Prematuros e crianças com comorbidades ganham nova barreira contra bronquiolite no DF
Bebês prematuros e crianças com comorbidades passaram a ter acesso, no Distrito Federal, ao nirsevimabe, um anticorpo monoclonal usado para reduzir o risco de infecções graves pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) — principal agente associado a bronquiolite e parte relevante das pneumonias em menores de dois anos.
A estratégia soma-se à vacinação de gestantes contra VSR, indicada a partir da 28ª semana, e busca ampliar a proteção desde o nascimento, especialmente antes do período de maior circulação de vírus respiratórios.
Quem pode receber e em que período
No DF, a aplicação segue recortes de risco e idade. Para prematuros, o critério inclui nascimento com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias e idade inferior a 6 meses (até 5 meses e 29 dias).
Para crianças com comorbidades, a elegibilidade vai até 24 meses (até 1 ano, 11 meses e 29 dias), com execução ligada ao período sazonal definido pela SES-DF.
Entre as condições listadas pela secretaria estão cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, doença pulmonar crônica da prematuridade, imunocomprometimento grave, fibrose cística, síndrome de Down e anomalias congênitas das vias aéreas, entre outras.
Capacitação no HRSM mira segurança e rastreabilidade
Com o início da ampliação da oferta, a SES-DF realizou capacitação no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) com equipes de salas de vacinação e núcleos hospitalares de epidemiologia, orientando preparo, administração segura, monitoramento de eventos após aplicação e registro correto em sistemas oficiais.
A gerente substituta da Rede de Frio, Laís de Morais, afirmou que o treinamento buscou alinhar técnica, segurança e qualidade do registro, ponto sensível quando o sistema depende de dados para ajustar distribuição e cobertura.
No HRSM, a chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar, Larysse Lima, destacou o peso local da medida ao citar o volume anual de nascimentos prematuros na unidade e o impacto esperado na proteção neonatal.
Por que essa medida mexe com leitos e com a rotina das famílias
O VSR é apontado pelo Ministério da Saúde como o principal responsável por bronquiolite e internações em bebês, e a entrada do nirsevimabe no SUS foi apresentada como ferramenta para reduzir casos graves, complicações e demanda por hospitalização.
No DF, a SES-DF também associou a estratégia à redução de procura por pronto-socorro e internações pediátricas, com efeito indireto sobre a pressão por leitos, inclusive em períodos de sazonalidade.
Onde o nirsevimabe está disponível no DF
A SES-DF informa que a aplicação ocorre em dois trilhos: maternidades públicas, para bebês ainda internados, e pontos ambulatoriais para quem já está em casa.
Para prematuros e para crianças com síndrome de Down dentro do período sazonal, a secretaria lista UBSs por região de saúde e também a sala de vacinação do Hospital Universitário de Brasília (HuB).
Para outras comorbidades, a orientação inclui o CRIE-DF, no HMIB, mediante agendamento telefônico informado pela própria SES-DF.
A lista completa, com horários e endereços por região (Central, Norte, Leste, Sul, Centro-Sul, Sudoeste e Oeste), está disponível na página oficial da SES-DF.

