IPCA de julho tem menor alta desde agosto de 2025
A inflação oficial perdeu força pelo quarto mês seguido e fechou julho em 0,07%, influenciada principalmente pela redução dos preços dos alimentos. Com o resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,44% em 12 meses, voltando a ficar dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação.
O índice havia subido 0,16% em junho. Em julho de 2025, a variação havia sido de 0,11%. Considerando apenas os resultados para julho, a alta de 2026 é a menor desde 2022, quando houve deflação de 0,68%.
O mercado financeiro já projetava alta de 0,07% para o mês, conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (10). Para o encerramento de 2026, a mediana das estimativas aponta inflação de 5,02%.
Alimentos mais baratos aliviaram o orçamento
O grupo alimentação e bebidas recuou 0,67% em julho e retirou 0,14 ponto percentual do IPCA. Foi o segundo mês consecutivo de deflação do grupo, depois da queda de 0,24% em junho.
A alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata, puxada sobretudo por tubérculos, raízes e legumes, que recuaram 16,15%. Entre os itens com maior impacto de baixa estão:
- Tomate: -29,09%;
- Batata-inglesa: -19,59%;
- Cenoura: -14,41%;
- Café moído: -2,45%.
Em 12 meses, o café moído acumula queda de 17,2%, a maior desde o início do Plano Real, em 1994. Segundo o IBGE, o comportamento dos alimentos reflete maior oferta favorecida por condições climáticas mais favoráveis.
Conta de luz pressionou a inflação de julho
A principal pressão individual de alta veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,09% e respondeu por 0,13 ponto percentual do índice. O movimento foi influenciado por reajustes tarifários em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
Também houve alta de 11,67% nas passagens aéreas. Por outro lado, os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos, com recuos no etanol (-2,26%), na gasolina (-1,37%), no óleo diesel (-1,22%) e no gás veicular (-0,08%).
| Grupo | Variação em julho | Impacto no IPCA |
|---|---|---|
| Alimentação e bebidas | -0,67% | -0,14 p.p. |
| Habitação | 0,99% | 0,15 p.p. |
| Artigos de residência | 0,07% | 0 p.p. |
| Vestuário | -0,66% | -0,03 p.p. |
| Transportes | 0,05% | 0,01 p.p. |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,40% | 0,06 p.p. |
| Despesas pessoais | 0,22% | 0,02 p.p. |
| Educação | -0,03% | 0 p.p. |
| Comunicação | 0,04% | 0 p.p. |
Inflação volta à faixa de tolerância da meta
A meta contínua de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o intervalo tolerado vai de 1,5% a 4,5%.
A inflação acumulada em 12 meses esteve acima do teto em maio, quando atingiu 4,72%, e em junho, com 4,64%. O resultado de julho, de 4,44%, recoloca o indicador dentro da faixa.
Isso não significa que a inflação esteja na meta central de 3%. Significa que voltou ao intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional. Desde janeiro de 2025, a meta só é formalmente considerada descumprida quando a inflação acumulada em 12 meses permanece fora dessa faixa por seis meses consecutivos.
Difusão menor indica alta menos espalhada
O índice de difusão ficou em 50% em julho. Na prática, metade dos 377 produtos e serviços acompanhados pelo IBGE registrou aumento de preço no mês. O dado ajuda a mostrar que a inflação ficou menos disseminada, embora grupos importantes, como habitação e saúde, ainda tenham pressionado o custo de vida.
O IPCA mede a variação de preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em regiões metropolitanas, Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Fontes e documentos:
– Indústria critica novo corte da Selic e cobra redução (Fonte em Foco)
– Emplacamentos avançam 10,17% e somam 504 mil em julho (Fonte em Foco)
– Reunião do Copom começa com Selic em 14,25% ao ano (Fonte em Foco)
– Petrobras encontra gás em novo poço no litoral colombiano (Fonte em Foco)
– CNPJ alfanumérico estreia sem alterar cadastros atuais (Fonte em Foco)
– Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de julho de 2026 (IBGE)
– Boletim Focus de 7 de agosto de 2026 (Banco Central)
– Decreto nº 12.079 de 2024 sobre a meta contínua de inflação (Planalto)

