Histórias de saúde e gratidão revelam força da escuta pública no DF
A rede de ouvidorias do Governo do Distrito Federal ganhou neste 16 de março, data em que se celebra o Dia da Ouvidoria, uma vitrine poderosa do seu papel além da burocracia. Relato oficial divulgado nesta segunda-feira mostra como o canal ajudou a dar continuidade ao acesso de uma criança com fibrose cística a medicamento de alto custo fornecido pela rede pública, ao mesmo tempo em que viabilizou o reencontro emocionante entre um ex-aluno e uma professora aposentada. Em comum, os dois casos reforçam a mesma mensagem: quando a escuta pública funciona, o Estado deixa de ser protocolo frio e passa a produzir resposta concreta.
Rede de ouvidorias ajudou família a enfrentar o medo de interrupção no tratamento
Um dos episódios destacados envolve Wanderson Nogueira Santos, servidor da Procuradoria-Geral do DF e pai de Maria Heloísa, de 8 anos, diagnosticada com fibrose cística, doença genética crônica que afeta principalmente pulmões e pâncreas e exige tratamento contínuo. Segundo o Ministério da Saúde, a enfermidade provoca produção de muco espesso, favorece infecções respiratórias recorrentes e pode comprometer também o sistema digestivo.
De acordo com o relato institucional, a qualidade de vida da menina melhorou muito com um medicamento importado e de alto custo distribuído gratuitamente pela Secretaria de Saúde do DF. O problema surgia quando havia atraso no fornecimento. Nessas horas, a família recorria à ouvidoria do GDF para registrar a demanda e buscar regularização do acesso. Wanderson afirma que a experiência sempre foi positiva e destaca que, mesmo quando a resposta não resolve tudo de imediato, existe a segurança de saber que há alguém do outro lado acompanhando o caso.
O controlador-geral do DF, Daniel Lima, afirmou que a história mostra como a escuta qualificada pode impactar diretamente a vida das famílias, ao dar transparência ao processo e ajudar a agilizar soluções. A ouvidora-geral do DF, Daniela Pacheco, reforçou que cada manifestação recebida carrega um conflito, uma necessidade ou uma urgência concreta, e que o papel da ouvidoria vai além do trâmite formal.
Reencontro entre ex-aluno e professora expôs outro lado da escuta institucional
O segundo caso apresentado pela rede de ouvidorias tem natureza diferente, mas peso humano semelhante. Um ex-aluno, Bruno José Santos, enviou mensagem para agradecer à professora Valeni Valéria Marçal de Aguiar, que lecionava na Escola Classe 45 de Taguatinga quando os dois se conheceram. Segundo o relato, Bruno enfrentava dificuldades e chegou a ser ridicularizado por colegas, mas encontrou na professora acolhimento, respeito e confiança. Décadas depois, a equipe da ouvidoria da Secretaria de Educação do DF decidiu transformar a mensagem em um reencontro entre os dois.
A ouvidora Evelyne Queiroz afirmou que a ouvidoria não existe apenas para receber o que dá errado, mas também para impedir que histórias e pessoas sejam apagadas pelo sistema. Já a professora, hoje aposentada, disse ter ficado emocionada com o reconhecimento depois de 31 anos de atuação em escolas públicas. O episódio ajuda a mostrar que o canal também funciona como espaço de memória, reconhecimento e recomposição de vínculos sociais.
Como acessar a Ouvidoria do GDF
O acesso às ouvidorias do GDF pode ser feito pelo portal Participa DF, pelo telefone 162 ou presencialmente. No atendimento telefônico, o funcionamento informado pelo governo é de segunda a sexta, das 7h às 21h, e aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h, com ligação gratuita para fixo e celular. Segundo o portal oficial, o sistema reúne serviços de ouvidoria, transparência e acesso à informação.
Quando o cidadão é ouvido e deixa de ser só mais um protocolo
O mérito dessa pauta está em mostrar algo que o poder público raramente consegue comunicar bem: ouvidoria não deveria ser vista apenas como balcão de reclamação. Quando funciona, ela é mecanismo de correção de rota, instrumento de pressão legítima por resposta e, em alguns casos, literalmente ponte entre vulnerabilidade e dignidade.
No caso da família de Maria Heloísa, isso aparece com nitidez. Não se está falando de atraso trivial ou desconforto administrativo. Está em jogo a continuidade de um tratamento sensível, de alto custo e decisivo para a qualidade de vida de uma criança. Já no reencontro entre ex-aluno e professora, a escuta pública revela um outro traço importante: o Estado também pode reconhecer, acolher e devolver humanidade a histórias que normalmente se perderiam no ruído burocrático.
Fontes e documentos:
– De reencontros a serviços essenciais: Ouvidoria do DF transforma vidas com escuta ativa (Agência Brasília)
– Fibrose Cística (Ministério da Saúde)
– Participa DF (Governo do Distrito Federal)

