Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoEducaçãoFestival SESI reúne jovens e mira mundial de robótica

Festival SESI reúne jovens e mira mundial de robótica

Publicado em

Reportagem:
Repórter: Janaina Lemos

Cobertura relacionada

Festa de Nossa Senhora Aparecida reúne fiéis na Esplanada

Esplanada dos Ministérios recebeu celebração de Nossa Senhora Aparecida com oração, corrida, atividades infantis, missa solene, procissão luminosa e show de Frei Gilson.

Jornalistas sofreram 14 mil ataques nas eleições

Levantamento identificou mais de 14 mil ataques contra jornalistas e veículos no X e Instagram durante o primeiro turno das Eleições 2026.

Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026

Boletim Focus mostra quarta alta seguida na projeção do IPCA de 2026, manutenção do PIB em 1,85% e queda da estimativa da Selic.

Agências do Trabalhador têm 751 vagas nesta quarta-feira 14/10

DF tem 751 vagas nas Agências do Trabalhador nesta quarta-feira 14/10, com destaque para oportunidades no Guará.

Anvisa aprova novo medicamento para lúpus

Gazya, à base de obinutuzumabe, ganha nova indicação para adultos com lúpus ativo moderado a grave.

Afogamentos no Lago Paranoá reacendem alerta sobre segurança

Mortes no Lago Paranoá expõem riscos de banho, esportes náuticos e navegação, com orientações de prevenção e segurança.
Publicidade

Festival SESI transforma robótica em vitrine de educação e futuro

Começou nesta sexta-feira (6), em São Paulo, o Festival SESI de Educação 2026, uma das principais competições estudantis de robótica da América Latina. O evento reúne cerca de 2,3 mil estudantes de 9 a 19 anos, de escolas públicas e privadas de várias regiões do país, no pavilhão da Fundação Bienal, no Parque Ibirapuera. A programação segue até domingo (8), com entrada gratuita, e definirá 13 equipes brasileiras para a etapa mundial da FIRST, marcada para 29 de abril a 2 de maio, em Houston, nos Estados Unidos.

Competição vai além do robô e cobra projeto, fala e trabalho em equipe

O festival reúne quatro modalidades, com projetos que vão de miniaturas de carros de Fórmula 1 a robôs de mais de 50 quilos, todos ligados ao tema deste ano: Arqueologia. A proposta do torneio não se limita à montagem de máquinas. Os estudantes também precisam demonstrar capacidade de resolver problemas, trabalhar em grupo, captar recursos, dominar fundamentos técnicos e apresentar publicamente suas ideias, num exercício que mistura ciência, comunicação e formação cidadã.

Segundo o SESI, desde o início das competições da FIRST no Brasil, em 2012, mais de 45 mil estudantes já participaram dos torneios, com mais de 110 prêmios internacionais conquistados apenas na modalidade iniciante. O presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Junior, defende que o objetivo central é fortalecer o chamado letramento tecnológico, aproximando os jovens de uma educação mais alinhada ao século 21.

Educação tecnológica aparece sem guerra contra humanas e artes

Esse talvez seja o ponto mais interessante do festival: a robótica aparece aqui não como culto à máquina, mas como ferramenta de aprendizagem mais ampla. A lógica do evento, segundo os organizadores, é romper a falsa oposição entre as chamadas ciências duras e áreas como humanidades e artes. Em outras palavras, não se trata apenas de ensinar um estudante a programar um robô, mas de ensiná-lo a pensar, argumentar, cooperar e transformar conhecimento em solução concreta.

Fausto Augusto Junior também afirmou à Agência Brasil que muitos grupos mantêm continuidade ao longo dos anos, criando uma espécie de trilha formativa dentro das equipes, em que veteranos passam a orientar os mais novos. A chamada Festa da Amizade, realizada antes da abertura ao público, reforça justamente esse aspecto de convivência, intercâmbio e formação coletiva.

JurunaBots leva ao festival memória indígena, tecnologia e disputa por narrativa

Entre os destaques desta edição está a equipe JurunaBots, da Escola Francisca de Oliveira Lemos Juruna, de Vitória do Xingu (PA). Liderados pelo educador Fernando Juruna, os estudantes apresentaram a plataforma Museu Vivo Itinerante do Xingu, um aplicativo voltado à difusão de artefatos e referências culturais do povo Juruna, com uso de realidade aumentada e expressões da língua juruna.

O projeto parte de uma leitura mais ampla de arqueologia, associando o tema não apenas a objetos, mas também à oralidade, à memória e à identidade cultural. A equipe levanta discussões sobre apropriação cultural, apagamento histórico e a retirada de objetos de seus territórios de origem. O caso do manto tupinambá, devolvido ao Brasil em 2024 após séculos fora do país, aparece como referência simbólica desse debate.

Quando a robótica deixa de ser vitrine e vira projeto de país

Há algo de profundamente relevante nesse festival que vai muito além da competição. O Brasil costuma falar em inovação como quem descreve um desejo distante, quase decorativo. Mas eventos como este mostram que a base de qualquer salto tecnológico começa muito antes do laboratório de ponta ou da indústria avançada. Começa na escola. Começa quando crianças e adolescentes aprendem que tecnologia não é só consumo de tela, mas linguagem, método, criação e autonomia.

E aqui está o detalhe que realmente importa: robótica educacional não é luxo pedagógico. É estratégia de formação. Países que pretendem disputar espaço em ciência, indústria e inovação não começam esse processo na pós-graduação, quando o atraso já virou rotina. Começam cedo, com ambiente escolar, cultura de projeto e repertório técnico.

O desafio continua sendo acesso, escala e permanência

O próprio SESI reconhece que a viabilidade de muitos projetos depende de apoio de prefeituras, governos estaduais e parcerias institucionais, sobretudo para estudantes da rede pública. Esse ponto é decisivo. Porque não basta celebrar equipes brilhantes em um grande evento nacional se o acesso à educação tecnológica continuar concentrado. Robótica de alto nível não pode ser privilégio eventual de quem teve a sorte de encontrar estrutura.

O festival, portanto, entrega mais do que medalhas e vagas para Houston. Ele expõe uma pergunta incômoda e necessária: o Brasil quer mesmo formar jovens para produzir tecnologia ou ainda está satisfeito em apenas aplaudir quem consegue chegar lá apesar do sistema? A resposta séria não estará no palco da premiação. Estará na capacidade de transformar experiências como essa em política educacional contínua, ampla e menos desigual.

Fontes e documentos:
– Festival SESI de Educação leva campeonato de robótica para São Paulo (Agência Brasil)
– Está chegando o Festival SESI de Educação 2026 (SESI)
– Festival SESI de Robótica 2026 (Portal da Indústria)
– Regional Brazil – Festival SESI de Educação 2026 Event Information (FIRST)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.