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Festival indígena ocupa Museu do Pontal no Rio

Publicado em:

Repórter: Paulo Andrade

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Evento gratuito reúne povos originários e abre mostra de Gustavo Caboco na Barra da Tijuca

O Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, recebe nos dias 11 e 12 de abril de 2026 a terceira edição do Festival das Culturas Indígenas, com programação gratuita voltada a rituais, oficinas, cantos, brincadeiras, artesanato e gastronomia. A agenda reúne representantes dos povos Wauja, Guajajara, Xakriabá, Kaiapó, Kamayurá, Puri, Pataxó, Wapixana, Sateré-Mawé, Guarani Mbyá e Guarani Tenonderã, além da abertura da mostra Roraimarte III, do artista indígena Gustavo Caboco.

Para o público, o festival oferece mais do que uma programação cultural de fim de semana. O evento transforma o museu em espaço de encontro entre saberes indígenas, experiências educativas e manifestações artísticas que aproximam diferentes gerações da produção viva dos povos originários. Em vez de reduzir essa presença a folclore de calendário, a programação coloca no centro a memória, o corpo, a língua, o território e a transmissão de conhecimentos.

Programação mistura rituais, oficinas e atividades para crianças

No sábado, 11 de abril, a programação começou com brincadeiras tradicionais apresentadas por crianças da Aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá, a partir das 10h. Ao longo do dia, o festival também incluiu oficina de modelagem de panelas de barro com indígenas Wauja, apresentação da festa das mulheres Yamurikumã, conversa com Taware Kamayurá sobre rituais como o Kuarup e shows do Coral da Aldeia Mata Verde Bonita. No domingo, 12 de abril, a agenda segue com atividades para crianças, roda de musicalização com Mel Xakriabá, oficina de petecas com Carmel Puri, oficina de colares de sementes com Ana Lucia Guajajara e apresentação do Coral Mbyá Guarani da Aldeia Sapukai. Todas as atividades são gratuitas e sujeitas à lotação.

A curadoria do festival é assinada pelos educadores indígenas Carmel Puri e Pacary Pataxó, que vivem no Rio de Janeiro. Segundo a apresentação oficial do evento, a proposta é reunir práticas associadas a rituais, dança, música, artesanato e formas de sociabilidade que atravessam comunidades indígenas de diferentes territórios. A escolha por curadores indígenas não é detalhe de vitrine. É um eixo que reposiciona quem fala, quem media e quem traduz essas experiências ao público urbano. (Museu do Pontal)

Exposição Roraimarte III amplia o debate sobre território e memória

Um dos principais destaques desta edição é a abertura de Roraimarte III, primeira individual de Gustavo Caboco no Rio de Janeiro, marcada para 11 de abril, às 15h, com conversa entre o artista, os curadores e a direção do museu. A mostra articula fotografias, pinturas e esculturas para investigar deslocamentos indígenas, memória e conexões entre o Monte Roraima, considerado sagrado por povos amazônicos, e a região marciana batizada de Roraima pela Nasa.

Na apresentação oficial da exposição, o museu informa que Caboco usa a referência ao robô Curiosity como metáfora para discutir trajetória pessoal, relações cosmológicas e a forma como a arte pode reativar memórias apagadas ou deslocadas. O trabalho também dialoga com a história do artista e de sua mãe, mulher Wapixana levada ainda criança para longe do território de origem. O resultado é uma obra que trata deslocamento não como abstração bonita de catálogo, mas como ferida histórica transformada em linguagem visual.

Quando o festival vira disputa de narrativa sobre o presente

O ponto mais forte do festival talvez esteja justamente no que ele desmonta. Ao reunir povos, línguas, rituais, oficinas e produção contemporânea num mesmo espaço, o evento confronta a ideia preguiçosa de que a presença indígena pertence apenas ao passado ou a uma imagem parada no tempo. O que aparece ali é outra coisa: cultura viva, urbana e territorial ao mesmo tempo, sem pedir licença para caber em estereótipo.

Entre arte, memória e território, o recado é maior que o palco

Há também um desdobramento mais amplo nesse tipo de programação. Em meio ao avanço das disputas sobre terra, identidade e representação, eventos como esse ganham peso por recolocar os povos originários no lugar de sujeitos da própria narrativa. Quando a curadoria, a fala e a criação partem deles, o debate muda de eixo. E quando isso acontece, o museu deixa de ser apenas vitrine. Vira arena de presença, memória e futuro.

Fontes e documentos:

Festival das Culturas Indígenas 2026 (Museu do Pontal)
– Roraimarte III (Museu do Pontal)
– Museu do Pontal faz Festival das Culturas Indígenas no Rio de Janeiro (Agência Brasil)

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