Publicidade
InícioVida & DesenvolvimentoMeio ambiente39% dos brasileiros desconhecem economia circular

39% dos brasileiros desconhecem economia circular

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

Cobertura relacionada

Guimarães Rosa já via no Cerrado um personagem ameaçado

Guimarães Rosa percorreu o Cerrado mineiro em 1952 e transformou fauna, flora, águas e ameaças ambientais em literatura.

Jardim Botânico mostra a força do Cerrado

No Mês do Cerrado, Jardim Botânico de Brasília mostra flores, frutos, trilhas, pesquisa científica e ações de educação ambiental.

Terras indígenas seguram desmatamento na Amazônia

Levantamento do Imazon mostra desmatamento zero em 60% das terras indígenas e menor índice da Amazônia em 11 anos.

Celina cria Parque Distrital da Serrinha no Lago Norte

Celina Leão cria o Parque Distrital da Serrinha, no Lago Norte, com 65,91 hectares e zona de amortecimento superior a 600 hectares. Divulgação/Seagri-DF

Brasília Ambiental avança na proteção do Cerrado em 2025

Ao longo de 2025, o Instituto Brasília Ambiental consolidou...

Prazo para projeto no Rio Melchior vai até agosto

Rio Melchior terá prazo prorrogado para propostas de recuperação ambiental. OSCs podem participar até 9 de agosto.
Publicidade

Pesquisa mostra que reciclagem é vista como responsabilidade compartilhada, mas conceito ainda chega pouco à população

Quatro em cada dez brasileiros ainda não conhecem o conceito de economia circular. O dado aparece em pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest.

Segundo o levantamento, 39% dos entrevistados nunca ouviram falar sobre o tema. Outros 45% já tiveram algum contato com a expressão, mas não conhecem os detalhes. Apenas 12% declararam conhecer bem o assunto.

A economia circular propõe reaproveitar, recuperar e reinserir materiais no ciclo produtivo. A lógica busca reduzir o descarte e substituir o modelo linear, no qual os recursos são extraídos, usados e jogados fora.

Na prática, o conceito envolve reciclagem, reutilização, logística reversa, reparo, redesenho de produtos e melhor aproveitamento de matérias-primas.

Conhecimento ainda é superficial

Embora o tema já tenha chegado a parte da população, a pesquisa indica que o entendimento ainda é limitado.

Para Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, o desafio não está apenas em apresentar o termo ao público.

Segundo ela, é necessário aprofundar a compreensão sobre como a economia circular funciona e qual papel cada setor pode exercer.

“Não adianta nada você conhecer se não tem um aprofundamento do tema”, afirmou.

A avaliação aponta para uma lacuna importante. O país discute reciclagem, logística reversa e redução de resíduos, mas parte relevante da população ainda não domina os conceitos que sustentam essas políticas.

Educação aparece como caminho central

Beatriz defende que escolas, governos, empresas e organizações sociais atuem de forma conjunta para ampliar o conhecimento sobre economia circular.

O foco, segundo ela, deve incluir crianças e adolescentes.

A justificativa é simples. Esse público pode levar novas práticas para casa, influenciar hábitos familiares e multiplicar informações na comunidade.

A estratégia também ajuda a tratar o tema antes que o consumo e o descarte se consolidem como hábitos automáticos.

Se a economia circular ficar restrita a relatórios técnicos e campanhas empresariais, continuará parecendo conversa de especialista. O lixo, porém, é democrático: todo mundo produz.

Maioria aceita mudar hábitos de consumo

A pesquisa Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População ouviu 834 pessoas com 18 anos ou mais, entre 30 de abril e 8 de maio de 2026.

Os resultados foram comparados à primeira edição do estudo, realizada em 2025.

De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados disseram ter disposição para mudar hábitos de consumo com o objetivo de gerar menos resíduos.

Outros 3% responderam que talvez mudariam. Já 23% afirmaram não ter disposição para alterar seus hábitos.

