Pesquisas registradas mostram retratos diferentes da disputa
As pesquisas mais recentes sobre a eleição para governador do Distrito Federal indicam uma disputa ainda aberta, com variações relevantes entre institutos, cenários e momentos da campanha. Levantamentos de AtlasIntel, Datafolha, Real Time Big Data e Paraná Pesquisas mostram Celina Leão, Leandro Grass e José Roberto Arruda em posições centrais na corrida, mas os números não autorizam tratar intenção de voto como previsão de resultado.
A pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de setembro colocou Celina Leão e Leandro Grass em empate técnico no primeiro turno. No cenário estimulado, Celina marcou 30,7%, Grass apareceu com 29% e José Roberto Arruda registrou 14,2%. O levantamento ouviu 1.193 eleitores do DF pela internet entre 27 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número DF-02018/2026.
No Datafolha divulgado em 21 de agosto, o empate técnico ocorreu entre Celina e Arruda. A governadora apareceu com 30%, o ex-governador com 28%, Leandro Grass com 11%, Paula Belmonte com 4% e Ricardo Cappelli com 3%. O instituto ouviu 910 eleitores em 28 regiões administrativas do DF entre 18 e 21 de agosto; a pesquisa foi registrada no TSE sob os códigos DF-07561/2026 e BR-02094/2026, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança.
A Real Time Big Data, em levantamento divulgado em 19 de agosto, mostrou Celina numericamente à frente em cenário estimulado com todos os candidatos registrados: 34% para a governadora, 22% para Arruda e 18% para Grass. O instituto ouviu 1.600 pessoas no DF entre 14 e 18 de agosto; a margem de erro foi de dois pontos percentuais, com 95% de confiança, e o registro no TSE foi DF-07849/2026.
Intenção de voto não é previsão de urna
Pesquisa eleitoral mede um momento, não o futuro. A própria Folha, ao publicar o Datafolha, lembra que os resultados não são prognósticos e não pretendem antecipar o que sairá das urnas; eles retratam a opinião dos entrevistados no período em que o trabalho de campo foi feito.
Essa cautela é ainda mais importante quando os levantamentos usam metodologias, amostras e datas diferentes. A AtlasIntel ouviu eleitores pela internet entre 27 de agosto e 1º de setembro. O Datafolha fez entrevistas em 28 regiões administrativas entre 18 e 21 de agosto. A Real Time Big Data ouviu eleitores entre 14 e 18 de agosto. Cada pesquisa, portanto, captura um recorte próprio da campanha, não uma sentença sobre o resultado.
A margem de erro também muda a leitura. Quando dois candidatos aparecem separados por diferença inferior ou próxima à margem informada, a conclusão editorial responsável é falar em empate técnico, e não em liderança consolidada. Foi assim no AtlasIntel, entre Celina e Grass, e no Datafolha, entre Celina e Arruda.
Segundo turno reforça cenário sem definição estável
As simulações de segundo turno também apontam uma eleição sem desfecho evidente. No AtlasIntel, todos os cenários entre os três candidatos mais bem colocados ficaram em empate técnico. Celina marcou 43,6% contra 41,1% de Grass; Arruda teve 38,7% contra 38% de Celina; e Grass registrou 38,2% contra 34,2% de Arruda.
Já a Real Time Big Data mostrou vantagem numérica de Celina nas simulações em que ela aparece contra Arruda e contra Grass. No mesmo levantamento, Arruda apareceu numericamente à frente de Grass em eventual segundo turno entre os dois.
A diferença entre esses retratos não deve ser lida como contradição automática. Pesquisas diferentes podem mostrar movimentos distintos porque foram feitas em períodos diferentes, por métodos diferentes e com questionários próprios. O valor jornalístico está menos em escolher uma pesquisa como definitiva e mais em observar o conjunto: a disputa pelo Governo do DF continua competitiva e sensível ao contexto político.
Situação jurídica de Arruda adiciona incerteza
A corrida ganhou uma variável relevante em 3 de setembro, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal indeferiu o registro da candidatura de José Roberto Arruda ao Governo do DF. Segundo a Agência Brasil, a decisão não encerra imediatamente a disputa jurídica: o relator registrou que, enquanto houver recurso ao TSE, ficam assegurados atos de campanha, inclusive propaganda e uso do horário eleitoral.
Esse ponto muda a leitura das pesquisas, mas não apaga os números já publicados. Levantamentos que incluíram Arruda continuam relevantes para compreender a distribuição de preferências do eleitorado naquele momento, mas qualquer projeção política precisa levar em conta que a elegibilidade dele passou a depender de decisão em instância superior.
O TRE-DF informou, em 15 de agosto, que foram apresentados 10 pedidos de registro para governador e vice-governador no Distrito Federal. O próprio tribunal destacou que a apresentação do pedido de registro não significa aprovação automática da candidatura, pois a Justiça Eleitoral ainda analisa condições de elegibilidade e requisitos legais.
O eleitorado ainda aparece em movimento
Os dados espontâneos sugerem que parte expressiva do eleitorado ainda não cristalizou sua escolha. No Real Time Big Data, 55% disseram não saber ou não responderam quando a pergunta foi espontânea, sem apresentação de nomes. No Datafolha, a espontânea mostrou Celina com 21%, Arruda com 12% e Grass com 6%, além de menções menores a outros nomes.
Esse tipo de dado ajuda a dimensionar a diferença entre reconhecimento político e voto consolidado. Na pergunta estimulada, quando o eleitor vê a lista de candidatos, os percentuais tendem a se organizar de outra forma. Na espontânea, aparecem com mais força memória, presença pública e decisão já formada.
Para o leitor, a principal conclusão é simples: a eleição ainda não está resolvida. As pesquisas indicam tendências, forças relativas e riscos para cada candidatura, mas não substituem campanha, debate público, decisões judiciais, alianças, rejeição, abstenção e a escolha final do eleitor.
O que as pesquisas revelam sobre a disputa no DF
A fotografia das pesquisas mostra um Distrito Federal dividido entre continuidade administrativa, memória política e alternativas de oposição. Celina Leão aparece competitiva em todos os levantamentos recentes; Leandro Grass cresce no recorte mais novo da AtlasIntel; Arruda segue relevante nas intenções de voto, mas carrega uma incerteza jurídica que pode reorganizar a eleição.
O ponto mais importante é não confundir número com destino. Pesquisa eleitoral é uma ferramenta pública de leitura do momento. Quando bem usada, ajuda o cidadão a entender o cenário. Quando tratada como profecia, empobrece a compreensão da política e transforma informação em torcida.
Fontes e Documentos:
- AtlasIntel DF: Celina tem empate técnico com Grass e Arruda no 2º turno (UOL)
- Datafolha: Celina Leão e José Roberto Arruda empatam na disputa pelo Governo do DF (Folha de S.Paulo)
- Pesquisa Real Time Big Data mostra como está disputa ao governo do Distrito Federal (Gazeta do Povo)
- Paraná Pesquisas divulga pesquisa no Distrito Federal – Registro TSE n.º DF-01326/2026 – Situação eleitoral para o Executivo Distrital, Legislativo Federal em 2026 e avaliação da administração Distrital – Julho/2026 (Paraná Pesquisas)
- Pesquisas eleitorais (Tribunal Superior Eleitoral)
- TRE indefere candidatura de José Roberto Arruda ao governo do DF (Agência Brasil)

