Obra de R$ 37,4 milhões vai melhorar tratamento de esgoto antes do lançamento no Melchior
A Caesb avança nas obras da unidade de polimento final da Estação de Tratamento de Esgoto Melchior, em Samambaia. Com investimento superior a R$ 37,4 milhões, a nova estrutura vai ampliar a eficiência do tratamento dos efluentes antes do lançamento no córrego Melchior.
A intervenção busca aumentar a estabilidade operacional da estação e melhorar a remoção de fósforo e outros nutrientes remanescentes do tratamento biológico. Na prática, é uma etapa a mais de proteção ambiental. E, em saneamento, o que não aparece na superfície costuma ser justamente o que evita o problema mais caro depois.
Polimento final reforça tratamento químico
A obra começou em agosto de 2024 e é executada pela Ankara Engenharia Ltda. Segundo a Caesb, o projeto inclui casa de química, interligações com estruturas já existentes e geração de mais de 40 empregos.
A nova unidade funcionará como complemento ao tratamento já feito na ETE Melchior, considerada pela companhia uma estação de nível terciário. O objetivo é acrescentar uma etapa química para retirada de fósforo e outros nutrientes, garantindo efluente de melhor qualidade.
O presidente da Caesb, Luís Antônio Almeida Reis, afirma que a medida integra ações de sustentabilidade ambiental e busca devolver à natureza a água captada da melhor forma possível. A declaração reforça a lógica central do saneamento moderno: tratar esgoto não é apenas afastar resíduos das casas, mas reduzir impacto sobre rios, córregos e bacias.
Remoção de fósforo deve passar de 95%
A superintendente de Operação e Tratamento de Esgoto da Caesb, Ana Maria do Carmo Mota, explica que o polimento final funcionará como uma barreira adicional ao tratamento biológico. Isso amplia a segurança do processo, especialmente porque etapas biológicas podem sofrer variações operacionais.
Segundo a companhia, a ETE já retira cerca de 90% do fósforo. Com a nova unidade, a eficiência deve ultrapassar 95%. O controle desse nutriente é relevante porque o excesso de fósforo pode favorecer desequilíbrios ambientais em corpos d’água, especialmente quando há acúmulo de matéria orgânica e crescimento excessivo de algas.
Esse é o tipo de dado que não rende aplauso em inauguração, mas pesa muito na vida real. Um ponto percentual a mais no tratamento pode significar menos pressão ambiental acumulada ao longo de anos.
ETE atende cerca de 1 milhão de moradores
Atualmente, a ETE Melchior opera com vazão de 1,5 mil litros por segundo e atende cerca de 1 milhão de habitantes de regiões como Samambaia, Ceilândia, Taguatinga, Águas Claras e Vicente Pires. Com a nova estrutura, a capacidade poderá chegar a 2,5 mil litros por segundo, acompanhando o crescimento populacional previsto até 2050.
A ampliação é relevante porque o saneamento precisa crescer antes do colapso, não depois dele. Quando a população aumenta e a estrutura fica parada, o custo aparece em forma de sobrecarga, mau cheiro, contaminação e degradação ambiental.
Córrego Melchior é monitorado pela Caesb
O rio Melchior é classificado como Classe 4 e não é utilizado para abastecimento humano. Ainda assim, tem papel ambiental importante na região e recebe efluentes tratados da estação. A Caesb informa que monitora continuamente a qualidade da água e dos efluentes em pontos antes e depois dos lançamentos, para verificar o cumprimento dos parâmetros legais.
A companhia sustenta que, em muitos casos, a água devolvida ao curso hídrico chega a ter qualidade superior à do próprio rio, afetado por outras fontes de poluição, como atividades industriais e lançamentos clandestinos. A afirmação é forte e exige monitoramento permanente, porque saneamento também se mede com transparência de dados, não apenas com engenharia.
Modernização precisa acompanhar crescimento urbano
A obra faz parte de um planejamento mais amplo para modernizar o sistema de esgotamento sanitário da região. Nos próximos anos, estão previstos cerca de R$ 240 milhões em investimentos, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Governo do Distrito Federal, de comitês de bacias hidrográficas e da própria Caesb.
A expansão da ETE Melchior aponta para uma necessidade concreta do Distrito Federal: infraestrutura ambiental compatível com o crescimento das cidades. Sem isso, a urbanização avança, mas a conta chega no córrego, no rio e, mais tarde, na saúde pública.
Saneamento é obra que protege antes de aparecer
A nova etapa de tratamento da ETE Melchior não é uma obra de grande visibilidade urbana. Não muda fachada, não entrega viaduto e não vira ponto turístico. Mas pode reduzir impacto ambiental em uma bacia pressionada por crescimento populacional e ocupação irregular.
Esse é o valor público do saneamento bem planejado. Quando funciona, quase ninguém percebe. Quando falha, todo mundo sente. Por isso, o avanço do polimento final em Samambaia deve ser acompanhado não apenas pelo valor investido, mas pelos resultados ambientais que a Caesb conseguirá demonstrar nos próximos anos.
Fontes e documentos:
– Unidade de polimento final é construída na Estação de Tratamento de Esgoto Melchior com investimento de mais de R$ 37,4 milhões (Agência Brasília)
– Estações de Tratamento de Esgoto da Caesb (Caesb)
– Relatório de Gestão 2025 da Caesb (Caesb)

