Lula e Flávio Bolsonaro concentram agendas no Rio de Janeiro
A agenda dos candidatos à Presidência da República neste sábado, 22 de agosto de 2026, teve como principal destaque a presença simultânea de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. Em atos na capital fluminense, os dois candidatos concentraram parte dos discursos em segurança pública, mas com abordagens diferentes sobre crime organizado, papel do Estado e resposta à violência.
Segurança pública domina atos no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro voltou a ocupar o centro simbólico da disputa presidencial.
Lula realizou comício no Estádio Proletário Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste. Flávio Bolsonaro participou de ato no Maracanãzinho, na Zona Norte, em evento de lançamento conjunto de candidaturas do PL no estado. A distância física entre os atos não impediu que os discursos tocassem o mesmo ponto sensível: o controle territorial exercido por facções, milícias e grupos criminosos em áreas urbanas.
O tema não apareceu por acaso. Segurança pública é uma das principais preocupações do eleitorado fluminense e tem peso nacional na campanha. No Rio, falar de educação, emprego, desenvolvimento e serviços públicos passa quase sempre por uma pergunta anterior: quem controla o território onde as pessoas vivem?
Lula defende segurança com educação e presença do Estado
Lula buscou conectar segurança pública, educação e desenvolvimento econômico.
Postulante ao quarto mandato, o presidente defendeu as candidaturas regionais de sua aliança e afirmou que pretende tirar o Rio de Janeiro das páginas policiais. No discurso, prometeu ampliar escolas em tempo integral e criar novos institutos federais, apresentando a educação como instrumento de prevenção da criminalidade.
Ao tratar de segurança, Lula afirmou que pretende retirar criminosos dos territórios do Rio e devolver esses espaços à população, mas rejeitou ações que classificou como “pirotecnia”. A linha apresentada pelo candidato foi a de prender criminosos, fortalecer a presença do Estado e evitar operações marcadas apenas por alto número de mortes.
Lula também abordou política externa e defesa nacional. Disse estar disposto a negociar em temas como terras raras, mas afirmou que os interesses brasileiros devem ser prioridade. O candidato declarou ainda que pretende ampliar investimentos no aparato de defesa para proteger fronteiras e reforçar a posição do país em momentos de divergência internacional.
Flávio Bolsonaro promete endurecimento penal
Flávio Bolsonaro fez da segurança pública o eixo principal do ato no Maracanãzinho.
O candidato do PL defendeu medidas mais duras contra o crime organizado e afirmou que pretende enquadrar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas. Também prometeu endurecimento de penas, redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro e castração química para estupradores.
Em um dos momentos mais fortes do discurso, Flávio afirmou que criminosos seriam retirados de circulação “em pé ou deitado”. A frase foi tratada como sinal de endurecimento da campanha e reforçou a tentativa do candidato de se apresentar como defensor de uma política de confronto direto ao crime.
Na área social e econômica, Flávio disse que pretende manter programas de transferência de renda, mas associados à qualificação profissional, ao ensino técnico e ao incentivo ao empreendedorismo. A proposta apresentada no ato vincula benefício social à formação e à criação de pequenas empresas.
Caiado fala em logística, presídios e escala 6×1
Ronaldo Caiado cumpriu agenda em Araçatuba e Campinas, no estado de São Paulo.
Em conversa com jornalistas, o candidato do PSD afirmou que o Brasil precisa ampliar investimentos em logística para reduzir custos e aumentar a competitividade da economia, especialmente do agronegócio. A defesa da infraestrutura apareceu como parte de uma agenda econômica voltada à produção e ao escoamento.
Na segurança pública, Caiado propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas, construir 40 presídios de segurança máxima e ampliar o uso de inteligência artificial no combate ao crime. Também defendeu ações conjuntas com países vizinhos para enfrentar narcotráfico, contrabando de armas e lavagem de dinheiro.
Questionado sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1, Caiado respondeu que é favorável. Ele, porém, não detalhou modelo de transição, impacto sobre setores econômicos nem desenho legislativo para a mudança.
Augusto Cury prepara campanha e debate
Augusto Cury passou o dia em São Paulo.
O candidato do Avante participou, como convidado, do 2º Congresso de RH do Sul e Sudeste do Pará. Depois, gravou conteúdos de campanha e fez preparação para o primeiro debate presidencial, marcado para este domingo.
À noite, a agenda previa visita à Festa de Nossa Senhora de Achiropita, no Bixiga. A presença em eventos culturais e religiosos busca ampliar contato com públicos diversos em uma fase inicial de campanha, antes de maior exposição televisiva.
Zema defende trabalho por hora e critica bets
Romeu Zema esteve na Praça Dom Orione, em Belo Horizonte, onde conversou com aposentados e pensionistas.
Perguntado sobre Previdência, o candidato do Novo defendeu a criação de contrato de trabalho por hora trabalhada. Segundo ele, a medida poderia ampliar a formalização e aumentar a arrecadação previdenciária. Zema também afirmou que talvez seja necessário aumentar o tempo de contribuição de quem está chegando ao mercado de trabalho, com implementação gradual de eventual reforma.
O candidato reiterou posição contrária às apostas on-line. Chamou as bets de “cocaína digital” e disse que pretende acabar com essa atividade caso seja eleito presidente.
