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Pesquisas mostram eleição aberta entre Lula e Flávio Bolsonaro

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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Lula lidera o primeiro turno nas pesquisas recentes

As pesquisas públicas mais recentes sobre a eleição presidencial de 2026 mostram uma disputa concentrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, com vantagem de Lula no primeiro turno e empate técnico nas simulações de segundo turno. Augusto Cury aparece como terceira força nos levantamentos, enquanto Ronaldo Caiado e Renan Santos disputam espaço no bloco seguinte. Os números indicam competitividade, mas não autorizam tratar intenção de voto como previsão determinística.

O retrato mais atual da disputa mostra Lula à frente no primeiro turno. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 8 de setembro, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, Augusto Cury, com 9%, Ronaldo Caiado e Renan Santos, ambos com 4%, e Romeu Zema, com 1%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores por telefone entre 4 e 7 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número BR-06790/2026.

A pesquisa Quaest divulgada em 7 de setembro também colocou Lula em primeiro no cenário de primeiro turno. O presidente marcou 36%, Flávio Bolsonaro apareceu com 29% e Augusto Cury registrou 8%. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 3 e 6 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O Datafolha divulgado em 3 de setembro apontou Lula com 38%, Flávio Bolsonaro com 33%, Augusto Cury com 8%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. O levantamento ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades nos dias 1º e 2 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais, e foi registrado no TSE sob o número BR-03669/2026.

A Real Time Big Data divulgada em 1º de setembro mostrou Lula com 38%, Flávio Bolsonaro com 30%, Augusto Cury com 11% e Renan Santos com 7%. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 27 e 31 de agosto, por telefone e internet, com margem de erro de dois pontos percentuais, e foi registrada no TSE sob o número BR-03490/2026.

Segundo turno aparece tecnicamente empatado

A disputa muda de leitura quando o cenário vai para o segundo turno. No BTG/Nexus mais recente, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula por 46% a 45%, diferença dentro da margem de erro. A conclusão prudente é empate técnico, não liderança consolidada.

A Quaest mostrou empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos com 41%. O mesmo levantamento indicou vantagem numérica de Lula em simulações contra Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema, mas esses cenários também precisam ser lidos com cuidado por dependerem de combinações específicas de candidatos, rejeição e transferência de votos.

O Datafolha também apontou disputa apertada em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Lula registrou 46%, contra 44% de Flávio, novamente dentro da margem de erro.

A principal informação, portanto, não é quem “venceria hoje”. Pesquisa não é urna. O dado mais sólido é que Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final antes do primeiro turno como os dois polos competitivos da eleição, enquanto os demais candidatos ainda aparecem distantes de uma vaga provável no segundo turno.

Quatro candidatos concentram a leitura eleitoral

Os quatro nomes mais bem posicionados no conjunto das pesquisas recentes são Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado, com uma ressalva: Renan Santos aparece empatado com Caiado no BTG/Nexus e à frente dele em parte dos levantamentos. A inclusão de Caiado entre os quatro principais decorre de sua presença mais recorrente nas simulações de segundo turno e do empate técnico no bloco intermediário.

CandidatoBTG/Nexus 8.setQuaest 7.setDatafolha 3.setReal Time 1.set
Lula39%36%38%38%
Flávio Bolsonaro35%29%33%30%
Augusto Cury9%8%8%11%
Ronaldo Caiado4%não informado no resultado consultado4%não informado no resultado consultado

A tabela mostra uma eleição em camadas. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a dianteira; Augusto Cury tenta consolidar uma terceira via com percentual mais visível; Caiado, Renan Santos e Zema aparecem no bloco que ainda precisa crescer para disputar a passagem ao segundo turno.

Probabilidade de vitória

A leitura abaixo considera posição no primeiro turno, desempenho em segundo turno, margem de erro, consolidação do voto e distância em relação aos concorrentes.

CandidatoProbabilidade editorial de vitóriaLeitura do cenário
Lula45% a 50%Lidera o primeiro turno na série recente e aparece competitivo em todos os segundos turnos.
Flávio Bolsonaro42% a 48%Está tecnicamente empatado com Lula no segundo turno e mantém base eleitoral consolidada.
Augusto Cury3% a 7%Tem crescimento relevante como terceira força, mas ainda está distante dos dois primeiros.
Ronaldo Caiado1% a 3%Aparece no bloco intermediário e depende de forte mudança de cenário para chegar ao segundo turno.

