Apartamentos de dois e três quartos encerram espera de até duas décadas
Duzentas e cinquenta e seis famílias receberam neste sábado (27) as chaves de apartamentos nos condomínios 19 e 20 do Itapoã Parque. As novas unidades ampliam o conjunto habitacional localizado na região administrativa do Itapoã e representam, para parte dos compradores, o fim de uma espera iniciada há vários anos na política habitacional do Distrito Federal.
Os dois condomínios ficam na Quadra 401 e reúnem imóveis de dois e três quartos. O valor divulgado para as obras foi de R$ 42,4 milhões.
A entrega foi realizada pelo Governo do Distrito Federal e pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal, com participação da construtora JC Gontijo Engenharia. A cerimônia contou com a presença da governadora Celina Leão.
Embora o ato seja apresentado como entrega de moradias populares, os apartamentos não foram doados. As unidades têm valores de venda definidos e dependem de financiamento, habilitação na política habitacional e eventual concessão de subsídios conforme a renda e a situação de cada família.
Condomínio 19 tem apartamentos de três quartos
O Condomínio 19 reúne 128 apartamentos com 59,85 metros quadrados. Cada imóvel possui três quartos, sala, cozinha, área de serviço e banheiro social.
As unidades foram avaliadas em R$ 172,3 mil. O condomínio está localizado no lote 3 do Conjunto 2 da Quadra 401.
A metragem maior busca atender famílias que precisam de mais espaço, especialmente aquelas formadas por casais com filhos ou outros dependentes.
O preço divulgado corresponde ao valor de venda do apartamento. O custo efetivamente pago por cada comprador pode variar conforme o financiamento contratado, os subsídios recebidos, o valor da entrada e as condições aplicadas pelo agente financeiro.
Condomínio 20 oferece imóveis de dois quartos
O Condomínio 20 também possui 128 unidades, instaladas no lote 5 da mesma quadra.
Os apartamentos têm 46,40 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha, área de serviço e banheiro social. O valor de venda informado é de R$ 168,2 mil.
Juntos, os dois condomínios somam mais de 14,7 mil metros quadrados de área construída, considerando apartamentos, circulações e espaços comuns do empreendimento.
O material divulgado sobre a entrega não detalha como os R$ 42,4 milhões foram distribuídos entre recursos públicos, financiamento da produção habitacional e investimento da construtora.
Espera de 20 anos termina com entrega das chaves
A atendente Antônia Maria Pereira, de 51 anos, afirmou que aguardava havia cerca de duas décadas pela oportunidade de adquirir a casa própria.
Antes de receber as chaves, ela participou da vistoria do apartamento, etapa destinada à conferência das condições do imóvel e à identificação de eventuais ajustes necessários.
“É um sonho de uma vida inteira. Eu vim, fiz a vistoria, entrei, está tudo lindo, tudo maravilhoso, mas ainda não acredito”, relatou.
A nova moradora já planeja a organização dos quartos e a instalação dos móveis. Para ela, a política habitacional permitiu transformar uma intenção mantida durante anos em uma aquisição possível.
O auxiliar administrativo Mateus Godinho Torres, de 21 anos, também recebeu uma unidade. Ele acompanhou o processo ao lado da mãe e classificou a compra do imóvel como uma das principais metas da família.
“Foi muita oração, muito choro, muita vontade e concretizar aqui hoje é muito especial”, afirmou.
Moradia popular exige financiamento e seleção
As famílias atendidas pelo Itapoã Parque passam pelas etapas estabelecidas na política habitacional do Distrito Federal.
O processo inclui inscrição, classificação, comprovação das informações declaradas, habilitação pela Codhab, indicação para o empreendimento e avaliação da capacidade de financiamento.
O Programa Morar Bem atende famílias dentro das faixas de renda previstas para a política habitacional. A inscrição na lista não representa garantia imediata de recebimento de um imóvel.
O candidato também precisa cumprir requisitos relacionados à residência no Distrito Federal, renda familiar, inexistência de propriedade residencial e demais condições previstas na legislação.
Em determinados casos, a família pode receber apoio para o pagamento da entrada por meio do programa Morar DF. O benefício depende de análise e disponibilidade orçamentária.
