimento pré-hospitalar até o suporte de alta complexidade.

O AutoPulse atua no contexto da reanimação cardiopulmonar, enquanto o Ecmo poderá ser considerado posteriormente para pacientes selecionados que necessitem de suporte respiratório ou circulatório avançado.

São tecnologias diferentes, utilizadas em momentos e condições distintas.

Tecnologia sozinha não transforma atendimento em resultado

O verdadeiro impacto do projeto dependerá menos da presença dos equipamentos e mais da capacidade de incorporá-los a uma assistência organizada e segura. Treinamento contínuo, seleção adequada dos pacientes, protocolos claros e integração entre Samu, emergência, Hemodinâmica e terapia intensiva serão determinantes.

Esse é o ponto central de iniciativas de alta complexidade: o equipamento amplia possibilidades, mas não substitui equipe preparada, infraestrutura hospitalar nem decisão clínica individualizada.

Se a implantação seguir o cronograma informado, o primeiro semestre de 2027 marcará o início de uma nova capacidade assistencial no Hospital de Base.

Para o paciente em situação crítica, a mudança poderá significar a existência de uma alternativa adicional justamente quando as opções convencionais forem insuficientes.

Fontes e Documentos:

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