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Verdades e mentiras sobre a mamografia

Publicado em

Reportagem:
Jeferson Nunes

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Basta entrar na internet por alguns minutos para ser bombardeado por histórias distorcidas, interpretações equivocadas e, pior, notícias falsas. Nenhum assunto escapa — nem mesmo procedimentos de saúde essenciais para diagnósticos que podem salvar vidas. A mamografia, exame fundamental na detecção precoce do câncer de mama, virou alvo de uma enxurrada de dúvidas e desinformação.

Será que a mamografia causa câncer? Homens podem fazer o exame? Só mulheres mais velhas precisam? E quem tem silicone, precisa mesmo? São perguntas que circulam nas redes, nos grupos de WhatsApp e até em conversas de consultório — e que merecem respostas claras, sem rodeios.

Para separar o joio do trigo, Farid Buitrago, Referência Técnica Distrital (RTD) em mastologia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), derruba os principais mitos e confirma as verdades sobre um dos exames mais importantes da medicina preventiva.

O exame que salva vidas

A mamografia é um raio-X das mamas capaz de identificar alterações ainda invisíveis ao toque. Detectar o câncer de mama em estágios iniciais aumenta drasticamente as chances de cura — estamos falando de mais de 95% de sobrevida quando o diagnóstico é precoce. Mas, mesmo com essa eficácia comprovada, o exame ainda enfrenta resistência alimentada por informações falsas.

“Muita gente chega ao consultório com medo de fazer a mamografia por causa de algo que leu na internet. É preocupante, porque esse medo pode atrasar um diagnóstico vital”, alerta Buitrago.

Como acessar a mamografia pelo SUS

No Distrito Federal, o caminho para realizar o exame é direto. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada. Após avaliação médica e indicação clínica, o paciente é encaminhado para a mamografia por meio do sistema de regulação da SES-DF.

O resultado volta para a equipe de saúde da própria UBS, que faz a análise. Se houver alguma alteração, a pessoa é direcionada ao mastologista e pode precisar de exames complementares. Caso seja confirmado o câncer de mama, o tratamento oncológico — que pode incluir radioterapia, quimioterapia e cirurgia — é realizado nos locais especializados do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ou seja: o fluxo existe, funciona e está disponível para quem precisa. O problema é quando a desinformação impede que as pessoas busquem o exame no momento certo.

Mitos e verdades: o que você precisa saber

1. A mamografia causa câncer por causa da radiação?

MITO. A dose de radiação usada no exame é mínima e totalmente segura. O benefício de detectar precocemente um tumor supera em muito qualquer risco teórico. A tecnologia dos equipamentos evoluiu muito — a radiação é controlada e não representa perigo.

2. Homens não podem fazer mamografia?

MITO. Homens podem e devem fazer mamografia quando há indicação clínica. Embora o câncer de mama seja mais raro em homens (cerca de 1% dos casos), ele existe — e o diagnóstico precoce também salva vidas masculinas.

3. Só mulheres mais velhas precisam fazer o exame?

MITO. A recomendação geral é que mulheres entre 50 e 69 anos façam a mamografia de rastreamento a cada dois anos. Mas isso não significa que mulheres mais jovens estejam livres do risco. Quem tem histórico familiar, alterações nas mamas ou outros fatores de risco pode precisar começar antes — e isso é definido pelo médico.

4. Quem tem silicone não pode fazer mamografia?

MITO. Mulheres com prótese de silicone podem e devem fazer mamografia. O técnico que realiza o exame usa uma manobra específica para visualizar melhor o tecido mamário. Em alguns casos, pode ser necessário complementar com ultrassonografia ou ressonância magnética, mas o silicone não impede o diagnóstico.

5. A mamografia dói muito?

DEPENDE. O exame exige compressão das mamas para obter imagens nítidas, o que pode causar desconforto — especialmente em mulheres com mamas mais sensíveis. Mas a dor é passageira e suportável. Uma dica: agendar o exame fora do período menstrual pode reduzir a sensibilidade.

Informação confiável é a melhor prevenção

A desinformação mata — literalmente. Quando uma pessoa deixa de fazer a mamografia por causa de um post duvidoso ou de um vídeo sem base científica, ela está adiando um diagnóstico que pode ser a diferença entre a vida e a morte.

O Outubro Rosa reforça essa mensagem todos os anos, mas a prevenção não pode ser sazonal. O cuidado com a saúde das mamas precisa ser contínuo, e a mamografia é uma das ferramentas mais poderosas que temos.

Se você tem dúvidas, procure um profissional de saúde. Se conhece alguém que acredita em mitos sobre o exame, compartilhe informação de qualidade. E, acima de tudo, não deixe o medo vencer a ciência.

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