O eleitor vê uma disputa mais clara para o Buriti e mais aberta para o Senado
As últimas pesquisas públicas sobre as eleições de 2026 no Distrito Federal indicam vantagem de Celina Leão na disputa pelo Governo do DF. Os levantamentos mais recentes mostram a governadora à frente em três pesquisas divulgadas em setembro, enquanto o Senado aparece mais fragmentado: Michelle Bolsonaro lidera, mas Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay seguem próximas na briga pelas duas vagas.
A fotografia mais recente favorece Celina Leão, mas a margem de erro impede transformar vantagem em destino. No levantamento divulgado em 11 de setembro, ela aparece com 40% das intenções de voto para o Governo do DF, à frente de José Roberto Arruda, com 17%, e Leandro Grass, com 16%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
A corrida ao Senado tem outra lógica porque o eleitor vota em dois nomes. Michelle Bolsonaro aparece numericamente à frente nos levantamentos de setembro, mas a disputa pela segunda cadeira reúne Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay em diferenças pequenas. A regra oficial importa: em 2026, cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, e os dois mais votados no Distrito Federal serão eleitos, sem segundo turno.
Pesquisa mede o momento da coleta, não o resultado da urna. O registro prévio das pesquisas é obrigatório em ano eleitoral e deve incluir informações como contratante, metodologia, período de realização, plano amostral, margem de erro e nível de confiança.
Governo do DF: os números dos candidatos nas quatro pesquisas mais recentes
A comparação entre os quatro levantamentos mostra Celina numericamente à frente em três deles e empatada tecnicamente em outro. A diferença mais forte aparece no levantamento de 11 de setembro, quando ela abriu 23 pontos sobre Arruda e 24 sobre Grass; a leitura mais apertada veio no AtlasIntel, divulgado em 3 de setembro, com Celina e Grass tecnicamente empatados.
Celina Leão — Governo do DF
No levantamento mais recente, aparece com 40% das intenções de voto. Nas quatro pesquisas comparadas, registrou 30,7%, 35%, 35% e 40%, mantendo vantagem numérica em três delas e empate técnico em uma leitura anterior.
José Roberto Arruda — Governo do DF
No levantamento mais recente, aparece com 17%. Nas pesquisas analisadas, marcou 14,2%, 20%, 18% e 17%, mantendo presença competitiva, mas com leitura condicionada também ao cenário jurídico da candidatura.
Leandro Grass — Governo do DF
No levantamento mais recente, aparece com 16%. É o nome com maior variação entre os principais concorrentes: registrou 29%, 20%, 17% e 16%, o que sugere diferença relevante entre métodos, datas e composição das amostras.
Paula Belmonte — Governo do DF
No levantamento mais recente, aparece com 6%. Nas quatro pesquisas, oscilou entre 4% e 8,2%, ocupando uma faixa intermediária abaixo do trio mais competitivo.
Ricardo Cappelli — Governo do DF
No levantamento mais recente, aparece com 3%. Nas pesquisas comparadas, marcou 5,8%, 4%, 2% e 3%, sem alcançar o primeiro pelotão nos cenários públicos analisados.
Kiko Caputo — Governo do DF
Aparece com até 4,3% nas pesquisas que detalharam seu nome. No levantamento mais recente, marcou 3%; em outro, 1%. Uma das pesquisas não discriminou individualmente candidatos menores no cenário principal.
Samara Mineiro — Governo do DF
Aparece com 1% nas pesquisas que detalharam seu nome. Em outro levantamento, registrou 1,3%. Na pesquisa que agrupou nomes menores, o percentual individual não foi informado.
Professor Robson — Governo do DF
Aparece com 2% no levantamento mais recente. Em outras pesquisas detalhadas, registrou 0%. Em uma das leituras, o nome não foi discriminado individualmente.
Elisson — Governo do DF
Aparece com 0% nas pesquisas em que foi discriminado. O dado não significa ausência absoluta de eleitores, mas que o percentual ficou abaixo do arredondamento apresentado nos levantamentos disponíveis.
Expedito Mendonça — Governo do DF
Aparece com 0% nas pesquisas que detalharam seu nome. Em uma das pesquisas comparadas, o nome não foi citado individualmente no cenário principal.
Rico Pinheiro — Governo do DF
Aparece com 0% nas pesquisas em que foi discriminado. Em uma das pesquisas, o nome não foi informado de forma individual, por ter sido agrupado entre candidaturas menores ou não detalhadas.
