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Alckmin aposta no diálogo para destravar relação com EUA

Publicado em:

Repórter: Marta Borges

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Encontro entre Lula e Trump vira teste para tarifas, tecnologia e investimentos

A reunião prevista entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, coloca Brasil e Estados Unidos diante de uma pauta que vai muito além da fotografia oficial. O encontro deve medir a disposição dos dois governos para reduzir tensões tarifárias, recompor pontes comerciais e abrir espaço para novos investimentos em áreas estratégicas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que espera uma conversa marcada pelo diálogo e pela “boa química” entre os presidentes. A fala tem um cálculo político evidente: depois de atritos comerciais, o governo brasileiro tenta mostrar que prefere a negociação ao ruído.

E faz sentido. Em política externa, levantar a voz pode render aplauso doméstico. Mas quem exporta, investe e emprega costuma gostar mais de previsibilidade do que de bravata.

Tarifas voltam ao centro da conversa

Alckmin voltou a criticar o chamado tarifaço aplicado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Para ele, a medida não se sustenta porque, na relação bilateral, os Estados Unidos não têm déficit comercial com o Brasil na mesma lógica usada para justificar tarifas contra outros países.

O ponto é sensível. Tarifa não é apenas disputa entre governos. Ela chega à fábrica, ao produtor, à logística e ao consumidor. Quando uma barreira sobe, alguém paga a conta. Quase nunca é quem fez o discurso.

Por isso, a reunião entre Lula e Trump deve ser acompanhada com atenção por setores produtivos. O Brasil quer reduzir barreiras tarifárias e também barreiras não tarifárias, aquelas exigências técnicas, regulatórias ou administrativas que podem travar exportações sem aparecer como imposto direto.

Estados Unidos seguem como investidor decisivo

A fala de Alckmin também expõe um dado central: os Estados Unidos seguem como parceiro estratégico para o Brasil. O país é o terceiro parceiro comercial brasileiro, atrás da China e da União Europeia, mas ocupa posição de liderança como investidor estrangeiro.

Esse detalhe muda o tom da conversa. A relação com Washington não cabe apenas no campo ideológico. Ela passa por indústria, tecnologia, energia, defesa, agronegócio, serviços, minerais estratégicos e empresas instaladas no Brasil.

Segundo o vice-presidente, há entre 3 mil e 4 mil empresas americanas atuando no país. É muita gente, muito contrato e muito emprego para ser tratado como briga de palanque.

Big techs e terras raras entram no tabuleiro

Além das tarifas, Alckmin citou espaço para negociação em big techs, terras raras, minerais estratégicos e data centers. A lista mostra que a conversa bilateral deixou de ser apenas sobre commodities e produtos tradicionais.

O Brasil quer se posicionar em cadeias de valor mais sofisticadas. Para isso, precisa transformar potencial em projeto. Tem mercado consumidor, matriz energética relevante e reservas minerais. Mas também tem burocracia, insegurança regulatória e infraestrutura que, em alguns momentos, parece testar a fé do investidor.

O programa Redata, citado por Alckmin, aparece nesse contexto como tentativa de atrair data centers. A ideia dialoga com a expansão da economia digital, mas depende de regra estável, energia competitiva, conectividade e licenciamento eficiente.

Investidor gosta de oportunidade. Mas gosta ainda mais de saber quanto custa, quanto demora e quem decide.

Desenrola reforça agenda econômica interna

Na mesma agenda, Alckmin comentou o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas anunciado pelo presidente Lula. A medida é voltada à população com renda de até cinco salários mínimos e deve permitir renegociação de débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

Segundo o vice-presidente, os descontos podem chegar a 90%. A promessa é aliviar famílias endividadas, reduzir juros e também alcançar pequenas empresas.

A conexão entre a pauta externa e a doméstica é clara. De um lado, o governo busca investimento e mercado. De outro, tenta liberar renda e crédito dentro do país. É a economia tentando respirar por duas vias ao mesmo tempo.

O cuidado necessário é evitar que renegociação vire apenas pausa no sufoco. Se a renda não melhora, se o crédito continua caro e se o orçamento familiar segue apertado, a dívida pode voltar. Às vezes volta até de sapato novo.

Empresas suecas olham para acordo com União Europeia

Alckmin também defendeu o acordo entre Mercosul e União Europeia durante reunião na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, em São Paulo. A pesquisa Business Climate Survey 2026 indicou que 63% das empresas suecas com atuação no Brasil esperam aumentar o abastecimento a partir da Europa com base no acordo.

Além disso, 49% veem oportunidade de ampliar exportações do Brasil para o continente europeu. O levantamento ouviu 60 empresas suecas entre 30 de janeiro e 6 de março. Entre elas, 73% declararam lucro em 2025, e 46% informaram planos de ampliar investimentos no país nos próximos 12 meses.

Os dados reforçam uma percepção importante: apesar dos juros altos, da desaceleração econômica e da instabilidade global, o Brasil continua sendo observado como mercado relevante. O desafio é fazer essa atenção virar investimento produtivo, emprego e transferência tecnológica.

Diplomacia econômica precisa entregar mais que gesto

A expectativa em torno do encontro Lula-Trump será medida depois da reunião, não durante o aperto de mão. O que interessa é saber se haverá avanço concreto em tarifas, investimentos, tecnologia e acesso a mercados.

Alckmin tenta colocar o Brasil no campo do pragmatismo. A estratégia é correta. O país não pode se dar ao luxo de transformar relações comerciais relevantes em disputa de temperamento.

Mas também não basta sorrir para a foto. A diplomacia econômica precisa produzir resultado verificável: barreira reduzida, contrato assinado, investimento confirmado e setor beneficiado.

A relação entre Brasil e Estados Unidos tem peso demais para ser conduzida por improviso. Quando funciona, abre mercado. Quando emperra, cobra caro. E, como quase sempre, a fatura não chega primeiro à mesa dos presidentes. Chega à ponta da economia.

Fontes e documentos:

Alckmin espera diálogo e “boa química” em encontro entre Lula e Trump (Agência Brasil)
– Relatório de Investimento Direto (Banco Central do Brasil)
– MP cria o Redata, que estimula data centers e impulsiona economia digital no Brasil (MDIC)
– Novo Desenrola Brasil (Ministério da Fazenda)

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