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Feiras do DF ganham sinal verde para abrir à noite

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Novo horário será facultativo e dependerá das administrações regionais

As feiras permanentes do Distrito Federal poderão ter funcionamento estendido até as 22h. A mudança está prevista em portaria publicada no Diário Oficial do Distrito Federal desta terça-feira, 2 de junho de 2026, e atende a uma demanda apresentada por feirantes ao Governo do Distrito Federal.

A ampliação não será automática para todas as unidades. O horário estendido será facultativo e dependerá de definição das administrações regionais, responsáveis por supervisionar e fiscalizar a organização e o funcionamento das feiras, respeitando o regimento interno de cada espaço.

A medida alcança um setor de grande presença econômica e comunitária no DF. Atualmente, são 38 feiras permanentes e três shoppings populares, com cerca de 13,8 mil bancas cadastradas e aproximadamente 10 mil feirantes.

Mudança busca ampliar venda e circulação de clientes

A flexibilização do horário tem como objetivo fomentar a atividade econômica nas feiras, permitindo que comerciantes permaneçam abertos por mais tempo, em condições semelhantes às de outros segmentos do comércio.

Na prática, o novo limite pode ajudar feirantes que dependem do movimento depois do expediente comercial. Também pode facilitar a vida de consumidores que trabalham durante o dia e têm pouco tempo para fazer compras em horário tradicional.

O ponto central, porém, será a organização local. Abrir até mais tarde pode ser bom para vendas, mas exige iluminação, segurança, limpeza, transporte e acordo interno entre os próprios feirantes. Feira funcionando à noite sem estrutura vira improviso com placa oficial — e improviso, no comércio, costuma cobrar juros.

Administrações regionais terão papel decisivo

As administrações regionais serão responsáveis por definir como a ampliação poderá funcionar em cada feira. Isso significa que a decisão precisa considerar a realidade de cada unidade, o fluxo de consumidores, a infraestrutura disponível e as normas internas.

A portaria não obriga todos os feirantes a estenderem o expediente. A medida cria a possibilidade legal para que as feiras funcionem até as 22h, desde que haja organização e autorização local.

Esse desenho evita uma regra única para espaços muito diferentes. Uma feira com grande movimento noturno pode se beneficiar da ampliação. Outra, sem demanda ou estrutura adequada, pode manter o horário atual. Nesse caso, flexibilidade é melhor que ordem de cima para baixo.

Feirantes vinham cobrando melhorias estruturais

A mudança ocorre após reunião recente no Palácio do Buriti com representantes de feiras e do Sindifeira-DF. No encontro, também foram discutidas demandas de infraestrutura, regularização e funcionamento dos espaços, incluindo melhorias em forros, iluminação, manutenção elétrica e pequenos reparos.

Essas reivindicações mostram que o horário ampliado é apenas uma parte da pauta. Para que a medida funcione, as feiras precisam de manutenção, segurança, banheiros adequados, organização dos boxes e condições mínimas de operação.

Feira permanente é comércio, mas também é território de convivência, alimentação, cultura popular e renda familiar. Quando funciona bem, movimenta a economia local. Quando é abandonada, vira problema urbano e prejuízo para quem trabalha.

Ampliação pode fortalecer economia local

A autorização para funcionamento até as 22h pode ampliar o faturamento dos feirantes e aumentar a circulação de consumidores em diferentes regiões administrativas. Também pode tornar as feiras mais competitivas diante de mercados, shoppings e comércio de rua.

No entanto, o resultado dependerá da execução. Horário maior não resolve, sozinho, problemas de infraestrutura, segurança ou baixa atratividade. A medida abre uma oportunidade, mas cada feira terá de mostrar se há demanda, organização e capacidade de sustentar o novo expediente.

O avanço é positivo porque reconhece o papel econômico das feiras e dá margem para adaptação local. Agora, o desafio é garantir que a ampliação não fique apenas no papel. Comércio popular precisa de regra clara, fiscalização equilibrada e estrutura para funcionar sem transformar o trabalhador em gestor solitário do próprio abandono.

Relacionadas, fontes e documentos:

Feira leva capacitação e renda a Água Quente (Fonte em Foco)
DF reduz crimes letais e lidera ranking de segurança (Fonte em Foco)
Corpus Christi muda horários de serviços no DF (Fonte em Foco)
GDF investe R$ 43 mi na saúde da Ceilândia (Fonte em Foco)
– Feiras permanentes do DF poderão funcionar até as 22h (Agência Brasília)

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