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Caso de sarampo reacende alerta por vacinação no Brasil

Publicado em:

Repórter: Jeferson Nunes

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Infecção em bebê expõe risco para crianças ainda fora da idade da vacina

A confirmação do primeiro caso de sarampo no Brasil em 2026 — uma bebê de 6 meses em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia — reacendeu o alerta sobre a importância de manter altas coberturas vacinais para proteger quem ainda não pode ser imunizado pelo calendário regular. Segundo o Ministério da Saúde, a criança contraiu a doença após viagem ao país vizinho, que enfrenta surto, e o caso foi confirmado laboratorialmente.

Pelo calendário do SUS, a primeira dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses, com proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. Aos 15 meses, a criança deve receber a tetra viral, que reforça a imunidade e acrescenta proteção contra varicela. O Ministério da Saúde também informa que pessoas de 12 meses a 59 anos devem estar vacinadas conforme a faixa etária e a situação vacinal.

Cobertura alta protege até quem ainda não pode tomar a dose

Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, a vacina contra o sarampo tem alta capacidade de bloquear infecção e transmissão, o que ajuda a formar uma barreira coletiva ao redor de bebês mais novos. Essa proteção indireta se torna decisiva justamente para crianças com menos de 1 ano, que ainda não entraram na rotina regular de imunização.

Em 2024, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema na idade correta. A diferença entre início e conclusão do esquema é o tipo de brecha que fragiliza a barreira coletiva e abre espaço para circulação do vírus.

Caso importado mostra como o vírus pode voltar a circular

A preocupação não é abstrata. O Brasil voltou a registrar um caso importado neste ano e já havia confirmado 38 infecções em 2025, a maior parte também com origem importada. Ainda assim, o país continua com o certificado de área livre do sarampo, reconquistado em 2024, porque não há transmissão sustentada em território nacional.

O alerta é que essa condição pode mudar se a cobertura vacinal cair. O próprio Ministério da Saúde lembra que o Brasil perdeu o certificado anterior, obtido em 2016, depois da reintrodução do vírus em 2018 e da ocorrência de surtos favorecidos por baixas coberturas vacinais.

Américas vivem escalada e pressão maior sobre países sem barreira vacinal sólida

A situação regional ajuda a explicar a tensão, com base em dados da OPAS, as Américas registraram 14.891 casos e 29 mortes em 2025. Em 2026, até 5 de março, já haviam sido confirmadas 7.145 infecções, com cenário mais grave em países como México, Estados Unidos e Guatemala.

No Brasil, o Ministério da Saúde já vinha adotando medidas adicionais em áreas de maior risco, incluindo a chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses em contextos epidemiológicos específicos, sobretudo em regiões de fronteira ou maior circulação internacional. Essa estratégia não substitui as doses de rotina, mas funciona como proteção extra em cenário de ameaça elevada.

Sarampo não é doença banal e pode deixar sequelas graves

Kfouri também reforça que o sarampo não é uma doença inofensiva da infância. Segundo ele, em surtos costuma haver cerca de um óbito a cada mil casos, além de complicações como pneumonia e encefalite. A infecção ainda pode provocar uma espécie de “apagão” temporário do sistema imune, deixando a pessoa mais vulnerável a outras doenças infecciosas por três a seis meses.

Os sintomas mais comuns incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar. Em um ambiente de baixa cobertura vacinal, essa combinação de alta transmissibilidade e potencial de complicação explica por que o sarampo segue tratado como ameaça séria de saúde pública.

O caso da bebê em São Paulo vale como aviso, não como exceção confortável

O episódio em São Paulo mostra como um único caso importado pode reacender um problema que parecia controlado. Quando a cobertura vacinal está alta, o vírus encontra menos espaço para circular e atingir bebês, gestantes e imunocomprometidos. Quando essa barreira enfraquece, a proteção coletiva perde força e o risco deixa de ser do viajante para se tornar de todos.

Em outras palavras: o sarampo não voltou porque a vacina falhou. Ele volta justamente onde a vacinação deixa de fechar o cerco. E, como costuma acontecer com doenças altamente contagiosas, quem paga primeiro a conta são os que ainda nem tiveram tempo de se proteger.

Fontes e documentos:
Caso confirmado de sarampo acende alerta sobre cobertura vacinal (Agência Brasil)
– São Paulo tem primeiro caso de sarampo em 2026 (Agência Brasil)
– Saúde está em alerta máximo por aumento do sarampo nas Américas (Agência Brasil)
– Sarampo (Ministério da Saúde)
– Vacinação contra sarampo e febre amarela é intensificada em locais de grande circulação na capital paulista (Ministério da Saúde)
– Perguntas Frequentes — Sarampo (Ministério da Saúde)

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