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39% dos brasileiros desconhecem economia circular

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Pesquisa mostra que reciclagem é vista como responsabilidade compartilhada, mas conceito ainda chega pouco à população

Quatro em cada dez brasileiros ainda não conhecem o conceito de economia circular. O dado aparece em pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest.

Segundo o levantamento, 39% dos entrevistados nunca ouviram falar sobre o tema. Outros 45% já tiveram algum contato com a expressão, mas não conhecem os detalhes. Apenas 12% declararam conhecer bem o assunto.

A economia circular propõe reaproveitar, recuperar e reinserir materiais no ciclo produtivo. A lógica busca reduzir o descarte e substituir o modelo linear, no qual os recursos são extraídos, usados e jogados fora.

Na prática, o conceito envolve reciclagem, reutilização, logística reversa, reparo, redesenho de produtos e melhor aproveitamento de matérias-primas.

Conhecimento ainda é superficial

Embora o tema já tenha chegado a parte da população, a pesquisa indica que o entendimento ainda é limitado.

Para Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, o desafio não está apenas em apresentar o termo ao público.

Segundo ela, é necessário aprofundar a compreensão sobre como a economia circular funciona e qual papel cada setor pode exercer.

“Não adianta nada você conhecer se não tem um aprofundamento do tema”, afirmou.

A avaliação aponta para uma lacuna importante. O país discute reciclagem, logística reversa e redução de resíduos, mas parte relevante da população ainda não domina os conceitos que sustentam essas políticas.

Educação aparece como caminho central

Beatriz defende que escolas, governos, empresas e organizações sociais atuem de forma conjunta para ampliar o conhecimento sobre economia circular.

O foco, segundo ela, deve incluir crianças e adolescentes.

A justificativa é simples. Esse público pode levar novas práticas para casa, influenciar hábitos familiares e multiplicar informações na comunidade.

A estratégia também ajuda a tratar o tema antes que o consumo e o descarte se consolidem como hábitos automáticos.

Se a economia circular ficar restrita a relatórios técnicos e campanhas empresariais, continuará parecendo conversa de especialista. O lixo, porém, é democrático: todo mundo produz.

Maioria aceita mudar hábitos de consumo

A pesquisa Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População ouviu 834 pessoas com 18 anos ou mais, entre 30 de abril e 8 de maio de 2026.

Os resultados foram comparados à primeira edição do estudo, realizada em 2025.

De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados disseram ter disposição para mudar hábitos de consumo com o objetivo de gerar menos resíduos.

Outros 3% responderam que talvez mudariam. Já 23% afirmaram não ter disposição para alterar seus hábitos.

O dado mostra uma contradição produtiva. Mesmo com baixo conhecimento sobre economia circular, há abertura social para práticas mais sustentáveis.

Esse espaço pode ser aproveitado por políticas públicas, campanhas educativas, empresas e cooperativas de reciclagem.

Reciclagem é responsabilidade compartilhada

Os entrevistados também apontaram quem deve ser responsável pela reciclagem dos produtos.

A maior parte atribuiu responsabilidade à população, citada por 78% dos participantes.

Em seguida aparecem o governo, com 63%, e as empresas, com 55%.

Na comparação com 2025, cresceu a cobrança sobre todos esses atores. A responsabilização da população avançou três pontos percentuais.

A cobrança por atuação do governo cresceu quatro pontos, enquanto a demanda por ação das empresas subiu seis pontos.

As escolas foram citadas por 35% dos entrevistados. As organizações não governamentais apareceram com 30%.

O resultado reforça a ideia de responsabilidade compartilhada. Separar resíduos em casa ajuda, mas não resolve sozinho uma cadeia que depende de coleta, infraestrutura, indústria, fiscalização e mercado para materiais reciclados.

Logística reversa ainda avança devagar

A pesquisa também abordou a logística reversa, prática em que produtos ou embalagens retornam ao fabricante, importador, distribuidor ou comerciante após o fim do uso.

Esse mecanismo permite reinserir materiais na cadeia produtiva ou garantir destinação ambientalmente adequada.

Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados já devolveram ao menos uma vez algum produto depois do fim do ciclo de uso.

Dentro desse grupo, 14% afirmaram fazer isso com frequência.

O dado sugere que a logística reversa chegou a parte da população, mas ainda depende de mais acesso, informação e pontos de entrega.

Sem facilidade, o consumidor até entende a ideia, mas esbarra na velha pergunta brasileira: onde eu deixo isso?

Coleta seletiva chega a pouco mais da metade

O levantamento indica que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua.

Mesmo assim, ainda há gargalos na separação e na destinação correta dos resíduos.

Entre os entrevistados, 11% disseram separar os resíduos, mas não levar o material a pontos de coleta.

Desse grupo, 63% entregam recicláveis e orgânicos juntos ao caminhão de coleta. Outros 36% entregam o material separado a catadores.

A situação mostra que o comportamento individual depende de uma rede funcionando.

Quando a coleta seletiva não é clara, regular ou acessível, parte da separação feita dentro de casa pode perder eficiência no caminho.

Confiança na reciclagem segue alta

Apesar das dificuldades, a confiança da população no processo de reciclagem permanece elevada.

Mais da metade dos entrevistados, 54%, declarou acreditar que os resíduos separados são efetivamente reciclados.

Apenas 6% afirmaram não confiar no processo.

Para Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, os dados indicam uma mudança de percepção e comportamento.

Segundo ela, existe uma compreensão crescente sobre a importância da reciclagem e uma disposição maior para práticas sustentáveis.

O desafio agora é transformar boa vontade em sistema. Isso exige coleta seletiva, educação ambiental, logística reversa, apoio a catadores e transparência sobre o destino dos resíduos.

Sem essa engrenagem, a economia circular corre o risco de virar apenas um nome bonito para um problema antigo.

Relacionadas, fontes e documentos:

Inmet alerta para chuva no Norte e Nordeste (Fonte em Foco)
Inea interdita área de mineração ilegal em Maricá (Fonte em Foco)
ANSN apura incidente radiológico no Ipen (Fonte em Foco)
Painel revela agrotóxicos em águas do Brasil (Fonte em Foco)
4 em cada 10 brasileiros desconhecem economia circular (Movimento Plástico Transforma)
– Confiança na reciclagem segue alta no Brasil (Plástico Virtual)
– Quatro em cada 10 brasileiros desconhece economia circular (EmbalagemMarca)

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