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Pesquisas mostram Celina à frente e disputa acirrada pelo Senado

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

Cobertura relacionada

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Pesquisas indicam vantagem de Celina, mas cenário ainda não é definitivo

As pesquisas públicas mais recentes para as eleições de 2026 no Distrito Federal mostram Celina Leão na liderança para o Governo do DF, mas com leituras diferentes sobre o grau de vantagem em relação aos adversários. Para o Senado, Michelle Bolsonaro aparece em primeiro lugar, enquanto Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay disputam a segunda vaga em uma eleição que terá dois senadores escolhidos pelo eleitorado.

A fotografia mais recente da disputa pelo Palácio do Buriti vem da RealTime Big Data, divulgada em 9 de setembro. No primeiro cenário estimulado, Celina Leão aparece com 35%, seguida por José Roberto Arruda e Leandro Grass, ambos com 20%; Paula Belmonte tem 7%, Ricardo Cappelli tem 4%, outros somam 2%, brancos e nulos são 6%, e não sabem ou não responderam também somam 6%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 4 e 8 de setembro, por telefone e internet, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE sob o número DF-09600/2026.

A Quaest, divulgada em 8 de setembro, também colocou Celina na frente, com 35%. Nesse levantamento, Arruda marcou 18%, Leandro Grass 17%, Paula Belmonte 4%, Ricardo Cappelli 2%, Kiko Caputo 1%, Samara Mineiro 1%, enquanto Elisson Ferreira, Professor Robson, Expedito Mendonça e Rico Pinheiro não pontuaram. A pesquisa foi registrada no TSE sob os números BR-04442/2026 e DF-01987/2026, ouviu 1.104 pessoas entre 4 e 7 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

A AtlasIntel mostrou um quadro mais apertado alguns dias antes. No levantamento divulgado em 3 de setembro, Celina tinha 30,7%, Leandro Grass 29%, Arruda 14,2%, Paula Belmonte 8,2%, Ricardo Cappelli 5,8%, Kiko Caputo 4,3%, Samara Mineiro 1,3%, Elisson, Professor Robson e Rico Pinheiro 0%, com 2,8% de branco ou nulo e 3,6% de indecisos. A pesquisa ouviu 1.193 eleitores pela internet entre 27 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de três pontos e registro DF-02018/2026.

Todos os candidatos ao Governo do DF nas pesquisas

A lista oficial do TRE-DF registra pedidos de candidatura para Arruda, Cappelli, Celina Leão, Elisson, Expedito Mendonça, Kiko Caputo, Leandro Grass, Paula Belmonte, Professor Robson e Professora Samara Mineiro. Lista automatizada baseada no DivulgaCandContas do TSE inclui também Rico Pinheiro, com candidatura em situação de aguardando julgamento.

Candidato ao GDFPartidoQuaest 8.setAtlasIntel 3.setRealTime 9.set
Celina LeãoPP35%30,7%35%
José Roberto ArrudaPSD18%14,2%20%
Leandro GrassPT17%29%20%
Paula BelmontePSDB4%8,2%7%
Ricardo CappelliPSB2%5,8%4%
Kiko CaputoNovo1%4,3%não detalhado
Professora Samara MineiroUP1%1,3%não detalhado
Elisson FerreiraAgir0%0%não detalhado
Expedito MendonçaPCO0%não testado/detalhadonão detalhado
Professor RobsonPSTU0%0%não detalhado
Rico PinheiroPRTB0%0%não detalhado

A leitura correta é de vantagem de Celina no conjunto mais recente, mas não de eleição resolvida. A diferença entre institutos mostra que método, período de campo, lista apresentada e momento político alteram a fotografia da disputa.

Segundo turno mostra vantagem em alguns cenários e empate técnico em outros

A RealTime Big Data aponta Celina vencendo Arruda por 44% a 29% e Leandro Grass por 50% a 32% em simulações de segundo turno. No cenário entre Arruda e Grass, Arruda aparece com 42% e Grass com 34%.

A Quaest também mostra Celina à frente no segundo turno. Ela venceria Arruda por 47% a 30% e Grass por 52% a 29%; em confronto sem Celina, Arruda aparece com 41% contra 28% de Grass.

