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Seca persiste em SP e ameaça abastecimento no primeiro trimestre

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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A chuva segue abaixo da média histórica em praticamente todas as estações da região metropolitana de São Paulo neste mês de janeiro e a tendência é nada animadora. Segundo dados meteorológicos, o cenário deve se manter ao longo de todo o primeiro trimestre do ano, com uma exceção pontual: o Mirante de Santana, na zona norte da capital, já superou a média mensal. Fora dali, São Pedro anda claramente em modo economia.

A explicação está longe de ser simples, mas o vilão tem nome conhecido. A dificuldade de avanço das frentes frias vindas do Sul e da umidade que normalmente chega pelo Oeste — da Amazônia e do Atlântico — está associada à alta anômala provocada pela persistência do fenômeno La Niña no Oceano Pacífico. Em resumo: a porta da chuva está trancada, e alguém perdeu a chave.

La Niña agrava cenário e seca já é extrema

A influência do La Niña, confirmada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), agrava ainda mais a condição de seca em todo o estado. Desde janeiro de 2024, São Paulo enfrenta seca severa ou extrema, com exceção do norte paulista, classificado como seca severa nos últimos 12 meses. As demais regiões seguem oficialmente em seca extrema.

O ano de 2025 já é considerado seco pelo Inmet. As chuvas do verão 2024–2025 simplesmente não deram conta de repor o estoque de água no solo. Resultado: o problema deixou de ser previsão e virou realidade.

“No primeiro trimestre teremos chuva abaixo da média em toda a região ao sul da mesorregião de Bauru, Itapetininga e região metropolitana”, afirmou o meteorologista Leydson Dantas, do Inmet. A boa notícia — se é que dá para chamar assim — é a possibilidade de melhora no segundo semestre, com o enfraquecimento do fenômeno, algo que o National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa) considera 75% provável.

Enquanto isso, o Sul do país deve enfrentar o oposto: chuvas concentradas e volumosas, especialmente no Rio Grande do Sul, além de Santa Catarina, litoral do Paraná, Argentina e Uruguai. Ou seja, o mapa da desigualdade climática segue firme.

Reservatórios em níveis críticos

Os impactos já são sentidos no curto prazo em todo o estado e, no longo prazo, nas regiões noroeste e leste, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Os números dos reservatórios não ajudam a aliviar o drama.

Na medição desta sexta-feira (16), o Sistema Integrado Metropolitano, monitorado pela Sabesp, operava com 27,7% da capacidade — praticamente o mesmo patamar de janeiro de 2016, quando São Paulo ainda se recuperava da histórica seca de 2015.

O Sistema Cantareira, responsável por mais de 40% do abastecimento da região metropolitana, está com apenas 19,39% do volume. O reservatório Jaguari-Jacareí, que concentra cerca de 85% do Cantareira, opera com 16,89%. Números que dispensam adjetivos.

Medidas emergenciais e corte noturno

Para enfrentar a crise, a Sabesp ampliou a captação no Sistema Alto Tietê, incorporando água do Rio Itapanhaú, além de investir na modernização de equipamentos e na redução de perdas. Desde agosto de 2025, o abastecimento noturno vem sendo reduzido ou interrompido em diversas regiões.

Ainda assim, a própria companhia reconhece a gravidade. Em nota, afirmou que a região vive uma situação “historicamente desafiadora”. A disponibilidade hídrica per capita é de 149 m³ por habitante ao ano, patamar comparável ao de regiões semiáridas e muito abaixo do recomendado internacionalmente.

Segundo a Sabesp, 2025 registrou uma das piores estiagens da última década, com índices de chuva entre 40% e 70% abaixo da média. Some-se a isso os efeitos das mudanças climáticas, com chuvas irregulares, ondas de calor frequentes e demanda elevada, e o coquetel está servido.

Situação nacional também preocupa

O Monitor de Secas da ANA, com dados consolidados de dezembro, mostra piora no Nordeste, no norte de Minas Gerais e em Goiás, além da manutenção de condições severas no norte, centro e noroeste de São Paulo e no sul de Minas.

No Nordeste, houve avanço da seca extrema (S3) em partes do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia, enquanto outras áreas oscilaram entre melhora pontual e agravamento. No Sudeste, cresceram as áreas com seca moderada (S1) e grave (S2) em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Já as regiões Sul e Norte apresentaram melhora em grande parte do território, ainda que com avanços pontuais de seca fraca. O Brasil, definitivamente, segue em desequilíbrio climático.

Arsesp reforça alerta e pede uso consciente

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que acompanha de forma contínua a situação dos reservatórios. Atualmente, o Sistema Integrado Metropolitano está na Faixa 3 de Atuação, com 27,74% de reservação.

Caso o sistema entre na Faixa 4, novas medidas serão adotadas, incluindo a ampliação da Gestão de Demanda Noturna (GDN). Desde sua implantação, em agosto de 2025, a GDN já permitiu a economia de 70,29 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer 12,33 milhões de pessoas por um mês.

A Arsesp reforça a importância do uso consciente da água. Pequenas atitudes fazem diferença. Não salvam o sistema sozinhas, mas ajudam a evitar que o pior cenário bata à porta — e, desta vez, sem aviso.

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