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Acolhe DF amplia abordagens, mas desafio segue alto

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Programa amplia acolhimento, porém ainda alcança parcela limitada da rua no DF

A reestruturação do Acolhe DF reforçou a política pública de abordagem a pessoas em situação de rua no Distrito Federal e ampliou os encaminhamentos para tratamento da dependência química. Desde julho de 2025, o programa, coordenado pela Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus-DF), realizou 500 abordagens, e 190 pessoas aceitaram seguir para unidades terapêuticas conveniadas e fiscalizadas pelo GDF. Na prática, o avanço existe, mas o próprio tamanho do problema impõe cautela: o governo afirma que cerca de 3.500 pessoas vivem hoje em situação de rua no DF.

Encaminhamentos cresceram, mas a escala do problema continua maior

A nova fase do programa foi formalizada pelo Decreto nº 47.423, de julho de 2025, que instituiu o Acolhe DF como política de busca ativa para acolhimento e reinserção social de pessoas com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. A Sejus sustenta que o redesenho fortaleceu a integração entre órgãos do governo e ampliou a escuta qualificada, os encaminhamentos e o acompanhamento continuado.

Os números mais recentes mostram crescimento em relação ao estágio inicial da política. Em agosto de 2025, o governo informava mais de 300 abordagens e cerca de 50 encaminhamentos para comunidades terapêuticas. Agora, o balanço oficial fala em 500 abordagens e 190 adesões ao tratamento, sinal de que o programa ganhou tração operacional nos últimos meses.

Ainda assim, o dado mais importante para o leitor não é apenas o volume bruto de abordagens, mas a distância entre a capacidade de resposta e a dimensão da vulnerabilidade nas ruas. Se o DF estima cerca de 3.500 pessoas nessa condição, o programa avançou em presença institucional, porém ainda opera sobre uma fração do universo afetado. Em política pública, isso tem nome menos glamouroso e mais honesto: houve expansão, mas não há escala suficiente para vender solução pronta.

Plano Piloto virou vitrine da estratégia com moradores e tenda itinerante

Além da busca ativa, a Sejus passou a investir em reuniões com moradores das regiões administrativas, sobretudo no Plano Piloto, área apontada pelo governo como a que concentra a maior parte da população em situação de rua. Segundo o órgão, mais de 100 moradores já participaram desses encontros, que incluem tenda itinerante, orientação à comunidade e novas abordagens sociais em pontos próximos às quadras atendidas.

O governo tenta, com isso, atacar duas frentes ao mesmo tempo: oferecer atendimento à população vulnerável e reduzir a tensão cotidiana entre moradores, síndicos e pessoas que vivem nas ruas. É uma escolha administrativa compreensível, porque a política para essa área costuma fracassar quando se limita a um dos polos do conflito urbano e ignora o outro. A escuta comunitária melhora transparência e fluxo de informação, mas só se sustenta como estratégia séria quando vier acompanhada de continuidade, equipes treinadas e vagas reais de acolhimento.

Busca ativa esbarra em limite legal e exige adesão voluntária

O subsecretário Diego Moreno, da Subsecretaria de Enfrentamento às Drogas, afirma que muitas pessoas em situação de rua enfrentam dependência química e, por isso, exigem abordagem especializada e repetida. Segundo ele, quando a oferta de tratamento é recusada no primeiro contato, as equipes retornam ao local para novas tentativas de acolhimento.

Esse ponto é central porque separa política pública de voluntarismo punitivo. A própria Sejus afirma que o trabalho não se baseia em retirada involuntária das ruas, mas em escuta, acolhimento e oferta contínua de serviços. No plano jurídico, a legislação federal prevê hipóteses específicas de internação involuntária para dependência química, com requisitos e controles formais, mas isso não equivale a autorizar uma política genérica de recolhimento forçado de pessoas em situação de rua. Entre o desejo de “resolver rápido” e o que a lei permite, o Estado precisa operar com método, não com atalho.

Quando o avanço estatístico ainda não virou virada estrutural

O Acolhe DF melhorou indicadores operacionais e mostra um governo mais organizado do que no estágio inicial da política. O aumento dos encaminhamentos, a articulação com saúde, assistência social e segurança pública e a criação de canais de diálogo com moradores indicam uma tentativa de estruturar uma resposta mais contínua. Isso importa, porque população em situação de rua não se enfrenta com ação esporádica, nota oficial ou coreografia administrativa de ocasião.

Mas o teste real começa agora. O DF terá de demonstrar capacidade de transformar abordagem em permanência no cuidado, tratamento em reinserção e acolhimento em autonomia concreta. Sem monitoramento de resultados, ampliação da rede e coordenação persistente entre políticas de saúde, assistência, moradia e trabalho, o risco é conhecido: multiplicam-se abordagens, somam-se números e a rua continua devolvendo a mesma tragédia social no dia seguinte.

Fontes e documentos:
Acolhe DF já realizou 500 abordagens a pessoas em situação de rua no Distrito Federal, desde julho de 2025 (Sejus-DF)
– Decreto 47.423 de 08/07/2025 (SINJ-DF)
– Acolhe DF amplia atuação no Plano Piloto com reuniões comunitárias e tenda itinerante de atendimento (Agência Brasília)
– Acolhe DF encaminha pessoas em situação de rua para comunidades terapêuticas e abre caminho para novas histórias (Agência Brasília)
– Lei 13.840 de 2019 (Planalto)

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