Condecoração da SSP-DF reforça rede de combate à violência contra a mulher
O Governo do Distrito Federal realizou nesta terça-feira, 10 de março, a solenidade de outorga da Medalha Mulher Mais Segura, honraria da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) criada para reconhecer ações e serviços de destaque no combate à violência contra a mulher e à violência doméstica e familiar. Nesta edição, cerca de 500 pessoas foram homenageadas por atuação ou contribuição relevante no enfrentamento desse tipo de crime no Distrito Federal.
A cerimônia integra o eixo Mulher Mais Segura, um dos braços do programa DF Mais Seguro — Segurança Integral, estruturado para reunir medidas preventivas, tecnológicas e institucionais voltadas à proteção das mulheres. A própria SSP-DF já havia apresentado a medalha, em 2024, como instrumento de reconhecimento público destinado a incentivar práticas de proteção e defesa das mulheres.
Celina Leão e Sandro Avelar vinculam homenagem a mudança de atendimento
Na solenidade, a vice-governadora Celina Leão afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher começa, muitas vezes, no primeiro contato com as forças de segurança. Segundo ela, esse atendimento precisa ser marcado por acolhimento, escuta e compreensão, e não por revitimização. A declaração foi associada ao curso Ressignificar, apontado pelo governo como parte da formação das forças de segurança para qualificar o atendimento às vítimas.
O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, sustentou que o Estado vem combinando políticas de prevenção e repressão, mas argumentou que isso, sozinho, não basta para conter a violência de gênero. A fala tenta posicionar a medalha não apenas como gesto cerimonial, mas como peça simbólica de uma política que busca engajamento social e mudança cultural mais ampla.
Condecoração mistura reconhecimento institucional e mobilização social
Entre as homenageadas estão a capitã da PMDF Thalita Santos, que atua na comunicação organizacional da corporação e desenvolve pesquisa de mestrado sobre políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica dentro da Polícia Militar, e Flávia Portela, ligada há mais de duas décadas a iniciativas de segurança comunitária e prevenção na sociedade civil. O governo apresentou a escolha de nomes com perfis distintos como forma de reforçar que o combate à violência contra a mulher não depende apenas de estruturas policiais, mas também de articulação com organizações e lideranças civis.
Esse recorte ajuda a explicar a lógica política da medalha. Ao homenagear agentes públicos e representantes da sociedade civil, o GDF tenta comunicar que a rede de proteção não se limita à repressão criminal. Ela inclui acolhimento, prevenção, vínculo comunitário e capacidade institucional de resposta. No papel, o desenho é correto. O desafio, como sempre, é fazer a cooperação sair do evento e permanecer na rotina do serviço público.
Medalha nasce em meio à ampliação de políticas para mulheres no DF
A Medalha Mulher Mais Segura foi instituída em setembro de 2024 e apresentada pela Agência Brasília como honraria permanente da SSP-DF para reconhecer ações meritórias e serviços de excelência no combate à violência contra a mulher. Na época da criação, o governo também detalhou critérios para concessão da comenda, incluindo exigência de atuação na proteção e defesa de mulheres em situação de violência e ausência de condenação por violência doméstica ou outros atos dessa natureza.
A entrega ocorre em um contexto de expansão da rede distrital de atendimento. O governo tem associado essa agenda a iniciativas como a Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia, os programas de acolhimento e acompanhamento a vítimas e os Espaços PROMulher, voltados à capacitação e autonomia econômica. Em março de 2025, a própria Agência Brasília informou que a ampliação da rede de proteção contra a violência doméstica era uma das prioridades da Secretaria da Mulher.
Premiação reconhece esforços, mas proteção real se mede fora do palco
A medalha tem peso institucional e valor simbólico. Reconhecer quem atua no enfrentamento à violência contra a mulher ajuda a dar visibilidade a uma pauta que ainda esbarra em subnotificação, medo, dependência econômica e falhas de atendimento. Também cria incentivo político para que órgãos públicos tratem o tema com prioridade menos ornamental e mais operacional.
Mas convém evitar o conforto fácil da solenidade. Condecoração é reconhecimento, não prova definitiva de eficácia. A régua séria está na capacidade do Estado de reduzir revitimização, ampliar proteção, garantir resposta rápida e sustentar políticas permanentes para além do calendário oficial. Em violência de gênero, discurso correto ajuda; rede funcionando é o que salva.
Fontes e documentos:
– GDF homenageia 500 pessoas com a Medalha Mulher Mais Segura (Agência Brasília)
– Segurança Pública institui Medalha Mulher Mais Segura (Agência Brasília)
– Proteção das mulheres com rede integrada de acolhimento, prevenção e resposta rápida é prioridade para o GDF (Agência Brasília)
– Investimento em políticas públicas para as mulheres cresceu 743% nos últimos quatro anos no DF (Agência Brasília)
– Plano Estratégico SSP 2023-2025 com eixo Mulher Mais Segura (SSP-DF)