A AtlasIntel, porém, apresenta empates técnicos entre os três principais nomes. Celina marca 43,6% contra 41,1% de Grass; Arruda tem 38,7% contra 38% de Celina; e Grass aparece com 38,2% contra 34,2% de Arruda, todos dentro da margem de erro.

Senado tem Michelle na frente e disputa pela segunda vaga

A RealTime Big Data divulgada em 9 de setembro mostra Michelle Bolsonaro na liderança para o Senado no DF, com 26%. Leila do Vôlei e Bia Kicis aparecem empatadas com 17%, Erika Kokay tem 15%, Sebastião Coelho soma 10%, Ronaldo Fonseca 2%, Guto Felício 1%, e os demais nomes registrados aparecem com 0%.

A Quaest, divulgada no dia anterior, também colocou Michelle em primeiro, com 26%. Leila do Vôlei apareceu com 17%, Erika Kokay com 13% e Bia Kicis com 11%, segundo o resultado publicado.

A eleição para o Senado no DF tem uma característica importante: o eleitor votará em dois nomes, porque dois terços do Senado serão renovados em 2026. O TSE informa que os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos para mandato de oito anos.

Todos os candidatos ao Senado citados no levantamento mais recente

O TRE-DF registrou pedidos de candidatura ao Senado de Bia Kicis, David Horn, Erika Kokay, Guto Felício dos Santos, Leila do Vôlei, Marley, Michelle Bolsonaro, Professor Guilherme Amorim, Sebastião Coelho, Tiago, Zanata e Ronaldo Fonseca. A lista automatizada com dados do TSE também traz Avenir Rosa, em situação de candidatura indeferida com prazo recursal ou recurso.

Candidato ao SenadoPartidoRealTime 9.set
Michelle BolsonaroPL26%
Leila do VôleiPDT17%
Bia KicisPL17%
Erika KokayPT15%
Sebastião CoelhoNovo10%
Ronaldo FonsecaPSD2%
Guto Felício dos SantosPSDB1%
Tiago TarsisAgir0%
ZanataPSTU0%
Professor Guilherme AmorimUP0%
Avenir RosaDemocrata0%
David HornPCO0%
MarleyAvante0%

A disputa senatorial tem uma lógica diferente da eleição para governador. Como há duas vagas, não basta olhar apenas quem lidera: importa observar quais campos políticos conseguem colocar dois nomes competitivos e como o eleitor distribui o voto entre aliados.

Intenção de voto não é previsão de resultado

As pesquisas eleitorais registradas são instrumentos de leitura do momento, não garantias de vitória. O TSE informa que empresas e entidades devem registrar pesquisas de opinião pública relativas a eleições ou candidatos até cinco dias antes da divulgação, mas a Justiça Eleitoral não faz controle prévio dos resultados nem gerencia sua divulgação.

Isso significa que não existe uma “pesquisa oficial” produzida pelo TSE sobre intenção de voto. O que existe é registro oficial dos levantamentos, com dados de metodologia, contratante, período de campo, amostra e margem de erro.

Para o eleitor, a informação mais segura não está em um número isolado. Está na comparação entre pesquisas, na distância entre os candidatos, na margem de erro, na tendência ao longo do tempo e na proporção de indecisos, brancos e nulos.

DF chega a 2026 com mais de 2,25 milhões de eleitores aptos

O Distrito Federal tem 2.253.732 pessoas aptas a votar nas Eleições Gerais de 2026, segundo dados do TRE-DF. O cadastro eleitoral local soma 2.562.037 eleitores, incluindo inscrições aptas, canceladas e suspensas, e 94,4% dos eleitores aptos já têm biometria cadastrada.

A distribuição territorial pesa na campanha. O TRE-DF aponta forte concentração do eleitorado em regiões como Ceilândia, Águas Claras/Taguatinga Sul, Samambaia, Planaltina, Gama, Sobradinho, Guará e Lago Sul.

Isso obriga os candidatos a falar com vários Distritos Federais ao mesmo tempo. O voto do Plano Piloto não explica sozinho a eleição; regiões populosas, periferias consolidadas e áreas de expansão urbana podem mudar o ritmo da disputa.

Contexto histórico ajuda a entender o presente

A eleição de 2022 deixou uma base política importante para 2026. Ibaneis Rocha foi reeleito governador do Distrito Federal no primeiro turno, com 50,27% dos votos válidos quando a totalização já estava praticamente concluída, enquanto Leandro Grass ficou em segundo lugar com 26,27%.

