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Seis filmes na disputa para representar o Brasil no Oscar

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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A disputa brasileira entrou na fase final

A Academia Brasileira de Cinema reduziu para seis a lista de filmes que podem representar o Brasil no Oscar 2027. O escolhido será anunciado em 16 de setembro e disputará uma vaga na categoria de melhor filme internacional — o que ainda não significa indicação garantida.

A lista anunciada nesta quarta-feira (9) saiu de uma pré-seleção de 15 longas divulgada em agosto. Agora, a comissão responsável pela escolha nacional terá uma semana para definir qual obra será enviada à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos.

Os seis filmes que seguem na disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A decisão final cabe à comissão de seleção da Academia Brasileira de Cinema. Segundo a entidade, a primeira reunião ocorreu em 9 de setembro, para escolher os seis finalistas, e a reunião definitiva está marcada para 16 de setembro.

Ser escolhido pelo Brasil não é virar indicado ao Oscar

A escolha do representante nacional é só uma porta de entrada. Cada país seleciona um filme para concorrer à vaga de melhor filme internacional, mas a indicação ao Oscar depende de uma nova etapa de avaliação feita pela organização da premiação.

Em outras palavras: o Brasil ainda vai escolher quem entra na corrida. Só depois a Academia do Oscar decidirá quais filmes realmente chegam à lista de indicados.

Esse detalhe evita uma confusão comum. Quando um longa é anunciado como representante brasileiro, ele não “vai ao Oscar” automaticamente. Ele passa a disputar o direito de ser indicado.

Seleção acontece depois de anos fortes para o cinema brasileiro

A disputa de 2027 vem em um momento de maior visibilidade internacional para o cinema nacional. Em 2025, o Brasil conquistou seu primeiro Oscar de melhor filme internacional com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles.

No ciclo seguinte, o país voltou à corrida com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. O filme representou o Brasil no Oscar 2026, mas não venceu a categoria.h

Esse contexto aumenta a atenção sobre a escolha deste ano. Não porque a lista de seis garanta favoritismo automático, mas porque o cinema brasileiro chega ao processo com mais exposição, mais expectativa e mais cobrança simbólica. Oscar não mede tudo — ainda bem. Mas abre vitrine, circulação e mercado.

O que está em jogo para além da estatueta

A seleção brasileira também funciona como uma vitrine interna. Ela aponta quais filmes ganharão mais atenção da imprensa, do público, de distribuidores e de festivais nos próximos meses.

Para a indústria, a escolha pode significar campanha internacional, novas sessões, negociação de direitos, circulação em plataformas e fortalecimento de nomes brasileiros no exterior. Para o público, é uma chance de olhar para a produção nacional antes que ela seja tratada apenas como assunto de premiação.

O cinema brasileiro não começa no tapete vermelho e não termina nele. Mas seria ingenuidade fingir que o Oscar não altera o tamanho da conversa.

A vitrine ajuda, mas o cinema precisa existir antes dela

A lista dos seis finalistas mostra diversidade de diretores, propostas e caminhos narrativos. Ainda assim, a disputa pelo Oscar costuma comprimir a conversa em uma pergunta estreita: “qual tem mais chance?”. É compreensível, mas pobre.

O valor de uma cinematografia não cabe inteiro na lógica da campanha internacional. O Oscar pode abrir portas, atrair olhares e fortalecer carreiras. Mas a saúde do cinema brasileiro depende de algo menos glamouroso e muito mais decisivo: produção contínua, financiamento, distribuição, salas abertas, público formado e política cultural consistente.

A escolha de 16 de setembro vai definir o representante brasileiro. Não vai definir, sozinha, a força do cinema nacional. Essa força se mede antes, no país que consegue fazer seus filmes nascerem; durante, no público que consegue vê-los; e depois, na memória que eles deixam quando a temporada de prêmios acaba.

Fontes e Documentos:

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