Exame pelo SUS ajuda a detectar infecções que podem evoluir em silêncio
As hepatites virais podem permanecer anos sem sintomas e causar danos progressivos ao fígado antes do diagnóstico. A testagem precoce permite identificar a infecção, iniciar o acompanhamento adequado e reduzir o risco de cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante.
O alerta ganha força no Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais frequentes. As infecções podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E.
Em muitos casos, sinais como cansaço, febre, mal-estar, náusea, tontura, urina escura e pele ou olhos amarelados surgem apenas quando o fígado já está comprometido. Por isso, a ausência de sintomas não descarta a necessidade de fazer o exame.
Hepatites virais podem ser descobertas em exames de rotina
O paciente Adalto Pinheiro, de 63 anos, descobriu a hepatite B há quase duas décadas durante um exame de rotina. Sem sintomas, passou a fazer acompanhamento no Hospital de Base do Distrito Federal para monitorar a evolução da infecção.
“Eu descobri totalmente por acaso, não sentia sintoma nenhum. Agora tomo os remédios e faço exames para garantir que não piore”, relata.
A hepatologista Liliana Mendes explica que a identificação precoce permite iniciar o cuidado antes de complicações mais graves. Para a hepatite B, a vacinação é a principal forma de prevenção. O rastreamento por sorologia também ajuda a identificar infecções que não provocam sintomas.
A hepatite B pode se tornar crônica e não tem cura, mas os medicamentos oferecidos pelo SUS reduzem o risco de progressão para cirrose, câncer hepático e morte. Já a hepatite C tem tratamento capaz de eliminar o vírus na maioria dos casos.
Formas de transmissão variam conforme o vírus
A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, associada ao consumo de água ou alimentos contaminados e a condições inadequadas de saneamento e higiene.
As hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de agulhas, seringas e objetos perfurocortantes. A hepatite B também pode ser transmitida em relações sexuais sem preservativo e da gestante para o bebê.
Pessoas com maior possibilidade de exposição devem procurar uma UBS para receber orientação sobre a periodicidade da testagem. A avaliação considera fatores como compartilhamento de instrumentos perfurocortantes, uso de drogas injetáveis, procedimentos realizados sem condições adequadas de esterilização e relações sexuais sem preservativo.
Vacinação protege contra hepatites A e B
A vacina contra a hepatite A integra o Calendário Nacional de Vacinação para crianças aos 15 meses. Também é disponibilizada a grupos específicos pelo SUS.
A vacina contra a hepatite B é gratuita para pessoas de todas as idades que não completaram o esquema vacinal. Para adultos, em geral, são indicadas três doses.
Não há vacina disponível contra as hepatites C e E. No caso da hepatite D, a imunização contra o vírus B também protege contra a infecção, pois o vírus D depende da presença do vírus da hepatite B para se multiplicar.
Outras medidas de prevenção incluem:
- usar preservativo em todas as relações sexuais;
- não compartilhar lâminas, escovas de dente, alicates, agulhas ou seringas;
- verificar se tatuagens, piercings e procedimentos estéticos são feitos com materiais esterilizados ou descartáveis;
- consumir água tratada e alimentos higienizados;
- lavar as mãos com frequência e evitar contato com esgoto.
Onde buscar atendimento no Distrito Federal
A população pode procurar uma Unidade Básica de Saúde para realizar testes de rastreamento e atualizar a vacinação. Em casos de sintomas agudos, como pele amarelada, vômitos persistentes, dor abdominal intensa ou alteração importante no estado geral, a orientação é buscar uma Unidade de Pronto Atendimento.
Quando há necessidade, o paciente é encaminhado para avaliação especializada e acompanhamento na rede pública.
Diagnóstico ainda é um dos principais desafios
As hepatites B e C causaram cerca de 1,3 milhão de mortes no mundo em 2024, principalmente por cirrose e câncer de fígado. Embora existam vacinas, exames e tratamentos eficazes, o diagnóstico tardio mantém uma parcela expressiva das pessoas fora do cuidado em saúde.
O desafio não se limita à oferta de medicamentos. A prevenção depende de vacinação, saneamento, acesso à testagem e acompanhamento contínuo. Para quem não sabe se está vacinado contra hepatite B ou nunca fez exame de rastreamento, a UBS é a porta de entrada mais segura.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Unidade móvel recebe doadores de sangue em Ceilândia (Fonte em Foco)
– UBS 2 do Guará oferece cuidados à saúde do homem (Fonte em Foco)
– Volta às aulas leva famílias a revisar vacinas no DF (Fonte em Foco)
– Hran oferece consulta gratuita antes de viagens (Fonte em Foco)
– DF terá vacinação em 20 regiões neste sábado (Fonte em Foco)
– Hepatites Virais (Ministério da Saúde)
– Prevenção, testagem e tratamento das hepatites (IgesDF)
– Diagnóstico precoce é a principal arma contra as hepatites virais (Agência Brasília)