O dado mostra uma contradição produtiva. Mesmo com baixo conhecimento sobre economia circular, há abertura social para práticas mais sustentáveis.

Esse espaço pode ser aproveitado por políticas públicas, campanhas educativas, empresas e cooperativas de reciclagem.

Reciclagem é responsabilidade compartilhada

Os entrevistados também apontaram quem deve ser responsável pela reciclagem dos produtos.

A maior parte atribuiu responsabilidade à população, citada por 78% dos participantes.

Em seguida aparecem o governo, com 63%, e as empresas, com 55%.

Na comparação com 2025, cresceu a cobrança sobre todos esses atores. A responsabilização da população avançou três pontos percentuais.

A cobrança por atuação do governo cresceu quatro pontos, enquanto a demanda por ação das empresas subiu seis pontos.

As escolas foram citadas por 35% dos entrevistados. As organizações não governamentais apareceram com 30%.

O resultado reforça a ideia de responsabilidade compartilhada. Separar resíduos em casa ajuda, mas não resolve sozinho uma cadeia que depende de coleta, infraestrutura, indústria, fiscalização e mercado para materiais reciclados.

Logística reversa ainda avança devagar

A pesquisa também abordou a logística reversa, prática em que produtos ou embalagens retornam ao fabricante, importador, distribuidor ou comerciante após o fim do uso.

Esse mecanismo permite reinserir materiais na cadeia produtiva ou garantir destinação ambientalmente adequada.

Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados já devolveram ao menos uma vez algum produto depois do fim do ciclo de uso.

Dentro desse grupo, 14% afirmaram fazer isso com frequência.

O dado sugere que a logística reversa chegou a parte da população, mas ainda depende de mais acesso, informação e pontos de entrega.

Sem facilidade, o consumidor até entende a ideia, mas esbarra na velha pergunta brasileira: onde eu deixo isso?

Coleta seletiva chega a pouco mais da metade

O levantamento indica que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua.

Mesmo assim, ainda há gargalos na separação e na destinação correta dos resíduos.

Entre os entrevistados, 11% disseram separar os resíduos, mas não levar o material a pontos de coleta.

Desse grupo, 63% entregam recicláveis e orgânicos juntos ao caminhão de coleta. Outros 36% entregam o material separado a catadores.

A situação mostra que o comportamento individual depende de uma rede funcionando.

Quando a coleta seletiva não é clara, regular ou acessível, parte da separação feita dentro de casa pode perder eficiência no caminho.

Confiança na reciclagem segue alta

Apesar das dificuldades, a confiança da população no processo de reciclagem permanece elevada.

Mais da metade dos entrevistados, 54%, declarou acreditar que os resíduos separados são efetivamente reciclados.

Apenas 6% afirmaram não confiar no processo.

Para Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, os dados indicam uma mudança de percepção e comportamento.

Segundo ela, existe uma compreensão crescente sobre a importância da reciclagem e uma disposição maior para práticas sustentáveis.

O desafio agora é transformar boa vontade em sistema. Isso exige coleta seletiva, educação ambiental, logística reversa, apoio a catadores e transparência sobre o destino dos resíduos.

Sem essa engrenagem, a economia circular corre o risco de virar apenas um nome bonito para um problema antigo.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Inmet alerta para chuva no Norte e Nordeste (Fonte em Foco)
– Inea interdita área de mineração ilegal em Maricá (Fonte em Foco)
– ANSN apura incidente radiológico no Ipen (Fonte em Foco)
–
Painel revela agrotóxicos em águas do Brasil (Fonte em Foco)
– 4 em cada 10 brasileiros desconhecem economia circular (Movimento Plástico Transforma)
– Confiança na reciclagem segue alta no Brasil (Plástico Virtual)
– Quatro em cada 10 brasileiros desconhece economia circular (EmbalagemMarca)

Newsletter

- Assine nossa newsletter

- Receba nossas principais notícias

Publicidade
Publicidade

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.