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Casa Paraty leva cultura caiçara ao centro da Flip

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Espaço gratuito reúne artistas locais, mestres populares e novas gerações durante a festa literária

Moradores e visitantes de Paraty ganham um espaço dedicado integralmente à produção cultural do município durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty. A Casa Paraty reúne apresentações, debates, oficinas, exposições e atividades gratuitas até domingo (26), no Centro Histórico.

A Flip começou nesta quarta-feira (22) e segue até domingo. A Casa Paraty, porém, abriu a programação na terça-feira (21), com um cortejo da Ciranda de Tarituba.

O novo espaço coloca a cultura caiçara no centro de uma agenda construída com mestres populares, artistas quilombolas, coletivos juvenis, grupos infantis, escritores e representantes das tradições orais locais.

Casa Paraty aproxima memória e criação contemporânea

A proposta articula a preservação dos saberes tradicionais com a produção das novas gerações. A programação reúne ciranda caiçara, música popular, literatura, hip hop, teatro, audiovisual, dança e artes visuais.

A coordenadora e uma das idealizadoras do espaço, Gabriela Marsico, defende que memória, identidade e pertencimento precisam caminhar juntos. Para ela, manter uma cultura viva exige preservar o passado e criar condições para que os jovens produzam novas narrativas.

A curadoria também procura ajustar o ritmo da produção cultural local ao calendário de grandes eventos de Paraty. O objetivo é aproveitar a circulação gerada pela Flip sem transformar os artistas do município em simples pano de fundo da festa.

A curadora Vanda Mota considera fundamental que a cultura local apresente ao público sua maturidade, seus processos criativos e sua diversidade.

Programação reúne ciranda, livros e audiovisual

Nesta quarta-feira (22), as atividades começam às 15h, com apresentações de dança infantil e a oficina Brincando com Gravetos. Participam grupos como Silo Cultural, Asa Laranjeiras, Cia Dança Arte Paraty e Tia Tharcylla Ballet.

Na quinta-feira (23), a programação aborda políticas culturais e a relação de Paraty com o mar. A agenda inclui:

  • 10h — mesa Defeso Cultural;
  • 16h — mesa Mar de Cultura em Paraty;
  • 18h — lançamento de livros;
  • 20h — show de Luís Perequê e convidados;
  • 22h — apresentação da Ciranda Nova Esperança.

Entre os livros apresentados estão A duração da sombra, de Fernanda Nali, e Filosofia Caiçara, de Sílvia Paes.

Meio ambiente e juventude ocupam a sexta-feira

A programação de sexta-feira (24) começa às 9h, com uma apresentação sobre a Remada Ecológica. Em seguida, o espaço recebe debates sobre meio ambiente, juventude, tradição e produção audiovisual.

Às 10h, a mesa Paraty e Meio Ambiente discute a relação entre o território e a preservação ambiental. Às 16h, o encontro Juventude e Tradição aproxima manifestações culturais herdadas de gerações anteriores das novas formas de criação.

A mesa Cinema e Audiovisual está prevista para as 18h. Depois, às 20h, haverá uma mostra de vídeos dedicados à memória e ao território caiçara.

A noite termina com apresentações de Xaplin, MC Marinho e Realidade Negra, a partir das 22h.

Cirandeiros de Paraty se apresentam no sábado

O sábado (25) concentra debates sobre cultura, território, literatura e memória caiçara. As atividades começam às 10h e seguem ao longo do dia.

Às 20h, o Cabaré Teatral Zé Kleber reúne música, poesia, teatro e referências à memória afetiva de Paraty. A apresentação homenageia José Kleber Martins Cruz, artista ligado à vida cultural do município.

Um dos principais momentos da programação está marcado para as 22h. Os Cirandeiros de Paraty e o grupo Os Praianos apresentam o resultado de um concurso de novos versos de ciranda caiçara.

A atividade reforça o caráter coletivo da ciranda, transmitida pela oralidade e ligada ao convívio comunitário e aos modos de vida tradicionais da Costa Verde.

No domingo (26), último dia da Flip, a Casa Paraty permanece aberta para visitação das exposições e dos ambientes culturais.

Exposição recupera mobilização da comunidade de Trindade

Durante todo o evento, o espaço recebe a exposição Trindade Quando o Território Virou Luta. A mostra apresenta imagens do acervo fotográfico da Associação de Moradores da Trindade.

Os registros foram produzidos entre o fim da década de 1970 e o começo dos anos 1980. As fotografias documentam a mobilização da comunidade caiçara em defesa de seu território.

A exposição transforma o acervo comunitário em instrumento de memória pública. Além de recuperar um conflito histórico, mostra como a defesa do território se relaciona com a continuidade das práticas culturais e dos modos de vida locais.

A Galeria de Arte Popular também integra a programação. A mostra reúne artistas de diferentes gerações e linguagens, como fotografia, pintura, escultura e cerâmica.

Cultura local ganha protagonismo durante a Flip

A criação da Casa Paraty enfrenta uma contradição comum aos grandes eventos culturais. Enquanto festivais atraem público, investimentos e visibilidade, a produção cotidiana dos moradores nem sempre ocupa os espaços de maior destaque.

Ao reunir artistas locais dentro do calendário da Flip, a Casa amplia o contato entre visitantes e a cultura produzida ao longo de todo o ano. O desafio será manter essa visibilidade depois que as estruturas temporárias forem desmontadas e o fluxo turístico diminuir.

A cultura caiçara não aparece apenas como lembrança do passado. Ciranda, audiovisual, hip hop, literatura e produção juvenil mostram um território que preserva seus saberes enquanto cria novas formas de narrar a própria história.

Evento: Casa Paraty na 24ª Flip
Período: até domingo, 26 de julho
Local: Centro Histórico de Paraty
Entrada: gratuita
Programação de domingo: visitação às exposições e aos ambientes da casa

O material consultado não informa o endereço completo do espaço. Antes de sair, o visitante deve verificar possíveis atualizações na programação oficial e no perfil da Casa Paraty.

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– Programação completa da Casa Paraty (Casa Paraty)
Casa Paraty será palco da cultura caiçara viva em estreia na Flip 2026 (Agência Brasil)

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