Essas faixas não devem ser lidas como resultado provável da urna. Elas apenas traduzem, de forma cautelosa, o peso relativo dos candidatos no conjunto das pesquisas públicas disponíveis até 8 de setembro.

Últimos quatro anos reorganizaram a disputa

A eleição de 2026 nasce de uma disputa apertada em 2022. O TSE totalizou o segundo turno daquele ano com Lula eleito por 60.345.999 votos, equivalentes a 50,90% dos votos válidos, contra 58.206.354 votos de Jair Bolsonaro, 49,10%.

O início do atual ciclo político foi marcado pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O STF registrou a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes e, ao longo dos anos seguintes, conduziu julgamentos e responsabilizações criminais relacionadas ao episódio.

O campo bolsonarista também entrou em 2026 sem seu principal nome na urna. Em junho de 2023, o TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos, por maioria de 5 votos a 2. Em outubro do mesmo ano, o tribunal também declarou Bolsonaro e Walter Braga Netto inelegíveis por abuso de poder nas comemorações do Bicentenário da Independência.

Esse contexto ajuda a explicar a centralidade de Flávio Bolsonaro na disputa atual. Ele aparece como herdeiro eleitoral de um campo político ainda forte, mas sem Jair Bolsonaro como candidato direto. Ao mesmo tempo, Lula disputa a reeleição carregando o peso de ser governo, com vantagens de máquina, visibilidade e realizações, mas também com desgaste administrativo e alta rejeição.

Cury tenta ocupar o espaço do eleitor cansado da polarização

Augusto Cury aparece como a novidade mais visível do primeiro turno. Ele varia de 8% a 11% nos levantamentos recentes consultados, desempenho suficiente para interferir no ritmo da disputa, mas ainda insuficiente para colocá-lo no mesmo patamar dos dois líderes.

A força inicial de Cury parece vir de um espaço conhecido da política brasileira: o eleitor que rejeita a polarização, mas ainda não vê um nome alternativo claramente competitivo. Esse tipo de candidatura pode crescer quando há fadiga com os polos dominantes, mas também pode perder fôlego se não transformar imagem pública em programa, alianças e voto útil.

Para Lula e Flávio, Cury representa mais do que um terceiro colocado. Ele pode influenciar o primeiro turno, reduzir a chance de definição antecipada e alterar a composição do eleitorado que chegará ao segundo turno.

Registro das pesquisas é parte da confiança pública

A legislação eleitoral exige que pesquisas de opinião pública sobre eleições ou candidatos sejam registradas junto à Justiça Eleitoral. O TSE informa que o registro deve ocorrer no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, o PesqEle, com antecedência mínima de cinco dias antes da divulgação.

Essa regra não transforma a pesquisa em verdade final. Ela cria um rastro público mínimo sobre contratante, metodologia, período de campo, amostra, margem de erro e identificação do levantamento. Para o cidadão, isso permite distinguir pesquisa registrada de enquete, propaganda disfarçada ou número sem origem verificável.

A própria Justiça Eleitoral ressalta que não faz controle prévio dos resultados. Isso significa que o registro não é selo de acerto, mas condição legal de transparência. A leitura jornalística precisa ir além do número bruto e observar método, data, margem de erro e comparação com outros levantamentos.

Pesquisa mostra o clima do momento, não o destino do país

A eleição presidencial de 2026 chega à reta final com uma disputa mais estreita do que o primeiro turno isolado sugere. Lula lidera a largada, mas Flávio Bolsonaro aparece suficientemente próximo para transformar o segundo turno em competição real.

O eleitor que procura certeza absoluta nos números vai se frustrar. Pesquisa mostra o clima do momento, não o destino do país. O que ela revela, com mais segurança, é uma sociedade ainda organizada por dois grandes campos políticos, mas com sinais de cansaço, busca por alternativas e pouco espaço para erro na reta final.

Relacionadas, fontes e documentos:

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