Brancos e nulos — Governo do DF
No levantamento mais recente, somam 8%. Nas quatro pesquisas, variaram entre 2,8% e 8%, indicando que parte do eleitorado rejeita os nomes apresentados ou ainda não se vê representada no cenário.
Indecisos — Governo do DF
No levantamento mais recente, aparecem em 3%. A maior taxa entre as pesquisas comparadas foi de 15%, o que reforça que diferenças de método e momento da coleta podem alterar bastante a leitura da disputa.
O traço mais importante da tabela não é só quem aparece em primeiro, mas como o segundo pelotão muda. Arruda aparece com 17%, 18% e 20% nos levantamentos de setembro que o incluem com força competitiva, mas cai para 14,2% no AtlasIntel; Grass vai de 16% a 29%, com desempenho especialmente alto no recorte feito entre 27 de agosto e 1º de setembro.
Há uma lacuna metodológica relevante no levantamento de 9 de setembro para candidatos menores. A publicação disponível agrupou nomes de baixa pontuação como “Outros” no cenário principal para governo, sem detalhar individualmente Kiko Caputo, Samara Mineiro, Professor Robson, Elisson, Expedito Mendonça e Rico Pinheiro; por isso, a tabela registra esses campos como não discriminados, e não como zero.
Senado: Michelle lidera, mas a segunda vaga segue sem dono
No Senado, os levantamentos de setembro colocam Michelle Bolsonaro à frente, mas não isolam a segunda vaga. No cenário consolidado de 11 de setembro, ela tem 21%, Leila do Vôlei aparece com 18%, Bia Kicis com 15% e Erika Kokay com 14%. Como a margem de erro é de três pontos, Leila, Bia e Erika ficam próximas o bastante para exigir leitura cautelosa.
A lista oficial consultada registra 13 candidatos ao Senado pelo Distrito Federal. São eles: Avenir Rosa, Bia Kicis, David Horn, Erika Kokay, Guto Felício dos Santos, Leila do Vôlei, Marley, Michelle Bolsonaro, Professor Guilherme Amorim, Ronaldo Fonseca, Sebastião Coelho, Tiago e Zanata.
Michelle Bolsonaro — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 21% no cenário consolidado. Nas pesquisas comparadas, registrou 25%, 26%, 26% e 21%, mantendo a liderança numérica em todas as leituras públicas analisadas.
Leila do Vôlei — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 18%. Nas pesquisas comparadas, oscilou pouco: 17%, 17%, 17% e 18%. Essa estabilidade a mantém entre os nomes mais competitivos para uma das duas vagas.
Bia Kicis — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 15%. A trajetória nas pesquisas comparadas foi de 9%, 11%, 15% e 15%, indicando crescimento no bloco que disputa a segunda vaga.
Erika Kokay — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 14%. Nas pesquisas analisadas, marcou 12%, 13%, 17% e 14%, mantendo-se próxima de Leila e Bia na disputa pela segunda cadeira.
Sebastião Coelho — Senado pelo DF
Aparece com 2% no levantamento mais recente. Em outra pesquisa, chegou a 10%, diferença que exige cautela na leitura por causa de método, data, cenário e forma de apresentação dos nomes.
Ronaldo Fonseca — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 2%. Em outras pesquisas, registrou 1% ou 2%, permanecendo fora do grupo numericamente mais competitivo.
Professor Guilherme Amorim — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 2%. Nas pesquisas comparadas, também registrou 2% em uma leitura anterior e 0% em outra.
Tiago — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 1%. Em outras pesquisas, marcou 0% ou 1%, sem entrar no bloco principal da disputa.
Guto Felício — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 1%. Em outra pesquisa, também registrou 1%; em levantamentos que não detalharam todos os nomes, não houve percentual individual disponível.
David Horn — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 1%. Em uma das pesquisas comparadas, registrou 0%; em outras, o nome não foi detalhado individualmente.
Marley — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 1%. Em outra pesquisa, registrou 0%; nos levantamentos que não discriminaram todos os candidatos, não há dado individual disponível.
Avenir Rosa — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 1%. Em outra pesquisa, registrou 0%; nos demais levantamentos comparados, o percentual individual não foi informado.
Zanata — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparece com 0%. Em uma pesquisa anterior, registrou 1%; nas demais, o nome não foi detalhado individualmente.
