Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoMeio ambienteCOP30 acelera negociações com força-tarefa em Belém

COP30 acelera negociações com força-tarefa em Belém

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Congresso eleito terá maioria distante da pauta ambiental

Levantamento mostra maioria da próxima legislatura distante da pauta ambiental, com pior cenário no Senado e impacto sobre clima.

Prêmio reconhece pesquisas sobre economia e clima

Prêmio iCS-ANPEC reconhece pesquisas sobre impactos econômicos das mudanças climáticas no Brasil.

AdaptaSUS prepara a saúde para os impactos do El Niño

Plano do Ministério da Saúde organiza resposta do SUS aos impactos do El Niño 2026-2027 e das mudanças climáticas.

COP17 busca financiamento contra desertificação

COP17 entra em semana decisiva com foco em financiamento A...

Terras indígenas seguram desmatamento na Amazônia

Levantamento do Imazon mostra desmatamento zero em 60% das terras indígenas e menor índice da Amazônia em 11 anos.

El Niño pode ser um dos mais fortes desde 1950

El Niño tem 81% de chance de ficar muito forte até dezembro, segundo a NOAA. Entenda riscos climáticos e impactos possíveis.
Publicidade

A presidência da COP30 anunciou nesta segunda-feira (17) a criação de uma força-tarefa entre os negociadores internacionais para acelerar acordos e montar o chamado Pacote de Belém, um conjunto de decisões que deve orientar os próximos anos da agenda climática global. A estratégia divide o pacote em duas etapas: a primeira deve ser concluída e votada na quarta-feira (19) e a segunda na sexta (21), data oficial do encerramento da conferência.

A metodologia foi detalhada em carta enviada pelo presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, às delegações. Nesta segunda semana — quando ministros de vários países desembarcam em Belém com poder político para fechar textos — a pressão por resultados cresce na mesma velocidade da urgência climática.

“Trabalhemos lado a lado, em modo de força-tarefa, para implementar o Pacote de Belém com rapidez, equidade e respeito”, diz um trecho da carta. O documento também afirma que “o mundo observa não só o que decidimos, mas como decidimos”, sublinhando a necessidade de confiança e cooperação no processo.

A primeira leva de decisões inclui temas centrais da Conferência: Objetivo Global de Adaptação (GGA), transição justa, planos nacionais de adaptação, financiamento climático, mitigação, diretrizes ao Fundo Verde para o Clima, ao Fundo Global para o Meio Ambiente e ao Fundo de Perdas e Danos. Entram também o relatório do Fundo de Adaptação, o Programa de Implementação de Tecnologia e questões ligadas ao Artigo 13 do Acordo de Paris, que trata da transparência das ações climáticas.

Segundo a diretora do Departamento de Clima do MRE, Liliam Chagas, a meta é fechar esse primeiro bloco até quarta-feira à noite. “Mostraremos que o multilateralismo pode entregar resultados antes mesmo do prazo final”, afirmou.

Há ainda um segundo conjunto de quatro temas, conhecido como mutirão de Belém, que inclui pontos mais sensíveis: ampliação das metas climáticas (NDCs), aumento do financiamento público de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, medidas unilaterais de comércio — como a imposição de tarifas ambientais — e relatórios bienais de transparência. Esses assuntos devem ser negociados até o fim da conferência.

Ao todo, a Agenda de Ação da COP30 reúne cerca de 145 itens. Para dar conta da força-tarefa, a presidência pedirá à UNFCCC autorização para estender o horário de funcionamento da conferência “por tempo indeterminado”, permitindo que cada grupo avance no ritmo necessário.

Corrêa do Lago reforçou que a proposta nasceu das próprias delegações. “A ideia surgiu das conversas com as partes. Não foi algo imposto”, afirmou.

Organizações da sociedade civil viram o anúncio com otimismo cauteloso. Para o Greenpeace Brasil, o mutirão é sinal de avanço. Segundo a especialista Anna Cárcamo, estão na mesa temas como a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, a proteção de florestas e o aumento do financiamento para adaptação — possivelmente triplicado até 2030. Ela pondera, porém, que as versões mais ambiciosas ainda competem com opções mais fracas.

A avaliação da WWF segue a mesma linha. O líder global de Clima e Energia, Manuel Pulgar-Vidal, considerou o duplo pacote um sinal “encorajador”, mas destacou que será necessária “liderança política decisiva” para manter o mundo na trajetória de 1,5°C, limite estabelecido pelo Acordo de Paris.

Com o relógio avançando e a pressão internacional crescente, o Pacote de Belém se torna o teste definitivo da capacidade da COP30 — a primeira realizada na Amazônia — de entregar resultados concretos em tempo hábil.

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.