Michelle passa a integrar plano do PL, mas candidatura ainda depende da formalização partidária
O último fim de semana do calendário de convenções partidárias do DF deve consolidar a chapa da governadora Celina Leão (PP) ao Governo do Distrito Federal e a composição do PL para as duas vagas do Senado.
A programação inclui o encontro da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, e a convenção do Partido Liberal. O evento do PL também ocorre sob expectativa de uma possível aparição conjunta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, as convenções podem ser realizadas até quarta-feira (5). A data-limite para o registro formal das candidaturas é 15 de agosto.
Bia Kicis anuncia Michelle como pré-candidata ao Senado
Durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado, realizado no sábado (1º), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) anunciou que Michelle Bolsonaro aceitou disputar uma das duas vagas do Distrito Federal.
Segundo Bia, Michelle estava prevista para participar do evento, mas precisou permanecer em um hospital para realizar exames. A ex-primeira-dama enfrenta crises recorrentes de enxaqueca, de acordo com informações apresentadas pela defesa de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal.
“Michelle Bolsonaro anuncia que ela é, sim, pré-candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal”, afirmou Bia durante o encontro.
A ausência de Michelle também impediu, até o momento, o reencontro público que era aguardado entre ela e Flávio Bolsonaro. O senador confirmou presença na convenção do PL, mas a participação da ex-primeira-dama dependerá de sua condição de saúde e da liberação médica.
No sábado, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que Geovanna Kathleen Ferreira Lima, irmã de Michelle, permanecesse na residência de Jair Bolsonaro durante a ausência da ex-primeira-dama. A autorização foi solicitada pela defesa do ex-presidente para que a irmã ajudasse nos cuidados com a filha do casal.
O anúncio feito por Bia tem peso político, mas ainda não substitui a decisão formal da convenção do PL. Pela legislação eleitoral, é o partido que escolhe oficialmente os candidatos e encaminha a ata à Justiça Eleitoral.
PL deve formar chapa feminina para o Senado
Com o anúncio, Bia Kicis e Michelle Bolsonaro podem disputar juntas as duas cadeiras destinadas ao Distrito Federal no Senado.
Bia está em seu segundo mandato na Câmara dos Deputados e afirmou que escolheu a disputa ao Senado para atuar na fiscalização de outros órgãos e Poderes.
“O Senado é o único que pode colocar de volta o sistema de freio e contrapesos”, declarou.
Além das duas integrantes do PL, o cenário do Senado no Distrito Federal ainda reúne nomes como Sebastião Coelho (Novo), Érika Kokay (PT) e Leila Barros (PDT). A composição, porém, permanece sujeita às decisões das convenções e aos pedidos de registro.
A estratégia do PL também depende da relação com a chapa de Celina Leão. A governadora, Bia e Michelle formam o núcleo feminino da aliança que vem sendo articulada para a disputa no Distrito Federal, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Celina Leão terá Gustavo Rocha como vice
A governadora Celina Leão deve lançar sua candidatura à reeleição durante a convenção marcada para a manhã deste domingo (2).
A chapa tem o advogado Gustavo Rocha (Republicanos) como candidato a vice-governador. O Republicanos já homologou o nome de Rocha e oficializou o apoio à candidatura de Celina durante convenção realizada na quinta-feira (30).
Além de PP, União Brasil e Republicanos, a aliança reúne MDB e Podemos. A participação do PL ainda depende da deliberação partidária, embora a legenda venha sinalizando apoio à chapa.
A confirmação definitiva da coligação e dos nomes majoritários será registrada nas atas das convenções. Até essa etapa, anúncios públicos e acordos políticos funcionam como definições partidárias em formação, não como registro eleitoral concluído.
Convenções do DF entram na fase decisiva
O fim do prazo concentra decisões que podem reorganizar a disputa pelo Governo do Distrito Federal e pelo Senado.
A Federação União Progressista deverá formalizar a candidatura de Celina e apresentar a composição da chapa majoritária. O PL, por sua vez, precisa confirmar Bia Kicis, deliberar sobre Michelle e definir os candidatos aos cargos proporcionais.
A convenção também poderá esclarecer se haverá um reencontro público entre Michelle e Flávio Bolsonaro. A expectativa ganhou força depois da reconciliação entre os dois pelas redes sociais, mas a internação da ex-primeira-dama para exames tornou incerta sua presença.
Até 5 de agosto, os partidos ainda podem alterar alianças, substituir nomes e definir candidaturas. Depois dessa data, começa a etapa de registro na Justiça Eleitoral, que deverá analisar a documentação e as condições de elegibilidade de cada candidato.
Análise
A escolha de duas candidatas do PL para o Senado dá à legenda uma chapa de forte apelo junto ao eleitorado bolsonarista do Distrito Federal. Também amplia a centralidade de Michelle na estratégia nacional do partido, mesmo que sua entrada na disputa ainda precise ser formalizada na convenção.
Para Celina, a aliança representa uma tentativa de reunir partidos do centro e da direita em torno da continuidade do governo. O desafio será transformar a convergência entre lideranças em uma coligação juridicamente formalizada, com divisão clara de palanques, recursos e candidaturas proporcionais.
Em eleições, a fotografia política muda rápido. Até quarta-feira, o que hoje parece chapa fechada ainda pode ganhar novos nomes, perder aliados ou exigir ajustes de última hora — a burocracia eleitoral costuma lembrar que política também tem ata, prazo e protocolo.
Fontes e documentos:
– Eleições 2026 e convenções partidárias (Tribunal Superior Eleitoral)
– Calendário eleitoral de 2026 (Tribunal Superior Eleitoral)
– Republicanos homologa Gustavo Rocha como vice de Celina (Republicanos-DF)

