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Incêndios têm menor emissão global em 24 anos

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Copernicus aponta menos de 400 megatoneladas de carbono no primeiro semestre de 2026

O primeiro semestre de 2026 registrou o menor nível global de emissões de gases do efeito estufa provocadas por incêndios desde o início da série histórica, em 2003.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 6 de julho, pelo observatório europeu Copernicus, com base no Sistema Global de Assimilação de Incêndios, conhecido pela sigla GFAS.

De 1º de janeiro a 30 de junho, as emissões ficaram abaixo de 400 megatoneladas de carbono. Uma megatonelada corresponde a um milhão de toneladas.

No começo da série, em 2003, o valor ultrapassava 1 gigatonelada de carbono, equivalente a 1 bilhão de toneladas. Até agora, o monitoramento nunca havia registrado valor inferior a 500 megatoneladas no mesmo intervalo.

Queda foi puxada por África e Ásia

Segundo os dados do GFAS, a redução global foi influenciada principalmente pela queda dos incêndios sazonais na África tropical.

Desde o início do ano, o continente africano registrou aproximadamente 154 megatoneladas de carbono emitidas por incêndios. No mesmo período de 2025, o volume havia sido de 213 megatoneladas.

Na Ásia, as emissões também recuaram. O total caiu de 164 megatoneladas no primeiro semestre de 2025 para 113 megatoneladas em 2026.

Essas duas regiões têm peso importante no balanço global, especialmente por causa do uso recorrente do fogo em práticas agrícolas, limpeza de áreas e incêndios sazonais.

Por isso, reduções nesses continentes têm impacto direto no resultado mundial.

América do Sul teve leve queda

A América do Sul historicamente emite menos carbono por incêndios do que África e Ásia no primeiro semestre.

Mesmo assim, a região também registrou redução em 2026. As emissões passaram de 40,9 megatoneladas para 38,8 megatoneladas de carbono.

O recuo foi menor em termos absolutos, mas reforça a tendência global de queda observada no período.

Ainda assim, o continente teve episódios relevantes de fogo. O Copernicus destacou incêndios intensos na região de Biobío, no Chile, e na província de Chubut, na Patagônia argentina.

Esses casos mostram que o balanço global menor não significa ausência de impactos locais graves.

Austrália teve pico no início do ano

A atividade mais intensa de incêndio florestal observada no primeiro semestre ocorreu no estado de Victoria, no sudeste da Austrália.

Os focos mais relevantes foram registrados no início de janeiro, em um período marcado por temperaturas recordes.

Incêndios desse tipo podem gerar impactos imediatos sobre a qualidade do ar, a vegetação, a fauna, as comunidades próximas e a infraestrutura local.

Também contribuem para a emissão de carbono e de outros poluentes atmosféricos.

O caso australiano reforça uma leitura importante: a queda global no semestre não elimina a ocorrência de eventos extremos regionais.

El Niño mantém alerta para os próximos meses

O cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, Mark Parrington, afirmou que incêndios observados nas últimas semanas na Eurásia e na América do Norte exigem acompanhamento.

A preocupação aumenta diante das condições associadas ao El Niño, que podem intensificar secas sazonais e favorecer a propagação do fogo.

Parrington citou anos anteriores do fenômeno climático, como 2015 e 2019, quando a queima persistente de biomassa na Indonésia gerou neblina regional ampla e piorou a qualidade do ar.

O alerta é necessário porque o segundo semestre costuma concentrar períodos críticos de fogo em diferentes regiões do planeta.

Ou seja, o primeiro semestre trouxe um dado positivo. Mas não assinou atestado de tranquilidade climática para o restante do ano. Incêndio florestal não costuma respeitar retrospectiva bonita.

Satélites medem potência dos incêndios

O GFAS utiliza observações de satélites para estimar a potência radiativa dos incêndios, ou seja, a energia liberada pelos focos ativos.

A partir dessa informação, o sistema calcula emissões de carbono, gases do efeito estufa e outros poluentes liberados pela queima de vegetação.

Esses dados alimentam modelos de composição atmosférica e qualidade do ar do Copernicus.

O monitoramento também é integrado a informações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, o ECMWF.

Essa combinação permite acompanhar a evolução dos incêndios e estimar o transporte de fumaça e poluentes pela atmosfera.

Dado positivo exige leitura cuidadosa

O menor nível global em 24 anos indica uma redução importante nas emissões por incêndios no primeiro semestre.

Entretanto, o resultado não significa que o risco climático diminuiu de forma permanente.

A emissão por incêndios depende de chuva, seca, temperatura, uso do solo, práticas agrícolas, desmatamento, manejo do fogo e capacidade de resposta dos países.

Além disso, um semestre mais baixo pode ser seguido por uma temporada intensa em regiões específicas.

Por isso, o dado do Copernicus deve ser lido como sinal relevante, mas não como garantia de estabilidade.

A vigilância segue necessária, especialmente em áreas mais vulneráveis à seca, ao calor extremo e ao avanço de incêndios florestais.

Relacionadas, fontes e documentos:

39% dos brasileiros desconhecem economia circular (Fonte em Foco)
Inmet alerta para chuva no Norte e Nordeste (Fonte em Foco)
Inea interdita área de mineração ilegal em Maricá (Fonte em Foco)
ANSN apura incidente radiológico no Ipen (Fonte em Foco)
– Copernicus emissão global de gases por incêndios é a menor em 24 anos (Agência Brasil)

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