Renan Santos lança proposta de urbanização de favelas
Renan Santos lançou, no Jardim Panorama, em São Paulo, o que a campanha chamou de “marco da desfavelização”.
O candidato do Missão defendeu um programa nacional de urbanização de favelas, com construção de edifícios residenciais, infraestrutura e abertura dessas áreas para novos empreendimentos. Segundo a proposta apresentada, a verticalização permitiria manter moradia aos atuais residentes e reorganizar urbanisticamente as regiões, com participação privada em novos bairros, serviços e hotéis.
Renan também defendeu regras para proibir invasões de terrenos públicos e privados. No discurso, criticou movimentos que, segundo ele, usariam famílias como “massa de manobra” em ocupações.
Candidatos de esquerda defenderam moradia e mobilização social
Edmilson Costa participou de reunião da Internacional Antifascista, na Casa da América Latina, no Rio de Janeiro.
O candidato do PCB defendeu a formação de uma frente anti-imperialista com participação do movimento sindical, popular e da juventude. Segundo ele, a mobilização deveria colocar a pauta dos trabalhadores no centro do debate e se materializar em comitês populares em bairros, locais de trabalho e estudo.
Hertz Dias cumpriu agenda em São Paulo e na região do ABC, com caminhadas e panfletagens. O candidato do PSTU criticou a especulação imobiliária e afirmou que São Paulo expressa uma contradição entre imóveis vazios, empreendimentos voltados ao lucro e trabalhadores sem moradia digna. Como proposta, defendeu um plano nacional de obras públicas para construção de moradias populares, escolas, hospitais, creches, saneamento e equipamentos urbanos.
Clariana Barão defende transição da escala 6×1
Clariana Barão concedeu entrevistas a veículos jornalísticos.
A candidata do DC defendeu a substituição gradual da escala 6×1 pela 5×2. Segundo ela, a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, desde que seja planejada e adaptada às diferenças entre setores como comércio, saúde, indústria e tecnologia.
Clariana afirmou que a discussão não deve ser apenas sobre ser contra ou a favor da escala 6×1, mas sobre como garantir mais qualidade de vida sem comprometer crescimento econômico, empregos ou salários.
Outros candidatos tiveram agenda reduzida ou sem retorno
Wilson Grassi teve duas reuniões com equipes de coordenação e marketing da campanha.
Pablo Marçal, do PRTB, está proibido de fazer campanha eleitoral, comparecer a debates e participar do horário eleitoral no rádio e na TV, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A equipe de reportagem da Agência Brasil informou que procurou as campanhas de Rui Costa Pimenta e Samara Martins, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria-base.
Debate presidencial amplia pressão sobre ausentes e presentes
A agenda de sábado antecedeu o primeiro debate presidencial da campanha de 2026.
O encontro, organizado pela Band em parceria com outros veículos, está marcado para este domingo, 23 de agosto, às 20h. Até a manhã deste domingo, veículos de imprensa informavam que Lula e Flávio Bolsonaro provavelmente não participariam, enquanto Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema estavam entre os nomes esperados.
Esse contexto aumenta o peso dos atos de sábado. Para Lula e Flávio, os eventos no Rio serviram para falar diretamente a apoiadores e marcar diferenças na segurança pública. Para os demais candidatos, o debate pode funcionar como oportunidade de exposição nacional em um ambiente com menor presença dos líderes nas pesquisas.
O que a agenda revela sobre a campanha
A agenda deste sábado mostrou uma eleição que começa a organizar seus temas centrais.
Segurança pública apareceu como disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro. Educação, desenvolvimento econômico, logística, moradia, Previdência, trabalho e regulação das bets surgiram nas falas dos demais candidatos, mas ainda de forma fragmentada. Cada campanha tenta ocupar um território político antes que o debate nacional se estreite.
Para o eleitor, a utilidade dessa cobertura está em separar presença de proposta. Ir a um ato, discursar para apoiadores ou lançar uma bandeira não basta. A pergunta que ficará para as próximas semanas é como cada candidato pretende transformar slogans em políticas públicas, com orçamento, legislação, governança e resultados verificáveis.
A campanha ainda está em fase inicial. Mas o sábado mostrou que o Rio de Janeiro, a segurança pública e a disputa pelo controle da narrativa sobre ordem, direitos e desenvolvimento já entraram no centro da corrida presidencial.
Fontes e Documentos:
- Fé pesa na escolha eleitoral para 81% dos brasileiros (Fonte em Foco)
- Eleições 2026 têm recorde de candidaturas indígenas (Fonte em Foco)
- TSE registra 20,5 mil pedidos de candidatura (Fonte em Foco)
- Como a desconfiança na urna virou arma política (Fonte em Foco)
- Brasil repudia revogação de visto de embaixadora nos EUA (Fonte em Foco)
- Veja como foi o sábado (22) dos candidatos a presidente (Agência Brasil)
- Lula promete resolver segurança sem pirotecnia e pede a Paes para continuar limpeza de interino no RJ (Folha de S.Paulo)
- Flávio sobre combate ao crime: Bandido será tirado de circulação em pé ou deitado (UOL)

