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GDF prepara chamamento para saneamento

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Saneamento integrado vai chegar ao Jardim Botânico e São Sebastião

O Governo do Distrito Federal deve publicar, nos próximos dias, um chamamento público para receber propostas de expansão do saneamento na área leste do DF, abrangendo Jardim Botânico, São Sebastião, Jardins Mangueiral e áreas adjacentes. A coordenação é da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) e a promessa é iniciar a implantação de um sistema integrado de água e esgoto nessas regiões.

Na prática, o anúncio mira um problema antigo: bairros que cresceram mais rápido do que a infraestrutura. E, quando a cidade corre na frente e o cano fica para trás, sobra para o morador viver de “solução individual” que nem sempre é segura, nem barata, nem durável.

O que o chamamento público sinaliza

O chamamento público é o passo formal para estruturar a contratação de soluções e projetos para a expansão. Segundo a Caesb, o plano envolve toda a cadeia do saneamento: da captação e produção de água à distribuição, além de coleta, transporte e tratamento de esgoto.

O governador Ibaneis Rocha afirmou que a intenção é executar “o maior projeto de saneamento integrado da história” da região, com entrega de água tratada e ampliação da rede de esgotamento sanitário.

Por que a água do Lago Paranoá entra na equação

Para viabilizar a expansão, a Caesb afirma que pretende ampliar a produção de água a partir do Sistema Produtor do Lago Paranoá. A lógica é reforçar a oferta para atender ao avanço urbano no eixo leste, onde há limitações de abastecimento em parte das áreas.

Dependência de poços e risco de colapso silencioso

Um dos pontos mais sensíveis é a dependência de poços em várias localidades, com relatos de queda de produção em alguns casos. Quando o abastecimento fica ancorado em soluções individuais, a segurança hídrica vira loteria: funciona até o dia em que deixa de funcionar.

Além disso, sem rede coletora e tratamento adequados, a pressão ambiental cresce justamente onde deveria haver proteção: solo, nascentes, cursos d’água e áreas de preservação no entorno.

Marco do saneamento e a meta de 2033

A iniciativa é apresentada como alinhada ao Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que estabeleceu metas de universalização até 2033. No desenho nacional, a referência é 99% de atendimento com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, com discussões regulatórias sobre prazos e condições.

Na fala do presidente da Caesb, Luis Antonio Reis, o programa seria uma solução “completa” para levar água tratada e esgoto coletado a áreas que hoje dependem de alternativas individuais, com promessa de ganho em qualidade de vida, segurança hídrica e proteção ambiental.

O que muda para o morador e o que ainda falta saber

O anúncio aponta para ganhos óbvios, mas ainda deixa perguntas objetivas que precisam aparecer no edital e nos documentos técnicos: cronograma por etapa, bairros prioritários, capacidade adicional prevista, impacto tarifário, e como será feita a transição para quem hoje depende de poço e fossa.

Sem isso, “universalização” fica bonita no discurso, porém frágil na rotina. Saneamento, no fim, não é slogan: é rede funcionando, estação operando e conta que o cidadão consegue pagar.

Fontes e documentos

– Expansão do saneamento integrado chega ao Jardim Botânico e São Sebastião
– Lei nº 14.026/2020 Novo Marco Legal do Saneamento
– Marco Legal do Saneamento no Ministério das Cidades

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