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Flipelô 2026 homenageia Myriam Fraga

Publicado em

Reportagem:
Paulo Andrade

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Décima edição da festa literária no Pelourinho reúne mais de 500 escritores e segue até domingo com programação gratuita

O Centro Histórico de Salvador recebeu na noite desta quarta-feira (5) a abertura da 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), com show da cantora Belô Velloso e uma intervenção teatral em homenagem à poeta Myriam Fraga (1937-2016), idealizadora do evento. A festa, que ocupa ruas, largos e equipamentos culturais do Pelourinho até o domingo (9), tem programação 100% gratuita e reúne mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros, incluindo Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira e Milton Hatoum .

Myriam Fraga é homenageada na edição que marca 10 anos do evento e 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado

Poeta baiana idealizou a Flipelô após participar da Flip em 2006

Myriam Fraga, que dirigiu a Fundação Casa de Jorge Amado por três décadas, entre 1986 e 2016, é a figura central da edição de 2026 . A ideia de realizar uma festa literária no Pelourinho surgiu após a escritora participar da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2006, quando Jorge Amado foi o autor homenageado . A homenagem se estende ao artista plástico Calasans Neto, parceiro e amigo de Myriam, responsável por ilustrar suas obras desde o livro de estreia, “Marinhas” (1964) . O evento também celebra os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, instituída em 2 de julho de 1986 para preservar o acervo do escritor baiano .

Myriam Fraga publicou 25 livros e foi membro da Academia de Letras da Bahia

Autora de 25 livros entre poesia, prosa e literatura infantojuvenil, Myriam Fraga teve obras traduzidas para o inglês, espanhol, francês e alemão . Foi eleita por unanimidade membro efetivo da Academia de Letras da Bahia em 1985, onde ocupou a cadeira de nº 13, e assumiu a vice-presidência da instituição em 2015 . Também integrou a Associação Baiana de Imprensa e assinou por duas décadas a coluna cultural “Linha D’água” no jornal A Tarde .

Escritores baianos celebram a Flipelô como espaço de representatividade e incentivo à leitura

Entre o público presente na abertura estava a escritora Maria do Carmo, da cidade de Mutuípe (BA), que veio à Flipelô pela primeira vez para lançar “Trilhas de Alforria”, livro que aborda o combate ao racismo. Ela celebrou o acesso gratuito ao evento: “Feira literária, para mim, é espaço de representatividade cultural. Vejo a Flipelô com muita alegria porque a população tem acesso a ela sem custo nenhum”. A escritora Magnólia Gomes de Oliveira, autora de “Destinos Entrelaçados”, que será lançado na Casa Motiva, destacou a importância do evento para o incentivo à leitura. Domingos Ailton, secretário de Cultura de Jequié e autor de “Anésia Cauaçu”, também marcará presença na festa.

Flipelô ocupa o Pelourinho com programação diversa e serviço gratuito de traslado

Evento conta com mais de 500 autores e nove escritores estrangeiros

A Flipelô 2026 reúne nomes como Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo . A programação inclui mesas de debate, lançamentos de livros, saraus, recitais de poesia, oficinas, exposições, contação de histórias e apresentações teatrais e musicais . Um dos momentos mais aguardados é o encontro com o escritor Milton Hatoum, autor de “Relato de um certo Oriente” e “Dois irmãos”, que compartilhará reflexões sobre sua trajetória e temas como identidade, exílio e as múltiplas Amazônias presentes em sua obra .

Metrô Bahia oferece traslado gratuito da Estação Campo da Pólvora ao Pelourinho

Para facilitar o deslocamento do público, o Metrô Bahia disponibiliza vans gratuitas entre a Estação Campo da Pólvora e o Pelourinho, em ambos os sentidos. Na quinta-feira (6) até domingo (9), o serviço funciona das 9h às 22h . A programação completa pode ser consultada no site oficial da Flipelô.

  • A Flipelô chega à 10ª edição consolidada como o maior evento literário da Bahia, mas sua trajetória revela a força de uma iniciativa que nasceu da articulação entre intelectuais e instituições culturais, não de política pública — o que explica sua resiliência e, ao mesmo tempo, sua dependência de patrocínios e da mobilização comunitária.

  • A escolha de Myriam Fraga como homenageada é mais que justa: sem ela, não haveria Flipelô. Sua atuação à frente da Fundação Casa de Jorge Amado por três décadas transformou o Pelourinho em um polo de difusão literária, mas seu legado poético — 25 livros, traduções para quatro idiomas — ainda é menos conhecido do que seu trabalho institucional, o que a homenagem também busca reverter.

  • A presença de mais de 500 autores e a expectativa de público superior a 250 mil pessoas — marca alcançada na edição anterior — reforçam o papel da Flipelô como motor econômico do Centro Histórico, mas também expõem a fragilidade de um território que depende de eventos sazonais para se manter vivo. A ocupação de 160 espaços públicos e privados, com 46 restaurantes e 20 museus integrados, mostra que a festa é também um termômetro da capacidade de articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil — uma engrenagem que, fora do período do evento, nem sempre funciona com a mesma fluidez.

  • O serviço gratuito de traslado do Metrô Bahia é um avanço em acessibilidade, mas a dependência de vans para conectar a estação ao Pelourinho revela a persistência de um problema estrutural: o Centro Histórico, apesar de sua importância cultural, segue mal servido por transporte público de alta capacidade.

Relacionadas, fontes e documentos:

– Rede Memória Viva abre seleção para quatro territórios (Fonte em Foco)
– Filme resgata dor de família atingida pelo césio-137 (Fonte em Foco)
– Parada Brasília Orgulho ocupa Esplanada e defende direitos (Fonte em Foco)
– Casa Paraty leva cultura caiçara ao centro da Flip (Fonte em Foco)
– Terror celestial transforma medo LGBT+ em criação (Fonte em Foco)
– Flipelô (Flipelô)
– Pregramação Flipelô (Flipelô)

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