Boletim Focus mostra quarta alta seguida para o IPCA, enquanto Selic segue em 14,75% ao ano
A previsão do mercado financeiro para o IPCA, índice oficial da inflação no país, subiu de 4,31% para 4,36% em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 6 de abril, pelo Banco Central. Foi a quarta alta consecutiva da estimativa para este ano, embora a projeção ainda permaneça dentro do intervalo de tolerância da meta oficial de inflação.
A meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, isso significa que o teto da banda é de 4,5% e o piso, de 1,5%. Ou seja, o mercado já enxerga a inflação bem acima do centro da meta, mas ainda abaixo do limite máximo admitido pelo regime atual.
Inflação recente perdeu força em 12 meses, mas pressão segue no radar
Os dados mais recentes do IBGE mostraram que o IPCA de fevereiro ficou em 0,70%, acima dos 0,33% de janeiro. No acumulado de 12 meses, porém, a inflação recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. O resultado ajuda a explicar por que o debate econômico ficou mais sensível: a inflação corrente desacelerou no acumulado, mas as expectativas futuras voltaram a piorar.
A próxima fotografia oficial da inflação sai na quinta-feira, 9 de abril, quando o IBGE divulgará o resultado de março de 2026. É esse número que deve mostrar com mais clareza se a recente elevação das expectativas está começando a aparecer de forma mais forte nos preços efetivamente medidos.
Selic caiu em março, mas cenário segue cauteloso
Para lidar com a inflação, o principal instrumento do Banco Central continua sendo a taxa Selic, hoje em 14,75% ao ano. Na reunião de 18 de março, o Copom reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, numa decisão unânime. O comitê, porém, evitou dar sinal claro de cortes mais agressivos adiante e manteve cautela diante do ambiente externo e das incertezas sobre a trajetória dos preços.
O próximo encontro do Copom já está marcado para os dias 28 e 29 de abril. No Focus desta semana, os analistas mantiveram em 12,5% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2026. Para 2027, a projeção ficou em 10,5%; para 2028, em 10%; e para 2029, em 9,75%.
PIB e dólar ficaram estáveis nas projeções
No mesmo relatório, a expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 foi mantida em 1,85%. Para 2027, o mercado projeta alta de 1,8%, enquanto 2028 e 2029 aparecem com expansão de 2% em ambos os anos. Já a projeção para o dólar no fim deste ano ficou em R$ 5,40, com estimativa de R$ 5,45 ao final de 2027.
O mercado melhora no retrovisor e piora no para-brisa
O retrato do momento é quase didático. No retrovisor, a inflação acumulada em 12 meses melhorou. No para-brisa, as expectativas voltaram a subir. E, em economia, expectativa não é detalhe de rodapé. Ela pesa no câmbio, nos juros, no crédito e no humor de quem decide investir ou consumir.
Por isso, a alta do Focus para 4,36% merece atenção. Não porque indique descontrole imediato, mas porque mostra um mercado mais desconfiado da velocidade com que a inflação vai convergir ao centro da meta. Em linguagem menos cerimoniosa: o BC até cortou os juros, mas ninguém está exatamente soltando fogos no prédio da Faria Lima.
Fontes e documentos:
– Mercado eleva previsão da inflação para 4,36% este ano (Agência Brasil)
– Em fevereiro, IPCA fica em 0,70% (IBGE)
– Copom reduz a taxa Selic para 14,75% a.a. (Banco Central)