A emissão do chamado Passaporte Morar DF indica o encaminhamento da família para determinada unidade, mas não assegura, isoladamente, o depósito do subsídio. A concessão somente se confirma após a conclusão da análise administrativa e da ordem bancária.
Codhab informa quase 4 mil subsídios no empreendimento
O presidente da Codhab, Marcelo Fagundes, afirmou que o Itapoã Parque já recebeu quase 4 mil benefícios destinados a ajudar famílias na aquisição das unidades.
Segundo ele, a maior parte dos compradores atendidos pelo empreendimento possui renda familiar de até cinco salários mínimos.
O subsídio reduz a barreira inicial representada pela entrada do financiamento, mas não elimina as parcelas mensais, as despesas condominiais e os demais custos associados à propriedade.
Para evitar comprometimento excessivo da renda, o financiamento precisa considerar não apenas o valor do imóvel, mas também condomínio, energia, água, transporte, manutenção e outros gastos permanentes.
Empreendimento supera 8,3 mil unidades entregues
Com os condomínios inaugurados neste sábado, o Itapoã Parque ultrapassou 8,3 mil apartamentos entregues, segundo os números apresentados pela Codhab durante a cerimônia.
O projeto completo prevê 12.112 unidades habitacionais. Isso significa que aproximadamente 3,8 mil apartamentos ainda precisam ser concluídos ou entregues para que o planejamento seja integralmente alcançado.
Quando finalizado, o bairro poderá abrigar cerca de 50 mil pessoas. A dimensão equivale à população de uma cidade de médio porte e exige expansão contínua de escolas, unidades de saúde, assistência social, transporte, segurança e comércio.
Marcelo Fagundes classificou o Itapoã Parque como o maior empreendimento habitacional de interesse social do país.
A afirmação foi apresentada pela direção da Codhab e deve ser compreendida como uma avaliação institucional, já que não foi divulgado levantamento nacional comparativo que estabeleça quais critérios foram usados para definir esse posto.
Escolas e serviços precisam acompanhar novos moradores
O Itapoã Parque já possui equipamentos como escola pública e unidade do Centro de Referência de Assistência Social. A ocupação progressiva, porém, aumenta a demanda sobre esses serviços.
Uma política habitacional não termina quando a família recebe as chaves. O acesso à moradia precisa ser acompanhado por transporte público, atendimento de saúde, vagas escolares, iluminação, segurança, áreas de convivência e oportunidades de trabalho próximas.
A concentração de milhares de apartamentos em uma mesma região pode reduzir o déficit habitacional, mas também pressionar a infraestrutura quando os equipamentos públicos não crescem no mesmo ritmo.
Durante a cerimônia, Celina Leão afirmou que o empreendimento foi planejado para reunir moradia e serviços.
“Quando a gente pensou nesse empreendimento, nós não pensamos só na moradia. Aqui tem escola, é uma cidade planejada”, declarou.
A expansão efetiva dessa estrutura deverá ser medida pela capacidade dos serviços de atender não apenas às famílias já instaladas, mas também aos milhares de moradores que ainda chegarão.
A chave encerra uma espera e inicia novas despesas
A entrega dos apartamentos representa segurança residencial para famílias que passaram anos pagando aluguel, dividindo imóveis ou aguardando atendimento na política habitacional.
A casa própria também traz novas responsabilidades. Financiamento, condomínio, impostos, manutenção e consumo passam a integrar o orçamento familiar.
Por isso, o sucesso do empreendimento não pode ser medido apenas pelo número de chaves entregues. Também será necessário acompanhar a permanência das famílias, a qualidade das construções, o atendimento de pós-obra e a capacidade do bairro de oferecer serviços públicos compatíveis com sua população.
Para Antônia, Mateus e as outras 254 famílias, este sábado encerra a fase da espera. A próxima começa com a mudança, a organização das contas e a construção cotidiana de uma comunidade que ainda está em formação.
Relacionadas, fontes e documentos:
– Serviços digitais do GDF reduzem filas e deslocamentos (Fonte em Foco)
– GDF lança novo edital para bloco de doenças raras (Fonte em Foco)
– Ponto facultativo muda serviços públicos nesta segunda (Fonte em Foco)
– Sala Lilás amplia proteção a mulheres no Distrito Federal (Fonte em Foco)
– Itapoã Parque planejado para 12 mil famílias (Agência Brasília)

