Enredo une Amapá e Mangueira em desfile afro-indígena
A Estação Primeira de Mangueira aposta alto em 2026 ao levar para a Sapucaí o enredo Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra. A proposta, já sugerida no espírito do samba-enredo apresentado pela escola, mira uma ponte simbólica entre Norte e Sudeste, com o Amapá no centro da narrativa.
Eu digo sem rodeio: é um acerto político-cultural. O carnaval, quando escolhe “quem” contar, também escolhe “quem” o Brasil insiste em não ver.
Quem foi Mestre Sacaca e por que ele virou enredo
O carnavalesco Sidnei França conta que não conhecia Mestre Sacaca e que a curiosidade levou a equipe ao Amapá para pesquisar a figura do homenageado. Na leitura da escola, Sacaca foi um curador popular ligado à cultura afro-indígena, com forte presença social, sobretudo entre a população preta e pobre.
Fontes do próprio Amapá registram Sacaca como referência pelo conhecimento de ervas medicinais e pelo papel cultural que exerceu em Macapá, com reconhecimento que atravessou gerações.
“Encantos tucujus”: cinco setores para contar a saga
Segundo a apuração da Agência Brasil, o enredo foi organizado em cinco setores, cada um associado a um “encanto tucuju” para narrar a trajetória e o universo cultural de Sacaca:
O encanto da floresta (com recorte do extremo norte, na região do Oiapoque), o encanto dos rios (com ribeirinhos, indígenas e quilombos), o encanto da cura (ervas, chás e garrafadas), o encanto dos tambores (marabaixo e tradições locais) e o encanto da natureza eterna, quando Sacaca e o Amapá se confundem numa ideia de continuidade.
A palavra “tucuju” aparece como identidade afetiva do Amapá, o que a Mangueira transforma em eixo de pertencimento no desfile.
Intérprete “cria” e bastidor com cara de comunidade
Outro ponto relevante é o simbolismo interno. A escola destaca a valorização de quem vem da comunidade, e o intérprete Dowglas Diniz aparece como esse elo, assumindo protagonismo na condução do samba-enredo. A própria Mangueira vem destacando a presença dele à frente do carro de som.
Quando a Mangueira desfila e qual é a ordem do Grupo Especial
A Liesa confirma a ordem do Grupo Especial em 2026. No domingo (15/2), desfilam Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Na segunda (16/2), vêm Mocidade Independente, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca. Na terça (17/2), entram Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro.
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