Brancos e nulos — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, somam 11%. Em outra pesquisa, aparecem com 7%, e em uma leitura anterior chegaram a 12%. O dado mostra que há um contingente relevante fora das escolhas nominais.
Indecisos — Senado pelo DF
No levantamento mais recente, aparecem em 9%. Nas pesquisas comparadas, variaram de 7% a 18%, o que reforça a instabilidade da disputa pela segunda vaga.
A movimentação mais visível está na aproximação do bloco intermediário. Bia Kicis foi de 9% em 25 de agosto para 11% em 8 de setembro e 15% em 11 de setembro; Erika Kokay passou de 12% para 13% e depois 14%; Leila permaneceu entre 17% e 18%; Michelle oscilou de 25% para 26% e depois 21%, sempre em primeiro lugar numérico.
A forma de medir o voto para o Senado também altera a leitura pública da disputa. No levantamento de 11 de setembro, o cenário consolidado reduz as duas escolhas a 100%; quando se olha apenas o primeiro voto, Michelle aparece com 34%, Leila com 18%, Erika com 17% e Bia com 8%; no segundo voto, Bia lidera com 21%, seguida por Leila, com 19%, Erika, com 11%, e Michelle, com 9%.
O que mudou nas últimas quatro pesquisas
O movimento mais forte no Governo do DF é a abertura de vantagem de Celina no levantamento mais recente. Ela saiu de 30,7% no AtlasIntel para 35% em dois levantamentos seguintes e chegou a 40% no levantamento de 11 de setembro. A série, porém, não é uma linha perfeitamente comparável, porque combina institutos, métodos, datas e amostras diferentes.
Arruda perdeu força na leitura mais recente, mas continua relevante como polo de voto. Ele aparece com 14,2% no AtlasIntel, 20% no Real Time Big Data, 18% na Quaest e 17% no Datafolha. O dado precisa ser lido junto da situação jurídica da candidatura, porque pesquisas com o nome dele medem uma preferência existente no eleitorado, mas não resolvem o debate sobre registro.
Grass é o nome com maior variação entre os levantamentos do governo. Ele aparece com 29% no AtlasIntel, 20% no Real Time Big Data, 17% na Quaest e 16% no Datafolha. Isso pode refletir diferenças de método e composição de amostra, mas também sugere que parte do eleitorado de oposição ainda não está estabilizada.
No Senado, a segunda vaga é mais sensível a pequenas oscilações. A distância entre Leila, Bia e Erika fica dentro ou próxima da margem de erro nos principais levantamentos; por isso, a leitura responsável é dizer que Michelle lidera numericamente, enquanto a disputa pela segunda cadeira permanece aberta.
A situação jurídica de Arruda reorganiza a leitura da eleição
A candidatura de Arruda é uma variável política e jurídica ao mesmo tempo. O TRE-DF informou os pedidos de registro para governador e vice-governador e destacou que o registro não é aprovação automática, pois a Justiça Eleitoral ainda analisa condições de elegibilidade e requisitos legais.
O indeferimento no TRE-DF não apagou o nome dele das pesquisas nem encerrou automaticamente a campanha. A cobertura mais recente registra que a candidatura foi barrada no tribunal regional, mas que ele disse que recorreria; levantamentos recentes seguiram testando cenários com e sem Arruda, justamente porque a definição final ainda influencia a distribuição de votos.
A regra eleitoral reforça a necessidade de cautela. O TSE informou que pesquisas eleitorais devem trazer o nome de todos os candidatos e que quem teve o registro indeferido só poderá ser excluído da lista quando cessar a condição sub judice.
O caso BRB entrou no ambiente político do DF
A crise envolvendo o BRB e o Banco Master aparece como pano de fundo das variações de campanha. Levantamentos e coberturas recentes associam o tema ao desgaste do ex-governador Ibaneis Rocha, à desistência dele de disputar o Senado e à tentativa de capitalização do banco em meio ao debate público local.
Esse contexto pesa porque conecta gestão, economia pública e disputa eleitoral. Para Celina, a questão é mostrar distância política da operação herdada; para adversários, é tentar colar a crise ao grupo que governa o DF. O eleitor não responde a pesquisas apenas por simpatia partidária: responde também ao que percebe como risco, continuidade, desgaste e capacidade de governo.
