Jovens da socioeducação têm contato com cursos, trabalho e novas escolhas
Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas no Distrito Federal participaram de uma Feira de Profissões voltada à qualificação, à educação e à preparação para o mercado de trabalho. A iniciativa buscou apresentar possibilidades de futuro a jovens atendidos pelo sistema socioeducativo, com atividades em unidades do DF, visitas técnicas e oficinas práticas.
A ação integra uma série de atividades promovidas pela Subsecretaria do Sistema Socioeducativo, vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal. O objetivo é fortalecer projetos de vida por meio de educação, cidadania, inclusão social e acesso ao mundo do trabalho.
O tema exige cuidado. Profissionalização, sozinha, não resolve todos os desafios da socioeducação. Mas, quando abre porta para estudo, trabalho e pertencimento, pode ajudar a romper trajetórias marcadas por exclusão, baixa renda e falta de oportunidade.
Atividades aproximaram jovens de formação e trabalho
A programação contou com a parceria do Instituto Federal de Brasília, Sesi LAB, Senac e Centro de Integração Empresa-Escola. As instituições ofereceram experiências ligadas à formação profissional, ao conhecimento técnico e à preparação para oportunidades de emprego.
Durante as atividades, os socioeducandos participaram de visitas técnicas a espaços de ensino, pesquisa e formação. Também houve visita guiada à Caixa Cultural Brasília, ampliando o contato dos jovens com ambientes de cultura, conhecimento e desenvolvimento profissional.
Nas unidades socioeducativas, profissionais convidados apresentaram trajetórias, exigências do mercado de trabalho e possibilidades de atuação. Além disso, houve diálogo sobre empreendedorismo, construção de projetos de vida e escolhas profissionais.
Oficinas ensinaram currículo e preparação para entrevistas
A Feira de Profissões também incluiu oficinas de elaboração de currículo, preparação para processos seletivos e orientação sobre busca de vagas. As atividades buscaram aproximar os adolescentes de etapas práticas do ingresso no mercado de trabalho.
Esse tipo de ação tem valor porque muitos jovens chegam à vida adulta sem rede de apoio, repertório profissional ou orientação básica sobre como disputar uma vaga. Currículo, entrevista e curso profissionalizante parecem assuntos simples para quem teve apoio em casa. Para quem cresceu sem essas referências, podem ser a primeira ponte para uma alternativa concreta.
As ações também envolveram práticas educativas em áreas como biologia e outras disciplinas. Com isso, a proposta foi além da empregabilidade imediata e buscou estimular habilidades técnicas, socioemocionais e escolares.
Jovens relatam novas perspectivas
Um dos participantes, identificado pelo nome fictício Lucas Fonseca, de 20 anos, afirmou que a experiência ampliou sua visão sobre oportunidades. Ele relatou interesse por cursos e destacou a área de tecnologia como uma das possibilidades que mais chamaram sua atenção.
O relato ajuda a traduzir o alcance da iniciativa. A socioeducação não pode ser reduzida à contenção. Ela precisa oferecer responsabilização, acompanhamento e oportunidade real de reconstrução. Sem horizonte, a medida vira apenas intervalo. Com formação e vínculo, pode virar começo.
O secretário interino de Justiça e Cidadania do DF, Jaime Santana, afirmou que o objetivo é ampliar horizontes e mostrar caminhos possíveis por meio da educação, da qualificação profissional e do trabalho.
Socioeducação depende de oportunidade concreta
Para Valéria Castilho Dornelas, gerente sociopedagógica da Unidade de Internação de Saída Sistemática, iniciativas desse tipo contribuem para fortalecer autoestima e ampliar oportunidades de reinserção social e profissional.
A observação toca no ponto central da política socioeducativa. A reinserção não acontece apenas com discurso motivacional. Ela depende de escola, curso, documentação, saúde mental, família, acompanhamento técnico e acesso real ao trabalho.
A medida socioeducativa deve responsabilizar o adolescente pelo ato cometido, mas também precisa reconhecer que futuro não se reconstrói no vazio. Sem alternativa concreta, o Estado cobra mudança sem entregar ferramenta. É como exigir travessia e esconder a ponte.
Formação precisa continuar depois da feira
A Feira de Profissões tem mérito ao aproximar adolescentes de instituições formadoras e do universo do trabalho. No entanto, o efeito mais importante virá depois: matrícula, acompanhamento, continuidade dos cursos, encaminhamento profissional e proteção contra abandono.
A política pública será mais forte se transformar a experiência pontual em trilha permanente. Isso significa manter parcerias, acompanhar os jovens após as atividades e medir resultados com transparência.
A socioeducação funciona melhor quando combina responsabilização com oportunidade. A feira mostra caminhos possíveis. O próximo passo é garantir que esses caminhos não terminem na saída do auditório.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Déficit de R$ 1,9 bi pressiona contas do GDF (Fonte em Foco)
– GDF dobra equipes para atender população de rua (Fonte em Foco)
– De merendeira a vice-diretora, estudo muda destino (Fonte em Foco)
– Curso de marcenaria sustentável abre vagas no DF (Fonte em Foco)
– Feira de Profissões amplia perspectivas de futuro para socioeducandos (Agência Brasília)

