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Festival SESI reúne jovens e mira mundial de robótica

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

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Festival SESI transforma robótica em vitrine de educação e futuro

Começou nesta sexta-feira (6), em São Paulo, o Festival SESI de Educação 2026, uma das principais competições estudantis de robótica da América Latina. O evento reúne cerca de 2,3 mil estudantes de 9 a 19 anos, de escolas públicas e privadas de várias regiões do país, no pavilhão da Fundação Bienal, no Parque Ibirapuera. A programação segue até domingo (8), com entrada gratuita, e definirá 13 equipes brasileiras para a etapa mundial da FIRST, marcada para 29 de abril a 2 de maio, em Houston, nos Estados Unidos.

Competição vai além do robô e cobra projeto, fala e trabalho em equipe

O festival reúne quatro modalidades, com projetos que vão de miniaturas de carros de Fórmula 1 a robôs de mais de 50 quilos, todos ligados ao tema deste ano: Arqueologia. A proposta do torneio não se limita à montagem de máquinas. Os estudantes também precisam demonstrar capacidade de resolver problemas, trabalhar em grupo, captar recursos, dominar fundamentos técnicos e apresentar publicamente suas ideias, num exercício que mistura ciência, comunicação e formação cidadã.

Segundo o SESI, desde o início das competições da FIRST no Brasil, em 2012, mais de 45 mil estudantes já participaram dos torneios, com mais de 110 prêmios internacionais conquistados apenas na modalidade iniciante. O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, defende que o objetivo central é fortalecer o chamado letramento tecnológico, aproximando os jovens de uma educação mais alinhada ao século 21.

Educação tecnológica aparece sem guerra contra humanas e artes

Esse talvez seja o ponto mais interessante do festival: a robótica aparece aqui não como culto à máquina, mas como ferramenta de aprendizagem mais ampla. A lógica do evento, segundo os organizadores, é romper a falsa oposição entre as chamadas ciências duras e áreas como humanidades e artes. Em outras palavras, não se trata apenas de ensinar um estudante a programar um robô, mas de ensiná-lo a pensar, argumentar, cooperar e transformar conhecimento em solução concreta.

Fausto Augusto Junior também afirmou à Agência Brasil que muitos grupos mantêm continuidade ao longo dos anos, criando uma espécie de trilha formativa dentro das equipes, em que veteranos passam a orientar os mais novos. A chamada Festa da Amizade, realizada antes da abertura ao público, reforça justamente esse aspecto de convivência, intercâmbio e formação coletiva.

JurunaBots leva ao festival memória indígena, tecnologia e disputa por narrativa

Entre os destaques desta edição está a equipe JurunaBots, da Escola Francisca de Oliveira Lemos Juruna, de Vitória do Xingu (PA). Liderados pelo educador Fernando Juruna, os estudantes apresentaram a plataforma Museu Vivo Itinerante do Xingu, um aplicativo voltado à difusão de artefatos e referências culturais do povo Juruna, com uso de realidade aumentada e expressões da língua juruna.

O projeto parte de uma leitura mais ampla de arqueologia, associando o tema não apenas a objetos, mas também à oralidade, à memória e à identidade cultural. A equipe levanta discussões sobre apropriação cultural, apagamento histórico e a retirada de objetos de seus territórios de origem. O caso do manto tupinambá, devolvido ao Brasil em 2024 após séculos fora do país, aparece como referência simbólica desse debate.

Quando a robótica deixa de ser vitrine e vira projeto de país

Há algo de profundamente relevante nesse festival que vai muito além da competição. O Brasil costuma falar em inovação como quem descreve um desejo distante, quase decorativo. Mas eventos como este mostram que a base de qualquer salto tecnológico começa muito antes do laboratório de ponta ou da indústria avançada. Começa na escola. Começa quando crianças e adolescentes aprendem que tecnologia não é só consumo de tela, mas linguagem, método, criação e autonomia.

E aqui está o detalhe que realmente importa: robótica educacional não é luxo pedagógico. É estratégia de formação. Países que pretendem disputar espaço em ciência, indústria e inovação não começam esse processo na pós-graduação, quando o atraso já virou rotina. Começam cedo, com ambiente escolar, cultura de projeto e repertório técnico.

O desafio continua sendo acesso, escala e permanência

O próprio SESI reconhece que a viabilidade de muitos projetos depende de apoio de prefeituras, governos estaduais e parcerias institucionais, sobretudo para estudantes da rede pública. Esse ponto é decisivo. Porque não basta celebrar equipes brilhantes em um grande evento nacional se o acesso à educação tecnológica continuar concentrado. Robótica de alto nível não pode ser privilégio eventual de quem teve a sorte de encontrar estrutura.

O festival, portanto, entrega mais do que medalhas e vagas para Houston. Ele expõe uma pergunta incômoda e necessária: o Brasil quer mesmo formar jovens para produzir tecnologia ou ainda está satisfeito em apenas aplaudir quem consegue chegar lá apesar do sistema? A resposta séria não estará no palco da premiação. Estará na capacidade de transformar experiências como essa em política educacional contínua, ampla e menos desigual.

Fontes e documentos:
Festival SESI de Educação leva campeonato de robótica para São Paulo (Agência Brasil)
– Está chegando o Festival SESI de Educação 2026 (SESI)
– Festival SESI de Robótica 2026 (Portal da Indústria)
– Regional Brazil – Festival SESI de Educação 2026 Event Information (FIRST)

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