A matéria anterior do portal já havia mostrado que os levantamentos não devem ser lidos como sentença. O texto publicado em 4 de setembro registrou que AtlasIntel, Datafolha, Real Time Big Data e Paraná Pesquisas mostravam retratos diferentes da disputa, com Celina, Grass e Arruda ocupando posições centrais, mas sem autorização para transformar intenção de voto em previsão.
Polarização nacional e voto local se cruzam no DF
A eleição do DF não acontece isolada da disputa nacional. O Senado traz Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no campo bolsonarista, Erika Kokay no campo petista e Leila do Vôlei em posição competitiva fora dessa leitura binária mais simples. Isso ajuda a explicar por que a disputa ao Senado parece mais embolada do que a do governo.
O eleitorado do DF também mistura voto administrativo, memória política e alinhamento ideológico. Celina se beneficia da máquina local e da exposição como governadora; Arruda ainda conserva recall eleitoral, mas enfrenta insegurança jurídica; Grass tenta consolidar uma alternativa de oposição; e os demais candidatos disputam espaço em um ambiente já comprimido por nomes de alta lembrança.
A corrida ao Senado mostra o peso das redes nacionais dentro de uma eleição local. Michelle lidera numericamente, Bia disputa o mesmo campo político e Erika concentra parte da esquerda; Leila aparece como nome competitivo em um espaço que pode receber votos menos alinhados à polarização direta. Essa combinação torna a segunda vaga mais instável.
A comparação com as leituras anteriores mostra a mudança de ritmo
A disputa pelo Governo do DF já vinha sendo tratada pelo Fonte em Foco como um cenário aberto, sensível a método, data de coleta e composição dos levantamentos. Na análise publicada em Pesquisas mostram disputa aberta pelo Governo do DF, Celina Leão, Leandro Grass e José Roberto Arruda apareciam em posições centrais, mas sem que os números autorizassem transformar intenção de voto em previsão de resultado.
A rodada seguinte ampliou o foco da leitura eleitoral ao incluir, com mais força, a disputa pelas duas vagas ao Senado. Em Pesquisas mostram Celina à frente e disputa acirrada pelo Senado, o Fonte em Foco mostrou Celina numericamente à frente para o Buriti, enquanto Michelle Bolsonaro liderava a corrida ao Senado e Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay disputavam a segunda cadeira em um bloco mais apertado.
A comparação entre esses dois momentos ajuda a entender o que mudou no ambiente político do DF. O Governo do DF passou a mostrar vantagem mais consistente de Celina nas pesquisas mais recentes, enquanto o Senado ganhou dinâmica própria, marcada pelo peso do segundo voto, pela presença de nomes nacionais e pela fragmentação entre candidaturas competitivas.
O ponto central permanece o mesmo: pesquisa eleitoral é fotografia, não sentença. Entre uma rodada e outra, mudam o humor do eleitor, o impacto das crises políticas, a situação jurídica de candidaturas, a exposição dos candidatos e a forma como cada levantamento captura o cenário. Por isso, a leitura mais responsável é observar tendências sem converter porcentagens em destino.
O que as pesquisas dizem e o que elas não dizem
As pesquisas dizem que Celina chega à reta final em posição favorável, que Arruda ainda pesa no tabuleiro e que Grass mantém potencial competitivo dependendo do recorte. Também dizem que o Senado tem uma liderança numérica, mas não tem segunda vaga resolvida.
Entre intenção de voto e urna existem campanha, debate, rejeição, comparecimento, decisões judiciais, voto útil, acontecimentos de última hora e a própria margem de erro. O jornalismo erra quando troca leitura de cenário por profecia.
O valor público desses números está menos em alimentar torcida e mais em mostrar onde a eleição está sensível. No Governo do DF, a sensibilidade passa por continuidade administrativa, elegibilidade e oposição. No Senado, passa por polarização, segundo voto e fragmentação entre nomes competitivos. O eleitor ainda é o único levantamento definitivo — e esse só sai da urna.
Fontes e Documentos:
- Pesquisas mostram Celina à frente e disputa acirrada pelo Senado (Fonte em Foco)
- Pesquisas mostram disputa aberta pelo Governo do DF (Fonte em Foco)
- Datafolha: No DF Michelle tem 21% para o Senado; Leila, 18%; Bia, 15%; Erika, 14% (UOL)
- Quaest: Celina lidera no 1º turno no DF com 35%, contra 18% de Arruda e 17% de Grass (Folha de S.Paulo)
- Eleições 2026: quem fica, quem sai e quem concorre ao Senado (Senado Federal)

