Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoEducaçãoRacismo estrutural e renda baixa dificultam conclusão da educação básica

Racismo estrutural e renda baixa dificultam conclusão da educação básica

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

Cobertura relacionada

STEM exige professor preparado

Levantamento sobre educação STEM mostra que tecnologia nas escolas só funciona com professores preparados, apoio técnico e equidade.

Quantidade de jovens nem-nem cai no Brasil

Relatório internacional mostra queda de jovens fora da escola e do trabalho no Brasil, mas ensino médio segue como gargalo.

Consulta sobre cursos técnicos termina nesta quarta

MEC recebe até esta quarta contribuições para atualizar 197 cursos técnicos em 13 eixos do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.

Pisa 2025 revela custo da baixa aprendizagem aos estudantes

Pisa 2025 mostra que a distância menor para a OCDE não basta. Entenda o impacto na vida dos estudantes e a responsabilidade pública.

Professores têm 8 mil vagas de pós-graduação grátis

MEC e Capes reúnem mais de 8 mil vagas presenciais e gratuitas de pós-graduação para professores da educação básica pública.

Ideb 2025 registra maior avanço em 20 anos

Ideb 2025 registra maior avanço em 20 anos, mas ensino médio segue abaixo da meta. Veja os índices por etapa e os estados com melhor desempenho.
Publicidade

O racismo estrutural e a necessidade de garantir renda são fatores centrais que impedem milhões de jovens e adultos brasileiros de concluir a educação básica. A constatação faz parte da pesquisa Educação de Jovens e Adultos: Acesso, Conclusão e Impactos sobre Empregabilidade e Renda, divulgada pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Itaú Educação e Trabalho.

Segundo o levantamento, cerca de 66 milhões de pessoas com mais de 15 anos estão fora da escola sem concluir a educação básica. Esse público é formado, em sua maioria, por pessoas negras e de baixa renda.

“Precisamos reconhecer que o perfil do público da EJA é majoritariamente negro e de baixa renda. O programa precisa se adequar a essas realidades”, destacou o gerente de Monitoramento, Avaliação, Articulação e Advocacy do Itaú Educação e Trabalho, Diogo Jamra.

Obstáculos históricos e sociais

Jamra ressaltou que o passado escravocrata do Brasil e o racismo estrutural ainda limitam o acesso da população negra às políticas públicas educacionais. Além disso, a necessidade de trabalhar desde cedo é um dos principais fatores de evasão escolar.

Entre os jovens de 15 a 20 anos, a evasão aumenta entre os mais velhos, homens, negros, moradores de áreas rurais, trabalhadores e pessoas de baixa renda. Já para adultos de 21 a 29 anos que não concluíram a educação básica, a matrícula na EJA é mais comum entre mulheres e desempregados, mas cai entre quem trabalha, mora em áreas rurais ou é responsável pelo domicílio.

EJA melhora renda e empregabilidade

A pesquisa mostra que a conclusão da Educação de Jovens e Adultos (EJA) tem impacto direto no mercado de trabalho. Entre os jovens de 19 a 29 anos, concluir a EJA aumenta em 7 pontos percentuais as chances de emprego formal e eleva a renda mensal em média 4,5%.

No grupo de 19 a 24 anos, o efeito é ainda maior: a formalização sobe 9,6 p.p., e a renda cresce 7,5%.

Urgência de políticas públicas

Para Jamra, o poder público precisa trazer a EJA para o centro das políticas educacionais, com maior investimento e metodologias pedagógicas inovadoras, como a pedagogia de alternância para atender áreas rurais.

“O trabalho é, ao mesmo tempo, um fator que contribui para a evasão escolar e uma motivação para o retorno às salas de aula. É fundamental integrar a EJA à Educação Profissional e Tecnológica para ampliar oportunidades e dignidade para milhares de brasileiros”, concluiu.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.