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sábado, 13 junho 2026, 07:26
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PF diz que investiga emendas sem olhar peso político

Publicado em

Reportagem:
Reporter: Marta Borges

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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta segunda-feira (15) que a corporação não considera a estatura política de investigados ao apurar suspeitas de desvios em emendas parlamentares. Segundo ele, a PF vai investigar “todos os elos” relacionados à Operação Transparência, deflagrada na última sexta-feira (12).

A declaração foi feita durante um café da manhã com jornalistas, na sede da PF, em Brasília, após a apresentação do balanço anual da instituição. Questionado sobre a operação, Rodrigues reforçou que a investigação seguirá com “serenidade, seriedade e responsabilidade”, independentemente do cargo, poder econômico ou influência política dos envolvidos.

A Operação Transparência apura possíveis irregularidades no uso do chamado orçamento secreto, mecanismo que permitia a destinação de recursos públicos sem a identificação clara do parlamentar responsável ou do beneficiário final. Esse modelo, em tese, facilitava desvios e dificultava a fiscalização.

O principal alvo da operação foi a servidora do Legislativo Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Ela atuou como assessora próxima do deputado Arthur Lira (PP-AL) durante o período em que ele presidiu a Câmara dos Deputados, fase marcada pelo aumento expressivo das emendas de relator (RP9), além de emendas de comissão e de bancada. Lira, até o momento, não figura como investigado.

De acordo com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas e apreensões na Câmara e na residência da servidora, há indícios de que ela exercia uma atuação “contínua, sistemática e estruturada” na organização e liberação dos recursos do orçamento secreto.

Rodrigues afirmou que a PF investiga desde a ponta final do repasse até eventuais intermediários e possíveis parlamentares envolvidos. “Estamos investigando todas as etapas, se houve comprometimento na ponta, se houve intermediário, se houve parlamentar ou não”, disse.

Durante o encontro, o diretor-geral também destacou que a PF segue “inabalável a pressões políticas” e criticou o que chamou de “fulanização” das investigações, numa referência à tentativa de personalizar ou politizar apurações em andamento.

Ele ainda fez críticas a parlamentares que discursam contra o crime organizado, mas, segundo ele, não sustentam essa postura na hora de votar projetos relevantes no Congresso. Para Rodrigues, o enfrentamento ao crime exige coerência institucional e responsabilidade compartilhada.

Por fim, o diretor negou que as apurações sobre emendas representem uma “caça às bruxas” e frisou que a PF não criminaliza o instrumento da emenda parlamentar nem a atividade política. “A emenda parlamentar é legítima, legal e precisa ser usada de acordo com as normas”, afirmou.

Rodrigues evitou informar quantas investigações sobre emendas estão atualmente em curso na PF. As apurações tramitam sob sigilo e estão distribuídas por diferentes gabinetes do STF, envolvendo suspeitas de desvios de recursos públicos.

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