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TSE registra 20,5 mil pedidos de candidatura

Publicado em

Reportagem:
Marta Borges

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TSE registra 20,5 mil pedidos de candidatura para as eleições de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral registrou 20.530 pedidos de candidatura para as eleições de 2026, segundo dados atualizados na manhã desta terça-feira, 18 de agosto. O número é 8.732 menor que o registrado no pleito de 2022 e mostra uma disputa ainda majoritariamente formada por homens, pessoas brancas e candidatos que declararam ocupação empresarial.

Pedidos ainda passam pela Justiça Eleitoral

Os pedidos de candidatura são a porta de entrada formal para que uma pessoa possa disputar uma eleição, mas não significam, por si só, que todas as candidaturas já estejam deferidas.

O processo começa depois das convenções partidárias, quando partidos e federações definem seus nomes. Em seguida, as solicitações são apresentadas à Justiça Eleitoral, que analisa documentação, requisitos legais e condições de elegibilidade antes de decidir pelo deferimento ou indeferimento do registro.

Nas eleições gerais, os pedidos abrangem os cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital. Pela regra informada pelo TSE, registros para presidente e vice são julgados pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral; os demais cargos das eleições gerais são analisados pelos tribunais regionais eleitorais.

Deputado estadual concentra a maior parte das solicitações

A maior quantidade de pedidos é para deputado estadual, com 11.103 registros.

Em seguida aparecem os pedidos para deputado federal, com 7.636 registros; deputado distrital, com 420; governador e vice-governador nos estados e no Distrito Federal, com 196; senador, com 315; e Presidência da República, com 13.

A relação entre candidatos e vagas indica maior concorrência proporcional para deputado distrital, com 17,5 candidatos por vaga. Para deputado federal, a relação é de 14,88 candidatos por vaga.

Homens representam 65% dos pedidos

Os dados do TSE mostram que 13.374 pedidos foram feitos por pessoas do sexo masculino, o equivalente a 65% do total.

As pessoas do sexo feminino somam 7.156 pedidos, ou 35%. O recorte ajuda a observar a composição formal das candidaturas apresentadas, sem substituir a análise jurídica que ainda será feita pela Justiça Eleitoral em cada processo.

Em relação à identidade de gênero, 11.758 candidatos se declararam cisgênero, o equivalente a 99,07% dos que informaram esse dado. Outros 107 se declararam transgênero, ou 0,9%, e três preferiram não informar, o que representa 0,03%. O TSE também registrou 53 pedidos de candidatos que declararam nome social.

Pessoas brancas são o maior grupo declarado

Entre os pedidos de registro, 10.013 são de pessoas que se declararam brancas, o equivalente a 48,77% do total.

Candidatos que se declararam pardos somam 7.418 pedidos, ou 36,13%. Pessoas que se declararam pretas aparecem com cerca de 2,8 mil registros, equivalentes a 13,64%. Há ainda 191 candidaturas de pessoas indígenas, 0,93%, e 108 de pessoas de cor amarela, 0,53%.

No recorte indígena, o TSE registrou 191 pedidos. Entre os grupos informados, aparecem 13 candidaturas de pessoas da etnia Makuxí, 12 Guarani Kaiowá, oito de etnias não determinadas, sete Guaraní, sete Mundurukú, sete Múra, sete que declararam não saber a etnia e seis Terena.

Ensino superior completo aparece em mais da metade dos registros

A maioria dos pedidos foi feita por candidatos que declararam ensino superior completo.

Esse grupo representa 58,57% das solicitações. Em seguida estão candidatos com ensino médio completo, 21,41%; ensino superior incompleto, 10,58%; ensino médio incompleto, 3,56%; ensino fundamental incompleto, 2,94%; e ensino fundamental completo, 2,58%.

O TSE também registrou 73 candidatos que declararam apenas saber ler e escrever, o equivalente a 0,36% do total de pedidos.

Faixa dos 45 aos 49 anos lidera entre candidatos

A faixa etária com maior número de pedidos é a de 45 a 49 anos, com 3.538 registros.

Depois aparecem candidatos de 50 a 54 anos, com 3.176 pedidos; de 40 a 44 anos, com 2.986; e de 55 a 59 anos, com 2.581.

O dado revela uma disputa concentrada em faixas de idade intermediárias e mais próximas da maturidade profissional. Ao mesmo tempo, ele deve ser lido como retrato administrativo dos pedidos apresentados à Justiça Eleitoral, não como resultado final da lista de candidaturas aptas a concorrer.

Empresários são a ocupação mais frequente

A ocupação mais numerosa entre os pedidos de registro é a de empresário, com 2.576 declarações.

Na sequência aparecem advogados, com 1.691 registros; deputados, com 874; vereadores, com 811; policiais militares, com 569; médicos, com 558; e servidores públicos estaduais, com 541. Outros 2.709 candidatos foram classificados pelo TSE na categoria outras ocupações.

Esse tipo de informação permite ao eleitor observar a composição social e profissional de quem tenta entrar na disputa. Também ajuda pesquisadores, partidos, órgãos de controle e a própria sociedade a acompanhar padrões de representação, acesso à política e renovação eleitoral.

O que esses números mostram sobre a disputa eleitoral

O primeiro cuidado é separar pedido de candidatura de candidatura deferida. O registro apresentado à Justiça Eleitoral é uma etapa indispensável, mas ainda sujeita a análise, diligências, impugnações e julgamento. O TSE informa que, depois da publicação dos pedidos, há prazo para impugnações e para notícia de inelegibilidade; ao final, a Justiça Eleitoral decide se o registro será deferido ou indeferido.

O segundo cuidado é olhar para o perfil agregado sem transformar estatística em julgamento individual. Os dados mostram quem conseguiu chegar formalmente ao processo de registro: majoritariamente homens, pessoas brancas, candidatos com ensino superior completo e profissionais que se declararam empresários.

Para o cidadão, a utilidade pública está em compreender que a eleição começa antes da urna. Ela começa na formação das candidaturas, na seleção feita por partidos e federações, na documentação entregue à Justiça Eleitoral e na transparência dos dados disponíveis para consulta pública. Antes de escolher nomes, o eleitor também pode observar como o sistema político se apresenta: quem aparece mais, quem aparece menos e quais grupos ainda têm presença limitada na disputa.

Fontes e Documentos:

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