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El Niño pode ser um dos mais fortes desde 1950

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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NOAA vê 81% de chance de fenômeno muito forte entre outubro e dezembro

O El Niño se intensificou e tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro, segundo boletim divulgado nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Se a previsão se confirmar, o fenômeno poderá figurar entre os maiores eventos registrados desde 1950, início da série histórica usada pela agência.

A NOAA também estima 97% de chance de o El Niño persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, período que corresponde ao outono no Hemisfério Sul. O boletim marca uma mudança importante no acompanhamento climático, porque aumenta a confiança de que o fenômeno seguirá ganhando força até o fim do ano.

Aquecimento do Pacífico altera chuva, ventos e temperatura

O El Niño ocorre quando a superfície do Oceano Pacífico equatorial fica mais quente do que a média. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e influencia o regime de chuvas em várias partes do planeta.

De acordo com a NOAA, o fenômeno ganhou força em junho, com aumento superior a 1°C em uma ampla área do Pacífico central e leste. A agência aponta forte acoplamento entre oceano e atmosfera, condição que aumenta a confiança dos modelos climáticos para a continuidade do evento.

Um El Niño mais forte não significa que eventos extremos ocorrerão automaticamente em todos os lugares. A própria NOAA ressalta que até os episódios mais intensos não produzem o mesmo padrão de impacto em todas as regiões. O que muda é a probabilidade: eventos fortes tendem a inclinar as chances para calor, tempestades, secas ou chuvas acima da média em áreas já conhecidas por responder ao fenômeno.

Fenômeno pode elevar risco de extremos climáticos

O fortalecimento do El Niño aumenta a atenção sobre seus efeitos globais. Em diferentes regiões, o fenômeno pode alterar padrões de chuva, ampliar períodos de calor, favorecer secas, provocar tempestades mais intensas ou modificar a temporada de furacões.

Os impactos variam conforme a região e a época do ano. Por isso, a previsão de intensidade não deve ser lida como sentença climática local. Ela indica maior probabilidade de anomalias, não a certeza de desastre em determinado município ou estado.

No Brasil, historicamente, episódios de El Niño costumam estar associados a maior chance de chuva no Sul e de redução de precipitação em parte do Norte e do Nordeste, embora a intensidade e a distribuição dos efeitos dependam de outros fatores atmosféricos e oceânicos.

Previsão aponta evento prolongado até 2027

O boletim da NOAA indica que o El Niño deve se fortalecer ao longo de 2026 e permanecer ativo até o início de 2027. A previsão anterior já apontava possibilidade de intensificação, mas ainda havia incerteza maior sobre a magnitude que o fenômeno poderia alcançar.

A nova estimativa coloca o evento em patamar de atenção internacional. Um El Niño muito forte pode afetar agricultura, abastecimento de água, geração de energia, saúde pública, defesa civil e infraestrutura. O clima, quando entra em modo extremo, costuma lembrar que planejamento não é luxo administrativo; é seguro contra improviso caro.

O que é El Niño

O El Niño é um fenômeno natural do sistema climático conhecido como Enos, sigla para El Niño-Oscilação Sul. Ele ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial central e leste.

Esse aquecimento muda a circulação atmosférica e interfere no transporte de umidade pelo planeta. Como consequência, algumas regiões passam a ter maior chance de chuvas intensas, enquanto outras ficam mais suscetíveis a seca e calor acima da média.

O fenômeno não age sozinho. Seus efeitos são modulados por outros sistemas climáticos, como frentes frias, bloqueios atmosféricos, temperatura do Atlântico e padrões regionais de circulação. Por isso, previsões sazonais precisam ser acompanhadas por órgãos meteorológicos nacionais e locais.

Análise da previsão climática

A nova projeção da NOAA deve ser lida como alerta de preparação, não como previsão fechada de calamidade. A diferença é importante. Um El Niño muito forte aumenta o risco de extremos, mas não define sozinho onde haverá enchente, seca ou onda de calor.

Para governos, produtores rurais, empresas de energia e defesa civil, o dado relevante é a antecedência. A janela entre julho e o pico provável no fim do ano permite revisar planos de contingência, monitorar reservatórios, preparar sistemas de saúde para calor extremo e orientar setores expostos à variação de chuva.

O erro seria tratar o boletim como curiosidade meteorológica distante. O El Niño nasce no Pacífico, mas seus efeitos viajam. Quando a superfície do oceano muda nessa escala, a conta pode chegar em lavoura, cidade, conta de luz, abastecimento e saúde pública.

Relacionadas, fontes e documentos:

Brasil tem 213 barragens sob atenção prioritária (Fonte em Foco)
Incêndios têm menor emissão global em 24 anos (Fonte em Foco)
39% dos brasileiros desconhecem economia circular (Fonte em Foco)
Inmet alerta para chuva no Norte e Nordeste (Fonte em Foco)
Inea interdita área de mineração ilegal em Maricá (Fonte em Foco)
ENSO Diagnostic Discussion (NOAA Climate Prediction Center)
Chances do El Niño ser “muito forte” no final de 2026 chegam a 81% (Agência Brasil)

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