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Indígenas em Brasília pedem demarcação como “escudo” climático

Publicado em:

Reporter: Paulo Andrade

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Cerca de 200 representantes de povos indígenas de todo o país realizaram um ato nesta segunda-feira (13), em frente ao Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios, para pressionar o governo federal pela regularização e demarcação de Terras Indígenas (TIs).

O protesto, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) com apoio da Avaaz, integra a programação da Pré-COP Indígena, realizada em paralelo à Pré-COP oficial em Brasília.

Terras Indígenas como Solução Climática

A principal reivindicação do movimento é a conclusão dos processos de demarcação. O diretor-executivo da Apib, Kleber Karipuna, reforçou que cada TI demarcada funciona como um “escudo” contra o desmatamento e um ativo crucial na luta contra a emergência climática.

“A ciência comprova o que já sabemos: terra demarcada é floresta em pé e viva. Só nossos territórios na Amazônia geram 80% das chuvas que regam o agronegócio no Brasil”, destacou Karipuna.

A Apib citou dados que demonstram o papel de proteção desses territórios:

  • Entre 2001 e 2021, as TIs na Amazônia absorveram cerca 340 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera.
  • As TIs demarcadas da Amazônia perderam historicamente apenas 1,74% de sua vegetação original, indicando um índice de desmatamento baixíssimo.

Segundo a Apib, 104 Terras Indígenas aguardam apenas as etapas finais de aprovação no Executivo Federal.

Impacto das Mudanças Climáticas no Modo de Vida

A artesã Luana Kaingang (34), de Porto Alegre (RS), relatou como as mudanças climáticas já afetam a produção de artesanato de sua comunidade, que depende de plantas nativas como a criciúma e a taquara. “Passamos por períodos de longa estiagem e de temporais. Isso prejudica muito nossa terra”, lamentou.

No Sul do país, a artesã Kauane Félix (24), também Kaingang, de Novas Laranjeiras, detalhou o impacto do desmatamento ilegal:

  • A derrubada de araucárias nativas por invasores afeta o fornecimento de alimentos como milho, feijão, mandioca e frutas nativas.
  • Ela notou a mudança drástica no clima: “Quando eu era criança, era muito frio. Hoje, na mesma época, está calor”.

Proposta de NDC Indígena

O ato fez parte da campanha “A Resposta Somos Nós”. A Apib lançou neste ano a NDC Indígena (Contribuições Nacionalmente Determinadas), propondo que a proteção de territórios, saberes e modos de vida indígenas seja incluída nas metas oficiais do Brasil no Acordo de Paris.

A indígena Sally Nhandeva (21), que vive na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, reforçou a luta: “Queremos viver sem os agrotóxicos dos vizinhos. E proteger a nossa floresta. Eles entram na nossa comunidade querendo nos despejar”. Ela reafirmou a importância da resistência: “Se a gente fugir, quem vai lutar por nós?”.

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