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Renato Machado morre aos 83 anos no Rio de Janeiro

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Jornalista marcou o telejornalismo brasileiro com coberturas internacionais e 15 anos no Bom Dia Brasil

O jornalista Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro.

A unidade de saúde confirmou o falecimento e manifestou solidariedade à família. A causa da morte não havia sido divulgada.

Com uma trajetória de mais de cinco décadas na comunicação, Renato Machado tornou-se uma das referências do telejornalismo brasileiro. Trabalhou como repórter, correspondente internacional, editor e apresentador, acompanhando conflitos, crises políticas e transformações sociais no Brasil e no exterior.

Seu período mais conhecido ocorreu no Bom Dia Brasil, telejornal que apresentou durante 15 anos e ajudou a reformular a partir de 1996.

Formação começou no Direito e passou pelo teatro

Renato Machado nasceu em 21 de março de 1943, no Rio de Janeiro. Era filho do médico e oficial do Exército Álvaro Dodsworth Machado e da secretária bilíngue Fernanda Mattos Machado.

Formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mas construiu sua carreira profissional na comunicação.

Antes do jornalismo, participou de montagens teatrais, trabalhou como ator e realizou dublagens. Sua passagem pelas artes cênicas incluiu experiências no Teatro Oficina, em São Paulo.

Em 1967, foi aprovado em um processo seletivo da BBC e seguiu para Londres, onde trabalhou com rádio. A experiência no exterior contribuiu para a formação de um perfil profissional ligado à cobertura internacional e ao domínio de idiomas.

Fluente em inglês e francês, voltou ao Rio de Janeiro dois anos depois e começou a trabalhar como tradutor no Jornal do Brasil.

Jornal do Brasil abriu caminho para a reportagem

No Jornal do Brasil, Renato Machado deixou a tradução e passou a atuar como repórter.

Permaneceu aproximadamente 14 anos no periódico e chegou ao posto de editor da área internacional. A experiência consolidou sua especialização em política externa, conflitos e relações entre países.

A passagem pela imprensa escrita antecedeu sua entrada no jornalismo da TV Globo, em 1982.

Na emissora, participou da cobertura da Guerra das Malvinas, conflito entre Argentina e Reino Unido pelo controle das ilhas no Atlântico Sul. Trabalhou tanto no Rio de Janeiro quanto em território argentino.

A experiência em temas internacionais e o conhecimento de idiomas levaram o jornalista novamente a Londres, desta vez como correspondente da Globo.

Correspondência internacional marcou a carreira

Renato Machado assumiu uma vaga no escritório londrino da emissora em 1983 e permaneceu na Europa até 1988.

Nesse período, acompanhou acontecimentos como os atentados terroristas ocorridos em Paris e o acidente nuclear de Chernobyl, em 1986.

O trabalho como correspondente combinava reportagens sobre política, economia, conflitos e mudanças sociais na Europa.

Ao retornar ao Brasil, passou a atuar como repórter especial, função que permitia a produção de matérias mais longas e contextualizadas para diferentes telejornais e programas da emissora.

Em 1990, deixou a Globo para assumir a apresentação e a edição do telejornal Noite e Dia, da TV Manchete.

A passagem pela emissora foi breve. No ano seguinte, retornou à Globo como repórter especial.

Coberturas incluíram Collor e Ayrton Senna

Durante a década de 1990, Renato Machado realizou reportagens para o Globo Repórter, o Jornal Nacional e outros programas jornalísticos.

Cobriu países da América Latina e participou de acontecimentos que marcaram a história recente do Brasil.

Entre eles estavam o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992, e a morte do piloto Ayrton Senna, em 1994.

A experiência acumulada como repórter e editor levou o jornalista à apresentação do Bom Dia Brasil em 1996.

Bom Dia Brasil foi reformulado em 1996

Renato Machado assumiu a função de apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil durante uma ampla reformulação do telejornal.

O programa passou a ser produzido no Rio de Janeiro, ganhou novo cenário, maior duração e uma estrutura com entrevistas, comentaristas e participação ao vivo de jornalistas de outras cidades.

Inicialmente, Renato Machado dividiu a apresentação com Leilane Neubarth. Posteriormente, passou a trabalhar ao lado de Renata Vasconcellos, que entrou na bancada em dezembro de 2002.

O telejornal ampliou o espaço dedicado a política, economia, assuntos internacionais, cultura e comportamento.

Renato permaneceu no comando do programa até setembro de 2011. A despedida encerrou um ciclo de 15 anos como apresentador e editor-chefe.

Retorno a Londres ocorreu em 2011

Depois de deixar a bancada, Renato Machado voltou ao escritório da Globo em Londres.

Além das reportagens para os telejornais, manteve uma coluna semanal no Jornal da Globo, na qual analisava acontecimentos políticos e econômicos internacionais.

A coluna foi exibida entre dezembro de 2012 e dezembro de 2015.

Em 2016, retornou ao Rio de Janeiro e passou a produzir reportagens especiais para o Globo Repórter.

Permaneceu ligado à Globo até novembro de 2021, encerrando uma trajetória marcada por diferentes períodos na emissora e pela participação em alguns dos principais programas jornalísticos da televisão brasileira.

Vinhos e gastronomia também integraram sua produção

Fora das coberturas políticas e internacionais, Renato Machado tornou-se conhecido pelo interesse em vinhos e gastronomia.

Escreveu sobre o tema para jornais e revistas, colaborou com a rádio CBN e participou de programas voltados à produção, degustação e harmonização de vinhos.

O jornalista utilizava uma linguagem acessível para apresentar regiões produtoras, processos de fabricação e aspectos culturais relacionados à bebida.

Essa atuação ampliou sua presença para além do noticiário diário e aproximou sua imagem de conteúdos sobre cultura, viagens e comportamento.

Legado reúne reportagem, edição e apresentação

A trajetória de Renato Machado atravessou diferentes fases do jornalismo brasileiro, da imprensa escrita e do rádio às transmissões internacionais e aos telejornais matinais.

Sua carreira foi marcada pela combinação entre experiência de campo, conhecimento de assuntos internacionais e atuação editorial.

No Bom Dia Brasil, participou de uma mudança que tornou o programa mais dinâmico e integrado com repórteres, comentaristas e entrevistados.

Como correspondente, ajudou a traduzir acontecimentos internacionais para o público brasileiro em um período anterior à circulação instantânea de informações pelas plataformas digitais.

Carreira acompanhou transformações do jornalismo

Renato Machado começou a trabalhar quando o rádio, os jornais impressos e a televisão concentravam a produção e a circulação das notícias.

Ao longo da carreira, presenciou a transmissão por satélite, a expansão dos canais de notícias, a digitalização das redações e o surgimento das redes sociais.

Mesmo com as mudanças tecnológicas, sua atuação permaneceu vinculada a elementos centrais da reportagem, como contextualização, domínio do assunto e clareza na apresentação.

Sua morte encerra a trajetória de um profissional que ocupou funções distintas e ajudou a construir a identidade de um dos principais telejornais matinais do país.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Foto de pássaros vira ouro no Cannes Lions de 2026 (Fonte em Foco)
– Exposição no Rio debate mineração de lítio (Fonte em Foco)
– Comunidade mantém fogueira de Xangô há mais de 150 anos (Fonte em Foco)
– Exposição chinesa reúne 10 mil anos de história no Rio (Fonte em Foco)
– Filme de Camurati questiona raízes da desigualdade (Fonte em Foco)
– Renato Machado (Memória Globo)
– Bom Dia Brasil (Memória Globo)
– Morre, aos 83 anos, o jornalista Renato Machado (Agência Brasil)

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