Doença renal ganha status prioritário e reforça urgência do diagnóstico precoce
A doença renal crônica (DRC) passou a ocupar um novo patamar na agenda internacional de saúde depois que a Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2025, aprovou resolução para tratar a doença renal como uma condição de prioridade crescente entre as doenças crônicas não transmissíveis. Na prática, o movimento aproxima o tema do núcleo mais estratégico das políticas globais de prevenção e cuidado, ao lado de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas.
No Dia Mundial do Rim, lembrado nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) afirma que o reconhecimento amplia a visibilidade da DRC e reforça a necessidade de investir em educação em saúde, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A entidade também escolheu, para a campanha deste ano, um tema que liga saúde renal e sustentabilidade, com atenção aos fatores ambientais que podem aumentar o risco de doença ao longo da vida.
Resolução da OMS muda o peso político da doença renal
A resolução aprovada pela OMS pede aos países que integrem o cuidado renal às estratégias nacionais de saúde, ampliem ações de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento e fortaleçam a atenção primária. O texto também solicita apoio técnico para políticas públicas voltadas à prevenção e ao manejo da doença renal, com foco em cobertura universal e resposta coordenada. Não é um detalhe burocrático: quando uma pauta entra nesse nível da governança global, ela deixa de ser tema periférico e passa a disputar orçamento, prioridade e execução.
No material da campanha de 2026, a SBN sustenta que a discussão sobre sustentabilidade não se limita ao funcionamento dos serviços de saúde. Segundo a entidade, ela envolve também a redução de exposições evitáveis, a prevenção qualificada desde os primeiros estágios da vida e práticas mais responsáveis no cuidado renal.
Doença renal costuma avançar em silêncio
A maior dificuldade no enfrentamento da DRC é justamente seu comportamento silencioso. Com informações da SBN e do nefrologista Geraldo Freitas, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), destaca que muitos pacientes chegam ao consultório já com perda importante da função renal, o que reduz a margem para intervenção precoce.
Os rins exercem funções essenciais no organismo: filtram o sangue, eliminam toxinas pela urina, ajudam a manter o equilíbrio de eletrólitos como sódio, potássio e cálcio e participam do controle da pressão arterial por meio da produção hormonal. Quando essa engrenagem falha, o impacto não fica restrito ao sistema urinário; ele se espalha pelo metabolismo inteiro.
Fatores de risco exigem vigilância contínua
Entre os principais fatores de risco para doença renal aparecem diabetes, hipertensão arterial, histórico familiar, obesidade, sedentarismo, tabagismo, doenças cardiovasculares, infecções urinárias recorrentes, obstrução urinária, desidratação frequente e o uso crônico ou inadequado de medicamentos nefrotóxicos, especialmente anti-inflamatórios não esteroidais.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a prevenção depende menos de uma medida isolada e mais de acompanhamento clínico regular, controle das doenças de base e revisão de hábitos. Em saúde renal, insistir em ignorar sinais e fatores de risco costuma ser um plano ruim com aparência de rotina normal.
Exames simples podem antecipar o problema
Segundo o especialista, o rastreio inicial da função renal pode ser feito com exames básicos, como creatinina, exame de urina e pesquisa de albuminúria. A aferição da pressão arterial e exames de glicemia, incluindo hemoglobina glicada, também são importantes para identificar condições que elevam o risco de lesão renal, como o diabetes.
Os sinais de alerta que merecem atenção incluem inchaço nas pernas, tornozelos ou rosto, urina escura ou espumosa, mudança súbita no padrão urinário, mais volume urinário à noite, dor intensa no flanco, fadiga excessiva, náuseas e vômitos persistentes, pressão alta de difícil controle, glicemias descompensadas e até confusão mental ou falta de ar súbita em quadros mais graves.
Campanha de 2026 conecta cuidado renal e planeta
A campanha do Dia Mundial do Rim 2026 completa 20 anos da iniciativa global e, no Brasil, é coordenada pela SBN com o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”. A entidade argumenta que a discussão ambiental deve entrar na agenda nefrológica porque fatores climáticos, condições de exposição e a própria sustentabilidade dos serviços influenciam o risco e o cuidado das doenças renais.
O recado central da campanha é direto: falar de rim não é falar apenas de diálise ou tratamento avançado. É falar de prevenção, rastreio, acesso, ambiente, política pública e cuidado continuado. E, nesse campo, diagnóstico tardio continua sendo um luxo que o sistema de saúde paga caro — e o paciente paga mais ainda.
Fontes e documentos:
– Dia Mundial do Rim: doenças renais são silenciosas e exigem atenção (Agência Brasil)
– Reducing the burden of noncommunicable diseases through promotion of kidney health and strengthening prevention and control of kidney disease (OMS)
– Seventy-eighth World Health Assembly concludes: historic outcomes, consequential highlights (OMS)
– Dia Mundial do Rim – 2026 (Sociedade Brasileira de Nefrologia)
– HC-UFU/Ebserh realiza evento no Dia Mundial do Rim (Ebserh)

