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Operação Lívia investiga coerção on-line de adolescentes

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Operação Lívia mobilizou polícias em cinco estados

A Operação Lívia investiga uma organização suspeita de atrair adolescentes em ambientes virtuais, submetê-los à coerção psicológica e incentivá-los à prática de violência. A ação, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio federal, foi realizada em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

A apuração começou após a morte de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho, durante uma transmissão ao vivo em plataforma digital. O inquérito está sob sigilo.

Material apreendido será submetido à perícia

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que cinco jovens foram apreendidos durante a operação. Equipamentos eletrônicos recolhidos serão periciados para esclarecer a atuação dos investigados, identificar possíveis vítimas e apurar eventuais conexões ainda desconhecidas.

Segundo as autoridades, o grupo investigado teria utilizado comunidades virtuais para aliciar adolescentes, impor desafios violentos e divulgar conteúdos produzidos pelas vítimas. A responsabilização individual dependerá da análise do material e do avanço das investigações.

Ministério cita possível apuração sobre plataformas

Durante a apresentação dos resultados, integrantes do Ministério da Justiça afirmaram que Discord e Telegram teriam descumprido obrigações previstas na legislação de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A pasta informou que pretende encaminhar pedido de apuração à Agência Nacional de Proteção de Dados. Até eventual decisão administrativa, não há responsabilização formal das plataformas.

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente estabelece deveres para serviços digitais de acesso provável por crianças e adolescentes. A regulamentação prevê medidas de proteção adequadas ao risco, mecanismos de aferição etária em situações previstas e retirada prioritária de conteúdos que violem direitos desse público.

Pais e responsáveis devem agir diante de sinais de risco

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, ameaças, chantagens, mensagens de intimidação ou exposição a desafios violentos exigem atenção imediata de familiares e responsáveis. A preservação de mensagens e registros pode ajudar na comunicação às autoridades, sem ampliar a circulação de conteúdo sensível.

Em situação de risco iminente, o atendimento de emergência deve ser acionado pelo 190 ou 192. O Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Investigação testa a resposta pública à violência digital

O caso expõe a dificuldade de interromper práticas criminosas organizadas em ambientes digitais e de proteger vítimas antes que a violência avance. A perícia sobre o material apreendido e a eventual análise da ANPD serão determinantes para definir responsabilidades e verificar se os mecanismos de prevenção e resposta previstos em lei foram efetivamente aplicados.

Relacionadas, fontes e documentos:

Alerta Mulher Segura define monitoramento de agressores (Fonte em Foco)
Origem, raça e gênero marcam mobilidade social no país (Fonte em Foco)
Resgate de 89 expõe trabalho degradante em cafezais (Fonte em Foco)
Acidente laboral soma 1,8 milhão de notificações no país (Fonte em Foco)
Parada Brasília Orgulho ocupa Esplanada e defende direitos (Fonte em Foco)
– Operação Lívia e Rede Interrompida mobilizam Ministério da Justiça e polícias civis de oito estados (Ministério da Justiça e Segurança Pública)
– Operações integradas reforçam enfrentamento à misoginia digital e crimes de ódio (Ministério da Justiça e Segurança Pública)
– Estatuto Digital da Criança e do Adolescente Lei nº 15.211 de 2025 (Planalto)
Operação Lívia combate rede que induzia jovens a suicídio na internet (Agência Brasil)

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