Aquele resultado consolidou a força do grupo que governava o DF e confirmou uma característica histórica da política local: o eleitorado alterna momentos de continuidade administrativa com ciclos de desgaste rápido, especialmente quando crises atingem serviços públicos, segurança, transporte, saúde ou instituições locais.

O cenário atual é diferente porque Celina Leão disputa a eleição como governadora, não apenas como herdeira da chapa de 2022. Ela assumiu o comando do GDF após a saída de Ibaneis Rocha, e agora precisa defender a continuidade sem carregar integralmente os custos políticos do governo anterior.

Últimos quatro anos reorganizaram a disputa no DF

Os últimos quatro anos aproximaram três camadas de conflito. A primeira é administrativa: o governo local precisa responder por serviços públicos, orçamento, saúde, segurança, transporte e relação com as regiões administrativas.

A segunda é política: a direita do DF chega forte, mas fragmentada por alianças, disputas internas e pela necessidade de acomodar candidaturas ao GDF e ao Senado. Michelle Bolsonaro lidera a corrida ao Senado; Bia Kicis também é competitiva; Celina busca se consolidar como nome governista com trânsito nesse eleitorado.

A terceira é institucional e financeira: a crise envolvendo o BRB e o Banco Master entrou no centro da campanha. A Quaest registra que a disputa no DF tem como pano de fundo a crise no Banco de Brasília, com Celina tentando administrar o impacto político herdado do período Ibaneis.

Arruda, Grass e Celina representam memórias políticas diferentes

Celina representa a continuidade com tentativa de reposicionamento. Sua vantagem nas pesquisas mais recentes vem acompanhada do desafio de convencer o eleitor de que consegue separar sua gestão das decisões mais desgastadas do ciclo anterior.

Arruda representa uma memória forte da política local, com base eleitoral conhecida e rejeições também conhecidas. Sua candidatura, porém, aparece sob disputa jurídica: lista baseada no DivulgaCandContas registra o pedido como indeferido em prazo recursal ou com recurso, situação que ainda pode mudar conforme decisão em instância superior.

Leandro Grass aparece como principal nome da oposição de esquerda. Sua força na AtlasIntel, onde empata tecnicamente com Celina no primeiro turno, indica espaço para crescimento em um eleitorado que busca alternância, mas os demais levantamentos o colocam atrás da governadora em distância maior.

Senado pode redesenhar o peso político do DF em Brasília

A disputa ao Senado tem impacto nacional porque cada senador do DF vota em temas que vão além da capital. Reforma tributária, segurança pública, indicações de autoridades, fiscalização do Executivo, impeachment e mudanças constitucionais passam pela Casa.

Michelle Bolsonaro aparece como a candidatura mais forte no momento, com 26% tanto na RealTime quanto na Quaest. A segunda vaga está mais aberta: Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay aparecem no bloco competitivo, com Sebastião Coelho tentando se aproximar.

Esse desenho pode produzir uma bancada distrital mais alinhada à direita, mais dividida entre direita e esquerda ou mais plural, dependendo da transferência de votos, da coordenação entre candidaturas aliadas e do comportamento do eleitor que escolhe dois nomes.

Pesquisa mostra a temperatura da campanha, quem decide o resultado é o eleitor

A eleição de 2026 no Distrito Federal não cabe em uma leitura simples de favoritismo. Celina Leão lidera a maioria dos levantamentos recentes, mas a distância muda conforme o instituto, e a AtlasIntel mostra que ainda há espaço para disputa real no segundo turno.

O Senado é ainda mais aberto na segunda vaga. Michelle Bolsonaro aparece à frente, mas Leila do Vôlei, Bia Kicis e Erika Kokay disputam um eleitor que pode votar por afinidade ideológica, reconhecimento de mandato, rejeição a grupos políticos ou cálculo de equilíbrio.

O DF entra nesta eleição com memória recente de continuidade, crise financeira no BRB, reorganização da direita, oposição tentando ganhar fôlego e um eleitorado distribuído por regiões muito diferentes entre si. Pesquisa ajuda a enxergar esse momento, mas não substitui a urna. Ela mostra a temperatura da campanha; quem decide o resultado é o eleitor, no dia da votação.

Fontes e Documentos:

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